Schiaparelli, surreal: neta da estilista revela lado mais pessoal da designer em documentário
Elsa Schiaparelli, que redefiniu a roupa esportiva para mulheres e verteu o Surrealismo em suas criações, entre outros feitos na moda, é figura central no documentário, com coprodução brasileira, sobre sua vida. No curta-metragem, a neta da estilista, a atriz e modelo Marisa Schiaparelli Berenson, abre uma fresta para um lado mais pessoal da designer, que poucos conhecem – mas nem de longe tira o véu de mistério que recai sobre a criativa desde os anos 1930
Há um certo desencaixe em Elsa Schiaparelli dela com ela mesma, digno de pessoas geniais, que se percebe nos primeiros minutos do curta-metragem O Álbum Privado de Elsa Schiaparelli, produção feita entre São Paulo e Marrakech, no Marrocos, pela Biblioteca Mário de Andrade.
A começar pelo fato de Elsa, estilista que marcou a moda desde 1930, ter se sentido o patinho feio da família na infância.
Soma-se a isso uma personalidade construída a partir de seu tom existencial de viver e de seu estilo rebelde de encarar o mundo – que, mais tarde, inclusive, a aproximou de artistas do Surrealismo, movimento que prezava pela valorização do inconsciente e do pensamento livre nas artes visuais. Tais características podem até ser conhecidas de fãs mais atentos à vida e à obra de Schiaparelli, que era italiana, radicada em Paris.
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Mas, com o documentário, narrado pela neta da designer, a atriz e modelo Marisa Schiaparelli Berenson, se abre uma fresta a mais, e mais instigante, para o jeito de pensar, criar e viver da estilista. Marisa, que escreveu o livro Elsa Schiaparelli’s Private Album – obra que deu origem ao documentário –, conta que a designer não gostava, por exemplo, de ser chamada de avó; “Schiap” bastava.
Tinha obsessão por cabelos e turbantes. Pregou broches, costurou bocas e olhos em tecidos, para deixar verter a inspiração surrealista em suas criações.
Em uma das peças mais icônicas de sua história, apresentou ao mundo, em 1937, o Lobster Dress, que fez com o grande amigo Salvador Dalí, em que a estampa de uma lagosta vermelha se decalca na seda creme.
Sua contribuição também passou por criar a cor rosa choque, um tom vibrante e dramático que até hoje tem esse impacto na moda. “Desde cedo entendi que a minha avó era muito diferente das outras avós”, diz a neta.
Ser diferente, inventiva e livre, como mostram as imagens raras e de arquivo que se acrescentam ao curta, talvez seja, inclusive, o maior legado de Schiaparelli. Ela, que fundiu arte e moda apropriadamente em construções de roupas e acessórios que até hoje são reverenciadas na moda, tem muito a nos ensinar sobre escapar do óbvio, inclusive quando tudo já parece revisitado e revelado. “Sempre havia um mistério dentro dela”, teria dito Pablo Picasso, também um dos nomes que absorveram características do estilo surrealista em suas obras, sobre a amiga.
O documentário, que foi apresentado em novembro na Biblioteca Mário de Andrade, fica disponível a partir do primeiro trimestre de 2025 nas plataformas digitais da Biblioteca, permanentemente e de maneira gratuita.









