PFW: Dior faz ode a Virginia Woolf, à fluidez de gênero e traz de volta a camiseta J'Adore
Na Semana de Moda de Paris, a diretora criativa Maria Grazia Chiuri se inspirou no romance Orlando de 1928
Um tom sombrio e melancólico e um balanço no centro do salão com as palavras "Era um vez" inscritas foram o cenário para o desenrolar da história contado pela Dior, nesta terça-feira (4), durante a Semana de Moda de Paris.
Para a coleção de outono/inverno 25, a diretora criativa Maria Grazia Chiuri se inspirou em Orlando, romance de Virginia Woolf, uma história atemporal de transformação e fluidez. O livro conta a história de Orlando, um jovem nobre inglês do século XVI que vive por mais de 300 anos sem envelhecer significativamente e, em determinado momento, se transforma em mulher.
Assim como a protagonista de Woolf, que transcende séculos, gêneros e fronteiras sociais, os designs da Dior misturam silhuetas opulentas e fluidas em termos de gênero. Maria Grazia retrabalhou algumas silhuetas clássicas da grife, revisitando John Galliano e Gianfranco Ferré, por exemplo.
O principal elemento que atravessa qualquer peça é o babado, desmontado e remontado, e sua combinação mais importante é com a camisa - peça-chave da coleção.
Até a camisa branca, em sua versão mais minimalista – que para Chiuri é elemento fundador de uma vestimenta livre de estereótipos de gênero – ganha estilos contemporâneos. Por exemplo, quando são usadas com um micro bustiê com zíper decorativo e calças masculinas.
A camisa, então, explora o conceito de transparência e leveza em contraste com peças pesadas, de alfaiataria ou de couro. Modelos com cabelos curtos e curtos usavam sobretudos e jaquetas militares vermelhas, enquanto outras com cabelos soltos desfilavam em vestidos de renda amigáveis ao boudoir, jaquetas bomber de couro e babados removíveis.
A coleção também apresentou um punhado de bar jackets, que são icones da grife e foram criadas pela primeira vez em 1947 por Christian Dior como parte de sua coleção "new look" para demonstrar uma nova mulher emergindo da segunda guerra mundial. Essas jaquetas, que têm ombros redondos e cinturas marcadas, foram reinterpretadas por todos os diretores criativos da Dior, mas graças à sua elasticidade, as de Chiuri tendem a ser as mais usáveis.
O desfile termina com vestidos de festa com um charme antigo. "Cada coleção é uma construção, é um projeto e ao mesmo tempo é uma fantasia. É conscientização", explica a grife nas notas do desfile. "É um convite para usar a moda para ser você mesmo. As roupas podem se tornar um repertório de possibilidades."
O retorno da camiseta J'Adore Dior
Maria Grazia Chiuri revisitou os arquivos da célebre gestão de John Galliano na Dior, e trouxe para esta coleção a famosa camiseta 'J'Adore Dior'. A camiseta com o logotipo foi vista pela primeira vez na coleção SS01 usada sob um vestido verde espumoso e hoje fez um retorno estilizado em uma variedade de looks, desde espartilhos de brocado até uma jaqueta bolero. Uma opção, no entanto, deu à camiseta simples uma existência mais complexa, pois era finalizada com um acabamento de renda nos ombros e no abdômen.
A camiseta manteve seu status de culto ao longo dos anos, tornando-se uma peça popular para comprar em sites de revenda. Muito desse sucesso se deve em parte à sua aparição em na série Sex And The City, vários anos após sua primeira aparição na passarela, usada por Carrie Bradshaw.
Ao criar roupas que funcionam para ambos os sexos, há todas as chances de que Maria Grazia Chiuri, que está na Dior desde 2016, esteja respondendo aos rumores de que ela sairá, e que Jonathan Anderson – o designer irlandês que fez o comercial de moda de vanguarda na Loewe – assumirá a direção masculina e feminina. Se ela fizer isso, ela sairá com um desfile que prova que a reinvenção sempre estará na moda.









