PFW: Matthieu Blazy celebra elegância sem idade no inverno 2026 da Chanel
No quarto desfile à frente da maison, o estilista mostra segurança ao reinterpretar os códigos da Chanel — entre tweeds sofisticados, silhuetas desabadas e uma moda pensada para mulheres cosmopolitas
A Chanel está diferente: mais despojada, mais moderna, mais sintonizada com os anseios da mulher contemporânea — tanto das que podem pagar por um look desses quanto das que sonham um dia poder. Este é o quarto desfile de Matthieu Blazy à frente da grife, e dá para ver que ele já está à vontade para ser quem é. Aquele tipo de criador com personalidade de sobra, que não vai se intimidar pelos códigos icônicos Chanel (tailleur de tweed, colares de pérolas, preto e branco, camélias), pelo contrário, vai saber brincar com eles. Para começar, deslocou a cintura do lugar, olhando para os anos 1920, a década em que Gabrielle "Coco" Chanel despontou, e extrapolou a silhueta: jogou a saia, com cinto e tudo, lá para o joelho.
Há também um brilho sofisticado percorrendo a coleção. Vestidos e casacos ganham superfícies luminosas, com tecidos que capturam a luz de maneira quase cintilante, enquanto os bordados acrescentam um toque de glamour noturno. É aquele brilho chique, sem exagero, que faz a roupa funcionar tanto em um jantar quanto em uma grande ocasião.
Já os tweeds aparecem reinventados, mais leves, às vezes combinados com cortes inesperados, lembrando que o tecido mais clássico da maison continua sendo um dos seus maiores trunfos.
Para o inverno 2026 da Chanel, Matthieu Blazy resgata a antítese poética de Gabrielle Chanel sobre a lagarta e a borboleta — “não há nada mais confortável do que uma lagarta e nada mais feito para o amor do que uma borboleta. Precisamos de vestidos que rastejam e vestidos que voem", disse a estilista.
O trânsito entre o utilitario e o lúdico também se reflete nos acessórios, das bolsas com brilho iridescente ao couro matelassê inspirado pelo sofá do apartamento da própria Chanel. As botas over the knee em tons pastel dão um efeito de segunda pele, enquanto os mocassins ganham efeito metalizado, os scarpins surgem com texturas que instigam os sentidos e os sapatos de bico quadrado ajudam a reforçar uma elegância quase arquitetônica.
Blazy também já montou sua turma. As modelos que chamaram atenção nos primeiros desfiles — como Bhavitha Mandava, que acaba de se tornar a primeira embaixadora indiana da Chanel, Stephanie Cavalli, a modelo de 49 anos que abriu o show de hoje, e Awar Odhiang, que encantou com seu sorriso ao encerrar o début do diretor criativo — formam uma pequena comunidade em torno dessa nova fase. São mulheres com atitude, que habitam naturalmente esse universo elegante e cosmopolita que o estilista francês propõe — e cruzam a passarela ao som de uma trilha que vai de Lady Gaga a Cesária Evora, sem perder o ritmo.
Mathieu Blazy sabe que a Chanel é uma marca que atravessa gerações. Por isso, cria roupas para mulheres elegantérrimas de 70 anos, e também entrega paletós de ombros fortes e presença adulta que as millennials amam usar. Há ainda looks pensados para mulheres da geração Z e vestidos poderosos (um deles vermelho, muito chique) que caem bem em qualquer idade.
No fim, ele exerce sua visão criativa para vestir mulheres independentes, urbanas, bem resolvidas, mostrando uma coleção mantém o nome da Chanel no topo do topo da lista de desejos de quem acompanha a alta moda.









