Sexo
Por
Julia Fontes
, colaboração para Marie Claire — São Paulo (SP)


Nossa narradora conta de sua primeira noite de sexo com uma mulher — Foto: Getty Images
Nossa narradora conta de sua primeira noite de sexo com uma mulher — Foto: Getty Images

Você está prestes a ler um conto erótico. Ele é parte de uma série de histórias em que mulheres são protagonistas de seus desejos. Leia com gosto.

Sempre desconfiei que eu tivesse inveja da Bia. Em todas as vezes que nos esbarramos no trabalho, ela parecia mais competente, mais pontual, mais bem vestida e francamente mais gostosa do que eu jamais chegaria a ser. Eu nutria uma implicância gratuita por ela até a noite de confraternização da nossa empresa, quando ela me salvou de um papo chato e da minha teimosia de só sentir tesão por homens.

Já passava das onze da noite quando eu planejava sair à francesa do bar onde meus colegas se esforçavam para agradar a chefia. Eu já estava com o celular pronto para chamar um carro quando um deles, o mais prolixo, resolveu começar uma história sem fim sobre um cliente. A Bia, que parecia já meio alta e tão entediada quanto eu, cruzou olhar comigo, deu uma risadinha de cumplicidade e cortou nosso assunto bruscamente: “Gente, desculpa, mas preciso da ajuda da Luana pra me ajudar com uma alça que enroscou aqui no casaco. Luana, você me ajuda?”.

Segui a Bia disfarçando o riso satisfeito. No banheiro, fui pega de surpresa por ela de novo. “O Vitor é boa pessoa, mas muito mala. Te salvei?”. Brindei com o restinho de negroni no copo: “Não só me salvou como ganhou um vale-carona se também quiser escapar daqui agora. Já chamei o táxi. Quer?”. Bia pegou a bolsa dela e me conduziu até a porta pela cintura, me deixando desconcertada de novo, mas de um jeito bom.

Já no carro, quando pedi o endereço dela, Bia perguntou se eu não tomaria uma saideira… mesmo que fosse na minha casa. Ela explicou apressadamente que estava de bode do namorado – e queria chegar depois que ele estivesse dormindo. Fui esticando a situação até ver a Bia sentada no tapete de casa, com um tinto aberto. Eu estava cheia de curiosidade por aquela mulher, pelo que ela dizia e por aquele toque gostoso na minha cintura.

Depois de matar uma garrafa com a Bia, levantamos para recolher as taças e os pratos juntas. Na cozinha, quando fui tatear o interruptor, achei a mão dela na parede. “Se você não quiser, eu também não quero acender a luz”, foram as últimas palavras que ouvi antes de mergulhar num beijo selvagem e molhado com a minha ex arquirrival de firma. A gente largou a louça de qualquer jeito na mesa e se escorou na pia para uma festinha feliz de chupões, dedadas e puxadas de cabelo que nos levaram naturalmente pra minha cama.

Transar com uma mulher é descobrir que cabem mais orgasmos numa noite do que caberiam em anos de relacionamento morno com um cara. A Bia sabia totalmente como me tocar, o que dizer, o que calar e como sinalizar, usando só o corpo, a coreografia inesquecível da tesoura, que deixou nossos clitóris alinhados e felizes por pelo menos duas horas. Colocar um mamilo de mulher delicadamente na boca também é uma experiência da qual não pretendo abrir mão tão cedo.

Quando já estávamos exaustas de tanto canalizar um tesão que, agora, parecia óbvio, ela me puxou pro corpo dela e perguntou se podia ficar pra dormir. Respirei aliviada, porque não queria perder a Bia pro namorado dela naquela noite.

De manhã, emprestei uma blusa pra ela ir comigo pro escritório. Dessa vez, foi ela quem chamou nosso carro. O sorrisinho cúmplice a cada vez que eu via Bia vestida de mim foi o primeiro, mas não o último segredinho que dividimos durante três meses, quando ela foi transferida para a filial de Berlim. O sexo pelo celular ainda é gostoso com ela, mas a vontade de acordar aninhada em outros seios e peles macias segue rondando minha imaginação nas situações mais improváveis -- especialmente em eventos de trabalho.

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