Camila Queiroz apresenta rosto da filha pela 1ª vez: 'É a cara do papai com o narizinho da mamãe'
Prestes a completar 33 anos, Camila Queiroz chega ao seu primeiro Dia das Mães com a filha Clara no colo. A atriz fala, com exclusividade a Marie Claire, sobre a maternidade, a experimentação de um novo amor e a versão de si mesma que está, aos poucos, reencontrando no espelho
Foi Guimarães Rosa quem escreveu, em Grande Sertão: Veredas, que o que a vida quer da gente é coragem. Coragem: a palavra mais usada por Camila Queiroz ao longo de uma conversa generosa numa tarde de abril e que tem tatuada no braço, num lembrete permanente daquilo que acredita ser uma das mais necessárias qualidades que um ser humano pode cultivar. E se a sua trajetória serve de evidência, é difícil discordar.
Aos 14 anos, Camila saiu sozinha de Ribeirão Preto para morar em São Paulo depois de vencer o concurso Pernambucanas Faces e assinar contrato com a Ford Models. Dois anos depois, estava no Japão. De lá, foi para Nova York, onde trabalhou como modelo por três anos. Aos 21, voltou ao Brasil para fazer um teste para a TV Globo e foi escalada para viver Angel, a protagonista de Verdades Secretas, novela de 2015 que a revelou ao grande público e a transformou em um dos rostos mais conhecidos da televisão brasileira.
O que veio depois foi uma carreira construída na emissora – Êta Mundo Bom!, Pega Pega, Verão 90 – até migrar para o streaming com De Volta aos 15, na Netflix, e Beleza Fatal, na Max, onde encontrou novos públicos e novos desafios como atriz. Ela também se tornou, há quatro anos, Friend of the House (Amiga da Casa) da Tiffany & Co., marca que veste nas fotos desta reportagem. Agora, prestes a completar 33 anos, ela está sentada para a primeira conversa pública sobre o capítulo mais aguardado de sua vida: a maternidade.
Clara, primeira filha de Camila e do ator Klebber Toledo, chegou ao mundo com pressa em 12 de dezembro de 2025 – o parto normal teve apenas duas horas de duração. Nos quatro meses que se seguiram, Camila desapareceu das redes sociais de forma deliberada e coerente. Já conhecida por não exibir a vida particular com frequência, quis viver esse momento com presença total, sem mediação das telas. “Eu me preparei muito para isso. Consegui ter esses primeiros meses para estar só com a Clara, presente em todos os dias da vidinha dela”, diz.
Foi justamente esta capa de Marie Claire que escolheu para apresentar a filha ao mundo. “Queria uma forma bonita e respeitosa de apresentar a Clara. Ela é a cara do pai, com o narizinho da mamãe.”
Camila Queiroz mostra o rosto da filha, Clara
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Camila Queiroz — Foto: Hick Duarte (Thinkers Mgmt)
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Camila Queiroz — Foto: Hick Duarte (Thinkers Mgmt)
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Camila Queiroz apresenta sua filha, Clara — Foto: Hick Duarte (Thinkers Mgmt)
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Camila Queiroz apresenta sua filha, Clara — Foto: Hick Duarte (Thinkers Mgmt)
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Camila Queiroz apresenta sua filha, Clara — Foto: Hick Duarte (Thinkers Mgmt)
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Camila Queiroz apresenta sua filha, Clara — Foto: Hick Duarte (Thinkers Mgmt)
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Camila Queiroz apresenta sua filha, Clara — Foto: Hick Duarte (Thinkers Mgmt)
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Camila Queiroz apresenta sua filha, Clara — Foto: Hick Duarte (Thinkers Mgmt)
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Sonhando acordada
Muito antes de existir, Clara já tinha nome. Camila conta que sonhou com a filha aos 12 anos e, quando começou a namorar Klebber, disse a ele que se um dia tivessem uma filha ela se chamaria Clara. “Quando descobrimos que eu estava grávida e que era menina, ele falou: ‘Meu Deus, é ela!’. O Klebber tinha certeza desde o primeiro momento.”
Antes, porém, houve muito trabalho. Em três anos, Camila rodou 12 projetos – novelas, filmes, o reality Casamento às Cegas, De Volta aos 15 e Beleza Fatal. “Fiz isso para poder parar agora em paz, com a cabeça tranquila de: não estou devendo nada, não estou perdendo nada, está tudo certo.” É a fala de alguém que carregava esse sonho havia muito tempo e queria chegar nele de mãos livres.
O instinto materno sempre esteve presente, antes mesmo da fama ou de qualquer projeto profissional. Camila se lembra de, durante a infância, acordar às 4 da manhã para fazer nebulização nas bonecas “doentes”, de ter convencido um vizinho a ser o padre do batizado de uma delas e de ir a brechós para comprar roupinhas de bebê por R$ 0,99. “Eu sempre quis ser mãe.” O que a segurou por mais tempo foram as oportunidades que chegavam e que ela não queria desperdiçar. “A carreira veio numa crescente impressionante, com propostas que eu sentia que não podia deixar passar”, conta. E houve também a pandemia, que embaralhou planos de muita gente. “Se soubessémos que entraríamos em quarentena em 2020, talvez tivéssemos adiantado, mas as coisas acontecem no tempo delas.”
