Pela primeira vez, Copa terá jogo com arbitragem 100% feminina; conheça o trio
A brasileira Neuza Back, a francesa Stéphanie Frappart e a mexicana Karen Diaz Medina formam o trio de arbitragem que fará história na Copa do Mundo no Catar
Por Redação Marie Claire — Da Redação
Na próxima quinta (1), as mulheres farão história na Copa do Mundo. Pela primeira vez um jogo do Mundial será comandado por uma equipe de arbitragem completamente feminina. O momento acontecerá durante o embate entre Alemanha e Costa Rica pela terceira rodada do grupo E.
A brasileira Neuza Inês Back será uma das auxiliares da partida. A equipe conta ainda com a francesa Stéphanie Frappart, primeira mulher a apitar um jogo em Copas do Mundo, e a auxiliar mexicana Karen Diaz Medina. A Copa do Mundo no Catar é a primeira onde árbitras e assistentes mulheres estão entrando em cena. Além das três, também estão no torneio Kathryn Nesbitt, dos Estados Unidos, Salima Mukansanga, de Ruanda, e Yoshimi Yamashita, do Japão.
Neuza Inês Back
De Santa Catarina, Neuza Back é graduada em Educação Física e é considerada uma das principais assistentes de arbitragem do Brasil. A carreira como árbitra começou em 2005, quando ainda cursava a faculdade. Nessa época, Neuza apitava partidas amadoras, comandadas pela Liga Maravilhense de Desportos, filiada à Federação Catarinense de Futebol.
A estreia no futebol profissional veio três anos depois, em 2008, em jogos do Campeonato Catarinense. Ao todo, Neuza soma mais de 100 partidas apitadas no Campeonato Brasileiro da Série A, além de já ter atuado na Copa do Brasil e Copa Libertadores.
Aos 38 anos, Neuza esteve presente no Mundial de Clubes, que aconteceu no Catar em 2021, e nos Jogos Olímpicos de Tóquio. A assistente de arbitragem pertence ao quadro de árbitros da FPF, CBF, CONMEBOL e FIFA.
Stéphanie Frappart
Stéphanie Frappart fez história e abriu caminhos na França. A árbitra de 38 anos, que atua em partidas de alto nível desde 2011, se tornou a primeira mulher a apitar uma grande partida europeia masculina e uma partida da Ligue 1 francesa, ambas em 2019, além de ser a primeira mulher a apitar uma partida da Liga dos Campeões da UEFA em 2020.
Antes de ser convocada para a Copa do Mundo no Catar, Stéphanie foi também a primeira mulher a comandar uma partida masculina de qualificação para o Mundial. A árbitra marcou presença na Copa do Mundo Feminina da FIFA de 2015, no Canadá, e na Copa do Mundo Feminina de 2019, que aconteceu na França. No torneio, ela foi nomeada para arbitrar a final, disputada em julho de 2019 entre os Estados Unidos e a Holanda.
De acordo com o site The Athetic, a paixão por futebol foi herança do pai, jogador amador do time local da cidade de Herblay-su-Seine, onde a família vivia. Stéphanie, que acompanhava o pai nos jogos ao final de semana, acabou se matriculando um curso para aprender as regras do jogo. Aos 13, ela começou a apitar jogos infantis e cinco anos depois, aos 18, arbitrou o campeonato nacional Sub-19.
Em entrevista ao portal, ela chegou a falar sobre fazer parte do time de arbitragem na Copa do Catar. "Eu irei lá pela competição. Não iria lá pelo ambiente. Mas talvez esta Copa do Mundo melhore os direitos das mulheres no país. Não posso dizer que não estou olhando para o que aconteceu, mas espero que esta Copa do Mundo seja um passo na direção certa", comentou.
Karen Díaz Medina
Karen Díaz Medina nasceu na cidade de Aguascalientes, no México, e é formada em Engenheira Agroindustrial, mas se encontrou no esporte. Apaixonada por futebol, ela começou a carreira aos 12, e tudo fluiu de maneira inusitada.
Em entrevista a CONCACAF, ela revelou: "Um dia, enquanto trabalhava no café de um centro de esportes, o árbitro designado não apareceu para o jogo. O administrador da liga me perguntou se eu queria arbitrar a partida e eu disse que sim. Gostei da experiência. Fui paga para fazer algo que estava gostando muito. A partir desse momento, eles me designaram mais jogos todas as semanas".
Karen, de 38 anos, foi árbitra de torneios como os Jogos Centroamericanos de Barranquilla 2018, Pré Mundial Sub-20 da Concacaf em 2018 e o Pré Mundial Sub-17 da Concacaf em 2019. Em 2018, ela foi promovida a árbitra FIFA.
Questionada sobre como é o ato de inspirar meninas e mulheres a seguir nessa profissão, ela disse: "Tenho plena certeza que o melhor caminho é continuar trabalhando duro, dia a dia, para conquistar seus sonhos e mostrar a eles que sonhos se tornam realidade se você trabalhar duro e amar o que faz".
"Dê-se o máximo em cada jogo, em cada treino, em cada aula. Além disso, estar aberto a críticas e conselhos de quem está ao seu redor e nunca se comparar com ninguém, cada mulher é única, cada árbitra tem características únicas que a tornam especial. Confie que seu caminho sempre será diferente dos outros porque há momentos que você terá que vivenciar para aprender com eles".









