Alta-costura: Iris van Herpen cria vestido com 125 milhões de algas-vivas em desfile de inverno 25
Inspirada pelas profundezas do oceano, estilista transforma a passarela em ecossistema vivo no desfile apresentado nesta segunda, em Paris
Os desfiles de Iris van Herpen nunca apresentam apenas roupas, mas experiências sensoriais. Para a coleção alta-costura de inverno 2025, exibida na manhã desta segunda-feira (07), em Paris, a estilista holandesa levou essa imersão a um novo patamar. Inspirada pelas profundezas do oceano, ela transformou a passarela em um ecossistema pulsante. Para abrir os trabalhos, um look com nada menos do que 125 milhões de algas vivas bioluminescentes, que emitem luz ao menor movimento.
Como isso é possível? As microalgas são cultivadas em água do mar e mantidas vivas em um gel nutritivo, encapsuladas sob uma película translúcida que permite a troca de luz e ar. No lugar de ser construído, o vestido é cultivado, em sintonia com ciclos biológicos e com o ambiente marinho — uma peça viva que exige cuidado contínuo. A criação foi desenvolvida em uma colaboração com o biodesigner Christopher Bellamy.
Para realçar o brilho das algas, o momento de abertura ganhou uma escultura de luz biosférica (produzida por organismos vivos) criada pelo artista Nick Verstand, que envolveu o look em uma aura etérea, como se estivesse submerso em um universo submarino próprio.
A coleção seguiu em um desdobramento da oposição entre força e delicadeza. Se por um lado, algumas criações evocavam a potência das marés — com formas esculturais que remetiam a ondas —, outras se dedicavam à fluidez da vida marinha, traduzida em materiais e movimentos quase líquidos.
Uma das principais inspirações foi o documentário Ocean, narrado pelo naturalista britânico David Attenborough. A partir dele, Iris conheceu a Turritopsis dohrnii, espécie de água-viva conhecida por seu processo de regeneração contínua — um símbolo de imortalidade biológica, que a estilista reinterpretou em vestidos feitos com tecidos japoneses ultrafinos e estruturas curvas. Neste inverno 2025, ela faz do corpo uma paisagem viva, transformando o vestir em um ato em constante transformação.









