Moda

Por Marie Claire França, com tradução de Nathália Geraldo, Marie Claire Brasil

Enquanto o movimento body positive permitiu, nos últimos anos, aumentar a conscientização sobre a necessidade de representação em termos de tipos de corpos e tons de pele, a indústria da moda está lentamente se afastando dos padrões de beleza que ajudou a impor à sociedade.

Se são qualificadas como plus size, é principalmente porque as marcas ainda têm dificuldade em oferecer tamanhos que correspondam à realidade dos corpos. Antes de tudo, elas são modelos e iluminam cada passarela ou página de revista em que aparecem.

Aqui, as 14 modelos curvilíneas que não nos cansamos de ver subindo os degraus da moda.

Precious Lee

Se ela trabalha como modelo há mais de uma década, sua hora de glória finalmente chegou.

Nas últimas temporadas, Precious Lee tem sido aclamada tanto por marcas quanto por revistas de moda e pelas maiores casas de luxo.

No desfile da Versace primavera-verão 2021, no show da Balmain primavera-verão 2022 para os 10 anos de Olivier Rousteing à frente da marca, na abertura da 40ª coleção do designer Christian Siriano... As curvas da top americana são veneradas pelos criadores. Com seu rosto angelical e sua silhueta voluptuosa, ela se tornou uma das musas da Savage X Fenty, a marca de lingerie inclusiva criada por Rihanna.

Aos 33 anos, Precious Lee foi a primeira modelo negra plus size a posar na capa da revista Sports Illustrated. Ela também é reconhecida em todas as capitais da moda.

Alva Claire

Agenciada pela IMG Models, Alva Claire está entre as 50 futuras estrelas da moda listadas no site Models.com.

Foi em 2020 que a modelo inglesa, baseada em Nova York, começou a se destacar na indústria, quando participou do desfile da Versace primavera-verão 2021. "Estou tão emocionada, sempre sonhei em desfilar para a Versace", escreveu ela emocionada em sua conta no Instagram. No post, ela celebrou o fato de não ser a única modelo plus size presente na passarela: "Estou tão orgulhosa de Precious Lee, Jill Kortleve e de mim mesma. Fizemos história e nunca esquecerei a emoção que sinto neste momento."

Como Precious Lee, ela alcançou a fama após uma década de trabalho árduo. Hoje, seu rosto aparece em campanhas publicitárias e nas páginas das revistas mais prestigiadas. Ela chegou a estampar a capa da edição britânica da ELLE em julho de 2021.

Em seu portfólio, figuram nomes como Balmain, GCDS, Collina Strada e Calvin Klein. Sem esquecer a Savage X Fenty, a marca de lingerie fundada por Rihanna, que já a convidou para vários trabalhos.

Paloma Elsesser

Não há ninguém como ela! Aos 30 anos, Paloma Elsesser é uma afro-latina americana descoberta no Instagram pela lenda da maquiagem, Pat McGrath.

Desde então, ela já posou para Nike, Glossier, Fenty Beauty, além de revistas como Teen Vogue, W, Interview e Vogue US. Nas passarelas, foi vista em desfiles de Proenza Schouler, Alexander McQueen, Lanvin, Fendi e Ganni. Uma trajetória impressionante, consagrada em 2020, quando foi eleita modelo do ano.

"Eu amo poder mudar a forma como as pessoas se percebem", declarou ela à Marie Claire em uma entrevista sobre sua campanha para a Mango Violeta. Missão cumprida.

Denise Bidot

Com seu manequim 46, Denise Bidot é outra modelo plus size em ascensão na indústria da moda. A americana começou colaborando com marcas como Forever 21, Target, Levi’s, Nordstrom e Macy’s.

Em 2014, durante a Semana de Moda de Nova York, tornou-se a primeira modelo plus size a desfilar para marcas que não eram especializadas em tamanhos grandes, como a Chromat, uma das grifes mais inclusivas da cena nova-iorquina, além da Savage X Fenty, a marca de lingerie criada por Rihanna.

