De estagiária a líder de branding: como Ana Clara de Almeida leva a identidade carioca para o mundo
De Londres à Nova York, Ana Clara de Almeida usa o Rio de Janeiro como bússola estética para a Farm global
Se fosse preciso definir a atuação profissional de Ana Clara de Almeida em uma frase, seria “levar a identidade carioca para o mundo”. Há sete anos na Farm, ela começou como estagiária e hoje coordena o branding global da marca, atuando como líder criativa e estratégica da área de comunidade. Seu trabalho envolve estabelecer conexões com pessoas que representam o lifestyle da etiqueta, apresentá-la para outros países e pensar iniciativas de comunicação para os lançamentos, especialmente no exterior. Ana circula de Milão a Londres, de Nova York a Paris – mas sempre com um pé no Rio. “Quanto mais tempo passo em outros países, menos vontade sinto de me parecer com eles. Quero que minhas roupas deixem claro que pertenço ao Brasil e ao Rio.”
Na prática, esse desejo se traduz em produções descomplicadas (“no Rio, estamos sempre prontos para dar um mergulho”), maquiagem e cabelo naturais e, claro, muita cor e estampa – mas sem clichês. “O estilo carioca ainda é muito reduzido a uma imagem única de praia, calor e pele à mostra quando, na realidade, é algo muito mais diverso e mutável. É hora de expandir essa narrativa, mostrar a pluralidade da cidade e suas dimensões mais urbanas e culturais.”
Seu guarda-roupa vive de contrastes: biquínis (todos de marcas brasileiras, ela faz questão de frisar) coexistem com casacos pesados, boa parte garimpados em mercados vintage de Londres. Os garimpos, aliás, ocupam boa parte de seu closet. Seja na Praça XV, na capital carioca, no brechó Stella Dallas, em Nova York, ou no Thank God I’m VIP, em Paris, ela mantém o olhar atento para bons achados. “Andando pela cidade, alguma peça sempre se revela a você.” Sua referência máxima de estilo é a designer Anna Sui, que une o vintage, o boho e o rock & roll.
Para Ana Clara, o caminho para construir um estilo autêntico envolve olhar menos para as redes sociais e mais para dentro. “Se você quiser entrar em toda tendência, vai ser sempre uma vítima do que está na moda”, diz ela, que defende a ideia de se vestir, antes de tudo, pela diversão. “Gosto de olhar para minhas roupas com um desejo de redescoberta e de exploração. Tudo passa por se conhecer melhor e se permitir brincar com o próprio armário.”









