MFW: Louise Trotter estreia na Bottega Veneta com trabalho artesanal de excelência
Ela assume o comando da grife italiana depois de Matthieu Blazy seguir para a Chanel
Em uma temporada marcada por tantas estreias de diretores criativos, Louise Trotter se destaca como a única mulher a assumir o posto — ela agora ocupa a cadeira deixada por Matthieu Blazy na Bottega Veneta. Britânica formada pela Northumbria University, a estilista já passou por etiquetas Joseph, Lacoste e, mais recentemente, pela Carven, até assumir, em janeiro, o comando da grife italiana. Influenciada pela cena rave de Londres nos anos 1990, a designer construiu uma assinatura marcada pela observação das ruas — ela vive pedalando pelas esquinas de Paris, onde vive com a família — e um profundo entendimento sobre o que a mulher contemporânea veste, deseja e precisa hoje.
No Festival de Cannes, em março deste ano, Trotter deu algumas pistas do que esperar de seu trabalho à frente da Bottega Veneta, quando as atrizes Julianne Moore e Vicky Krieps usaram suas primeiras criações. Durante o evento, Vicky usou um top de couro Intrecciato — técnica de couro entrelaçado que se tornou assinatura da grife — explicitando o desejo da estilista em expandir o uso do material para muito além das bolsas. Isso se concretizou na coleção apresentada hoje, em Milão, com jaquetas, trench coats e calças de couro que pareciam mais leves e menos rígidos, como extensões do corpo.
Pelas mãos de Louise Trotter, a marca italiana também ganhou desdobramentos experimentais, como as saias e casacos com franjas que traziam brilho e movimento à passarela. A alfaiataria, marca importante do trabalho de Trotter, surgiu com shapes oversized, ombros marcados e sobreposições superatuais, que acenam para a força da mulher com quem a estilista dialoga. Há algo de mágico em observar uma mulher que cria para outras mulheres — aqui, Trotter deixa o lembrete de que a moda pode ser, acima de tudo, fonte de autoconfiança feminina.









