Da carreira ao estilo, a curadora Carollina Lauriano toma direções dissidentes
Entre arte, moda e pensamento crítico, Carollina Lauriano constrói uma prática curatorial guiada por repertório, inconformismo e expressão pessoal
A trajetória de Carollina Lauriano percorre comunicação, moda e arte com a mesma intenção: deslocar estruturas já estabelecidas. Formada em Jornalismo, ela atua como curadora de arte com forte presença digital. Após anos trabalhando com publicidade e relações públicas no universo da moda, começou a questionar sua posição em um mercado guiado pela lógica do consumo. Foi nesse momento, em 2016, que a arte se apresentou como um campo profissional possível, onde poderia articular narrativa, sensibilidade e transformação social.
Hoje, ela se divide entre pesquisa, curadoria e iniciativas ligadas à arte-educação e aos direitos humanos. Atualmente, desenvolve um projeto junto ao Conselho Nacional de Justiça voltado a internos e egressos do sistema penitenciário, como forma de mostrar o papel da arte nos processos de subjetividade, autoestima e bem-estar social. Já com a ASP, organização sem fins lucrativos, está estruturando um novo ciclo curatorial no Capão Redondo para propor uma discussão sobre território e pertencimento com a comunidade.
Desde 2017, ela atua de forma independente no sistema da arte, com atenção especial à produção artística de mulheres e corpos dissidentes. A partir da própria experiência como mulher negra em um meio historicamente elitizado, consolidou uma pesquisa voltada à criação de espaços de interlocução, profissionalização e circulação de artistas pouco reconhecidas. “A curadoria, para mim, nunca foi só sobre expor obras, mas sobre criar contexto, construir outras leituras e aproximar as pessoas. Eu me interesso menos pelo objeto isolado e mais pelo que ele é capaz de causar nas pessoas”, diz. A forma como encara a moda segue o mesmo tom experimental.
Para compor uma silhueta que alterna imponência e beleza, ela brinca com cores, volumes e proporções – dos blazers oversized aos volumes balonê. Nesse movimento, desmonta a ideia de luxo como código fixo de distinção e reafirma a roupa como objeto em circulação, parte do cotidiano. O que a move é a chance de abrir passagem para outras narrativas, outros corpos e outras leituras. Assim, sua prática se expande como uma forma de disputa – e também de imaginação.