Estrela da série Curvy Girls, Denise Bidot também é uma defensora da aceitação do corpo.

Jari Jones

Musa da Calvin Klein, a modelo, atriz, cineasta, ativista trans e plus size Jari Jones está se tornando uma figura indispensável na indústria. Ela foi uma das personalidades da capa da Teen Vogue de setembro de 2020 e apareceu em um editorial da British Vogue.

Além de uma participação notável no Festival de Cannes com o filme que produziu, Port Authority — que destaca uma mulher trans em um papel de destaque no cinema —, ela escreveu diversos ensaios sobre questões queer, transgênero e raciais em mídias como The New York Times, Nylon e Out Magazine.

Em uma entrevista para o Yahoo, comentou sobre sua campanha para a Calvin Klein: "Era importante para mim mencionar que eu sou gorda. Para que as pessoas entendessem que um corpo gordo merece ser celebrado. Ele merece amor, merece respeito. Todas essas interseções — o fato de eu ser gorda, trans, negra... Isso precisava ser visto e verbalizado diretamente."

Ashley Graham

Ashley Graham é uma das poucas modelos plus size listadas no Models.com. Incluída no top 50 das modelos mais bem-sucedidas, mais "sexy", mais bem pagas por editoriais e desfiles, ela também é classificada como ícone da indústria ao lado de top models lendárias como Alek Wek, Imaan Hammam e Constance Jablonski.

Se oficialmente trabalha como modelo desde os anos 2000, foi sua capa na Sports Illustrated em 2016 que a revelou ao mundo. Pela primeira vez, a revista esportiva colocou uma modelo plus size na capa. No mesmo ano, apareceu nas capas de Grazia UK e Maxim, tornou-se rosto da H&M e lançou uma boneca Barbie inspirada nela.

Desde então, posou para Vogue US, Harper’s Bazaar, Glamour e Marie Claire Italia, além de desfilar para Prabal Gurung, Dolce & Gabbana, Christian Siriano e Michael Kors.

Na Vogue, em 2019, declarou: "Acho que meu corpo mudou a vida de muitas pessoas. Usei meu corpo como uma ferramenta para falar sobre temas tabus, como celulite ou insegurança com a gordura do abdômen — e também sobre como viver em seu próprio corpo e ter um diálogo afirmativo consigo mesma."

Alexis Ruby

Alexis Ruby é um dos novos rostos plus size da moda. Musa de Marc Jacobs, já desfilou para Nike e Tommy Hilfiger e posou para revistas como V Magazine, Paper Magazine e Love Magazine.

Marina Bulatkina

A modelo russa Marina Bulatkina estrelou campanhas da Maidenform, Bare Necessities e Century 21. Em 2018, lançou sua própria marca, By Marina Bulatkina, focada em valorizar corpos curvilíneos.

Clémentine Desseaux

Modelo francesa instalada nos Estados Unidos, Clémentine Desseaux é um unicórnio na história da moda francesa. Pois, embora os temas do movimento body positive também sejam discutidos no país, a cena da moda francesa é lenta, ou até relutante, em mudar essa questão.

"Para Paris, capital da moda e do luxo, é uma questão de imagem, ninguém quer ver uma parisiense com curvas. Na cabeça das pessoas, no exterior, a imagem é Ines de la Fressange, é Coco Chanel, e as curvas não se encaixam", declarou ela ao veículo Fashion Network, em 2015.

Candice Huffine

Candice Huffine já estampou duas vezes a capa da Vogue Italia e posou para Grazia UK, ELLE US, Vogue México, Harper's Bazaar, V Magazine e W, além de campanhas para Swarovski e Violeta by Mango. No mundo das passarelas, ela participou dos desfiles da Victoria's Secret, Christian Siriano, Cushnie e Prabal Gurung.

