Met Gala 2025: entenda o que está por trás do tema 'Superfine: Tailoring Black'
O baile mais esperado da moda, que acontece nesta segunda (5), presta homenagem ao dandismo negro, celebrando a alfaiataria como expressão de identidade, arte e resistência
Nesta segunda-feira (5), acontece o tapete vermelho mais esperado da moda, o Met Gala. Com o tema “Superfine: Tailoring Black”, o evento beneficente inaugura a nova exposição do Costume Institute, no Metropolitan Museum of Art, em Nova York, que presta homenagem ao dandismo negro e à trajetória da moda como ferramenta de afirmação nas comunidades da diáspora africana.
Com curadoria de Andrew Bolton, ao lado da professora e escritora Monica L. Miller, autora de Slaves to Fashion: Black Dandyism and the Styling of Black Diasporic Identity (2009), a exibição de 2025 mergulha na identidade, na ousadia e na profundidade política do estilo dândi negro — que vai além da superfície da elegância. A mostra estará aberta ao público de 10 de maio a 26 de outubro de 2025.
Dress code: "Tailored for You"
O dress code do Met Gala 2025, “Tailored for You”, convida a uma interpretação da alfaiataria de forma pessoal e criativa. A proposta é refletir a alma da exposição: um tributo ao dândi negro, figura que há séculos transforma o ato de vestir em afirmação, arte e resistência.
O que esperar? Um desfile de alfaiataria com cortes impecáveis, cores vibrantes, acessórios de impacto (como o plastrom, um tipo de gravata usado ao redor do pescoço, semelhante a um lenço) e referências a figuras históricas — como os artistas Jimi Hendrix e Prince, o editor de moda André Leon Talley e o icônico alfaiate Dapper Dan.
Os co-anfitriões desta edição do evento são Lewis Hamilton, Pharrell Williams, Colman Domingo, A$AP Rocky e LeBron James.
A exposição: 12 formas de ser dândi
No museu, a mostra “Superfine” será dividida em 12 seções, cada uma representando uma característica central do estilo dândi negro: Propriedade, Presença, Distinção, Disfarce, Liberdade, Campeão, Respeitabilidade, Jook, Patrimônio, Beleza, Cool e Cosmopolitanismo.
Obras de arte, peças de vestuário, fotografias e instalações compõem a narrativa visual assinada por artistas como Torkwase Dyson, Tanda Francis, André Grenard Matswa e Tyler Mitchell. Todos exploram, à sua maneira, o estilo dos dândis negros — do século XVIII aos dias de hoje.
Quem é o dândi negro?
Historicamente, o dândi é alguém que usa a elegância e a alfaiataria como forma de construir presença social. Nos séculos XVIII e XIX, o termo se referia a homens brancos europeus, como Beau Brummell, figura influente da sociedade britânica, que sem títulos ou heranças, ascendeu socialmente apenas por sua forma de vestir.
O conceito de dândi negro surge mais tarde, reivindicado por homens negros ex-escravizados que se apropriaram dos códigos da alta-costura europeia para se afirmar. Trata-se de um movimento de contra-estética e subversão silenciosa.
Moda como poder: a apropriação dos símbolos
Na diáspora africana, vestir-se bem foi um ato de resgate e reconstrução. A incorporação de ternos, acessórios refinados e comportamentos aristocráticos por homens negros confrontava diretamente os estereótipos impostos e desafiava as regras de raça, classe, gênero e sexualidade.
A pesquisadora Zora Neale Hurston, em seu ensaio de 1934 The Characteristics of Negro Expression, já apontava o poder simbólico da vestimenta no contexto afro-americano. A seção "Jook" da exposição, por exemplo, é inspirada em sua definição de espaços de lazer e liberdade cultural para a população negra.
O dandismo negro começou a tomar forma com o fim da escravidão em países europeus (entre 1761 e 1848) e nos Estados Unidos (1865). Homens negros livres, conscientes de sua nova posição social, passaram a construir uma cultura visual poderosa, registrada em pinturas, gravuras e retratos fotográficos. Cada botão, cada colar, cada tecido importado carregava uma mensagem: a de que, mesmo despossuídos de espaço e de direitos, esses indivíduos tinham autonomia estética, memória e voz.
O impacto do Black Lives Matter na curadoria do Met
Desde 2020, com o fortalecimento do movimento Black Lives Matter após o assassinato de George Floyd, o Met tem se movimentado para incluir narrativas antes negligenciadas. Como parte dessa transformação, o museu adquiriu mais de 150 peças de estilistas racializados, pavimentando o caminho para uma curadoria mais plural e representativa.
“Superfine: Tailoring Black” é, nesse sentido, um desdobramento natural e necessário dessa virada de chave institucional — e marca um momento histórico: é a primeira exposição do Costume Institute centrada na figura masculina desde 2003, quando o tema foi “Men in Skirts”.
Quem estará no Met Gala 2025?
Além dos co-anfitriões, espera-se a presença de grandes nomes da moda e do entretenimento, como as artistas Rihanna, Doechii e Tyla, além de figuras já carimbadas no tapete vermelho, como Zendaya.