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Sentir algo novo
Quando perguntada sobre como é esse amor que a maternidade trouxe, Camila responde: “É muito maior do que eu imaginava. Não dava para saber o que viria pela frente até essa nenê nascer e eu olhar para ela.” Ela reconhece, com sensibilidade e delicadeza, que isso não é algo universal, que há mães que não sentem esse arrebatamento imediato e que falar sobre isso de forma leviana seria irresponsável. Mas, no seu caso, foi avassalador. “Quando você ama o seu parceiro, que é o meu caso, acha que já sentiu o amor mais maravilhoso da vida, e aí vem um bebê que é fruto de vocês dois e parece que o amor triplica.”
Klebber Toledo, com quem é casada desde 2018 – os dois se conheceram durante as gravações de Êta Mundo Bom! –, revelou-se exatamente o pai que Camila esperava que fosse. Nas madrugadas, ele troca a fralda e esteriliza o equipamento para tirar o leite enquanto ela amamenta. Durante o ensaio fotográfico para esta capa, ficou o tempo todo com Clara no colo, fazendo graça para que a filha sorrisse nas fotos com a mãe. “Casei com esse homem, quis ter filho com esse homem, porque eu já sabia quem ele era. E é tão importante escolher a pessoa que vai dividir essa tarefa com você, porque não é fácil.” E faz questão de sublinhar: o que o Klebber faz não é ajuda, é paternidade. “É o papel de pai.” Mas também é honesta ao reconhecer que essa presença ainda não é a regra, que o peso recai de forma desigual sobre as mulheres e que falar sobre divisão de tarefas do lugar de quem tem um parceiro presente e uma rede de apoio é a exceção da regra.
Por ser uma figura pública, mulher, modelo e atriz, Camila sabe o que é passar a vida sendo avaliada pelo corpo – mesmo que o padrão sempre tenha sido o dela. Quando a conversa chega ao pós-parto, ela escolhe as palavras com cuidado e enfatiza que não quer que sua experiência vire parâmetro para ninguém. “Estou falando do alto do meu privilégio de uma modelo que sempre foi magra, algo que vem da minha genética.” O que ela afirma com convicção é que o corpo precisa de tempo. “Demoramos dez meses para formar um bebê. Por que temos que voltar ao que éramos antes em dois meses?”
Do interior para o mundo
Para entender Camila Queiroz, é preciso voltar ao Jardim Palmeiras I, bairro de Ribeirão Preto onde ela cresceu. Filha do meio entre três irmãs – Melina, a mais velha, e Caroline, a mais nova –, nasceu em uma família com condições financeiras limitadas. O pai era marceneiro; a mãe, manicure, mas também um furacão. “Ela ilumina qualquer lugar onde chega, é a maior inimiga do fim”, diz.
Foi essa mulher quem ensinou as três filhas a fazerem tudo sozinhas – lavar, passar, limpar, cozinhar – para que nunca dependessem de ninguém. Quando Camila disse que queria ser atriz aos 12 anos, ela não a desencorajou. Pelo contrário: a levou para programas regionais, para que pudesse dublar apresentadores, cantar, aparecer, de alguma forma, dentro da realidade que tinham. “Minhas vitórias não são só minhas. Eu estou aqui por causa deles. No início da minha carreira como modelo tinha uma vaquinha na família para eu poder viajar, comer, me manter em São Paulo. Então eu retribuo de todas as formas que posso, porque não me interessa subir sozinha. Quero que os meus venham comigo.”
Os próximos passos
“Hoje eu só sou a mãe da Clara. Ainda estou voltando a ser a Camila”, diz. Esse reencontro tem acontecido aos poucos e teve um momento específico que a marcou: na primeira vez que precisou se arrumar para um trabalho depois do parto, olhou para o espelho com a maquiagem feita e ficou parada por um segundo. “Você está aí, né? Você existe”, pensou.
A carreira também está sendo retomada sem pressa. Ela está gravando a sexta temporada de Casamento às Cegas. Até o final do ano também começa a gravar a segunda de Beleza Fatal. Há ainda convites para fazer outros projetos que a empolgam, mas, agora, analisa tudo com uma régua que antes não existia: como isso se encaixa em sua nova vida? “Eu amo trabalhar. Isso me mantém viva, é um combustível absurdo para mim.” O Klebber, ela conta, dizia que sua maior preocupação era como seria para ela ficar tanto tempo longe dos sets. Mas as baterias criativas estão carregando e há coisas novas que ela quer testar: todas as camadas que a maternidade inaugurou, a potência que descobriu, a força que não sabia que tinha. “A maternidade me trouxe muita sede de trabalhar. Estou curiosa para ver como vai ser usar isso agora, em cena.”
Quando perguntada o que responderia a Clara se a filha perguntasse quem era a mãe antes de ser mãe, Camila responde como quem ainda está descobrindo a resposta: “Acho que era uma pessoa que se preparava para conhecê-la, para reencontrá-la, porque sempre foi a Clara.” É o que a vida pede da gente, como disse Guimarães Rosa: coragem. Para sair de uma cidade pequena com uma mala e um sonho financiado por uma vaquinha. Para morar fora do Brasil, distante da família. Para voltar e se recriar. Para se formar atriz, encarar as câmeras, virar apresentadora, lidar com a fama. Para amar, casar, parir, olhar para o seu bebê e entender que tudo, absolutamente tudo o que veio antes era prólogo. Para existir no tempo presente e ter a certeza de que é isso o que importa.
Styling Pedro Sales (MLages)
Beleza Silvio Giorgio (Capa Mgt)
Direção de arte Pedro Flutt
Produção executiva Vandeca Zimmermann