Mas o caminho não foi fácil para a modelo considerada plus size. Ela lembra de ter sido rejeitada em um casting por não ser magra o suficiente. "Uma agência me disse: 'Se você perder 15 quilos, assinamos com você'", contou em uma entrevista. "É impressionante como certos momentos podem mudar o resto da sua vida. E esse foi o momento. Eu me aceito. Meu corpo tem o tamanho que tem, eu como de forma saudável, trabalho, e meu peso não muda. Isso significa que eu sou exatamente como devo ser."

Tara Lynn

Tara Lynn já estampou a capa da ELLE Espanha e posou para Glamour e V Magazine. Nos últimos dois anos, apareceu em campanhas publicitárias da H&M e Mango Violeta, além de ter desfilado para 11Honoré e Christian Siriano.

"Quando você se torna adulto, percebe que não precisa se encaixar em padrões. Você não precisa parecer ou pensar como todo mundo", revelou ao ELLE US.

"Em um certo momento, percebi que não me sentia bem no meu corpo e que precisava retomar o controle. Isso aconteceu há alguns anos, no colégio. Perdi um pouco de peso, me senti forte, bonita e reassumi o controle. Depois disso, tive coragem suficiente para ir a uma agência e perceber que meu corpo, meu tamanho 44/46, é um corpo bonito. Ele é meu, e eu me sinto bem na minha pele."

Odile Gautreau

"[A inclusão] é parar de deixar de lado pessoas que existem, parar de torná-las invisíveis por causa de sua etnia, sua morfologia ou suas especificidades físicas. Também podemos incluir o espectro da deficiência, que nunca é destacado na imprensa ou na moda. No fim das contas, trata-se de incluir todas as pessoas que compõem a sociedade. Todo mundo tem o direito de ser representado", declarou Odile Gautreau à Marie Claire França em março de 2021.

Hoje, as marcas disputam a atenção da modelo francesa. Ester Manas, Selkie, Nike e Koché – a primeira marca a colocá-la na passarela – estão entre elas. No universo das revistas, Paulette, Censored e Antidote já abriram espaço para ela.

Tess Holliday

Modelo desde os 15 anos, Tess Holliday é uma das principais figuras do mercado plus size e do movimento body positive. Ao longo de sua carreira, colaborou com marcas de moda e beleza como Benefit e H&M, além de ter aparecido em editoriais para Vogue Italia, Marie Claire UK, Nylon e Self Magazine.

Sendo a primeira modelo de tamanho 56 a desfilar, ela participou do desfile da Chromat na coleção primavera-verão 2020, usando um vestido com as palavras "sample size" (tamanho de amostra) estampadas. Além da carreira de modelo, Tess lançou o movimento #EffYourBeautyStandards e criou sua própria marca de moda.

"Há tantas pessoas que acham que ser uma modelo plus size significa que eu devo estar doente ou que estou promovendo um estilo de vida não saudável. No começo, foi muito difícil, me culpava por isso. Mas depois pensei... Minha saúde não é da conta deles", disse à Paper Magazine em janeiro de 2016.

Robyn Lawley

A modelo australiana de tamanho 44, Robyn Lawley, participou de uma campanha publicitária na mesma edição da Sports Illustrated que Ashley Graham. Uma verdadeira pioneira, ela foi a segunda modelo plus size a aparecer na capa da edição francesa da ELLE e a primeira a ser fotografada para a Vogue Austrália, GQ Austrália e Cosmopolitan Austrália.

Apesar de redefinir os padrões de beleza [no passado, quando vestia número 40, e a indústria da moda colocava como padrão mulheres que usavam números abaixo disso. Em 2024, ela aparece nas redes sociais em cliques em que está magra], Robyn Lawley mantém os pés no chão e declarou à Time: "Não sei se me considero uma modelo plus size ou não. Eu me vejo mais como uma modelo que tenta ajudar as mulheres a aceitarem seus corpos."

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