Retratos

Por Raphaela Cunha

Monica Benini é fiel aos seus sentimentos. Adepta aos slow living - estilo de vida que incentiva uma abordagem mais lenta dos aspectos da vida cotidiana -, a designer de joias e artista plástica prioriza o bem-estar e está na contramão do imediatismo.

Ela conta em entrevista à Marie Claire que abriu mão desse life style mais acelerado para evitar futuros burnouts e o estresse da vida moderna. 'Não é que eu seja uma pessoa que vive num ritmo super desacelerado, porque quando falamos em slow living acho que é isso que pode parecer', observa. 'Entendi que os ‘nãos’ que falo são, muitas vezes, mais importantes do que o sim e aprendi a importância de valorizar os rituais cotidianos e uma cadência coerente com o que acredito para minha vida'.

Casada com o músico Júnior Lima e mãe de dois filhos, Otto, de 5 anos, e Lara, de 1 ano e 6 meses, ela acredita que essa maneira de viver, inclusive reflete na maternidade. Monica diz que durante os anos, foi muito romantizada e acredita ser importante usar sua visibilidade também para desmistificá-la. 'A maternidade já foi muito romantizada, mas percebo que pendemos para um outro lado. Muito se ouviu falar sobre maternidade real nos últimos tempos e sempre que ouvia esse termo na internet via situações com algum tipo de sofrimento, como se a maternidade só se tratasse disso. Sem perceber acabamos deslegitimizando muita coisa que acontece em muitas casas', ressalta.

Leia mais do papo com Monica Benini abaixo.

Monica Benini durante momento de descontração no Beach Park de Fortaleza — Foto: Tezza
Monica Benini durante momento de descontração no Beach Park de Fortaleza — Foto: Tezza

MARIA CLAIRE - Vivemos em um momento de superexposição em redes sociais e você faz o caminho contrário. Por que optou por este estilo de vida?

MONICA BENINI - Por ser sincera com o que sinto e com o que me deixa confortável. Prezo muito por quem me acompanha e só acredito numa presença digital a longo prazo com verdade e a verdade se faz quando sou fiel a meus limites.

MC - Você é casada com o Júnior Lima, uma pessoa pública. Como você lida com o assédio dos fãs? Isso reflete na sua vida de alguma forma?

MB - Eu cheguei na vida dele quando ele já era uma pessoa com mais de 20 anos de uma profissão muito bem sucedida, admirável. E que como consequência tinha uma infinidade de fãs. Sempre enxerguei isso com muita naturalidade e tive a sorte de receber muito carinho da grande maioria dos fãs. Tenho com eles uma relação muito saudável.

MC - Em alguns de seus posts nas redes sociais, você falou da não romantização da maternidade. Qual a importância de discutir sobre isso? A maternidade ainda é muito romantizada?

MB - Acho que a maternidade já foi muito romantizada, mas percebo que pendemos para um outro lado. Muito se ouviu falar sobre maternidade real nos últimos tempos e sempre que ouvia esse termo na internet via situações com algum tipo de sofrimento, como se a maternidade só se tratasse disso, ou então como se só existisse um tipo de maternidade real. Sem perceber acabamos deslegitimizando muita coisa que acontece em muitas casas. Tenho a sensação que exageramos para o outro lado, sabe? Mas sinto que caminhamos para um meio termo, onde reconhecemos e nos permitimos sentir as dores, mas valorizamos o que tem de maravilhoso, que cá entre nós, é muita coisa.

MC - Como isso influencia na criação dos seus filhos?

MB - A relação que tenho com meus filhos é de muito amor, verdade e cuidado. Eu não tento parecer para eles a mãe perfeita, imaculada. Reconheço meus erros, converso e peço desculpas quando sinto que é necessário.

Monica Benini  com os filhos Otto e Lara em praia de Fortaleza — Foto: Tezza
Monica Benini com os filhos Otto e Lara em praia de Fortaleza — Foto: Tezza

MC - Você é adepta do slow living. Quando percebeu que era o momento de desacelerar?

MB - Veja bem, eu cresci e morei até meus 22 anos de idade numa cidade muito pequena. Onde, mesmo que viva atarefado na maior parte do tempo, o ritmo é outro. Acho que isso e outras experiências que vivi na minha vida me transformaram em quem sou. E não é que eu seja uma pessoa que vive num ritmo super desacelerado, porque quando falamos em slow living acho que é isso que pode parecer. Sou ativa e agitada, por sinal. Mas entendi que preciso ter ferramentas que me blindem dessa onda de burnouts que vivemos, entendi que os ‘nãos’ que falo são, muitas vezes, mais importantes do que o sim e aprendi a importância de valorizar os rituais cotidianos e uma cadência coerente com o que acredito pra minha vida.

MC - Como surgiu o vegetarianismo na sua vida e como você influenciou sua família para este caminho?

MB - Sou vegetariana há bastante tempo. Flertava com o vegetarianismo desde bem cedo, mas sou gaúcha e lá tudo se resume a carne, rs. O ponto de virada se deu quando assisti a um documentário que mostrava a matança dos golfinhos no Japão (eu era louca por comida japonesa e isso, de certa forma, fez um link na minha cabeça). As imagens me reviraram e depois desse dia nunca mais comi nenhum tipo de carne. Aos poucos fui adquirindo conhecimento sobre meio ambiente e aí não tive mais dúvidas de que havia tomado a melhor decisão. Se influenciei minha família para o vegetarianismo, foi pelo exemplo. Nunca fui a vegetariana que recrimina quem não é vegetariano, sou mais da ideia de mostrar como o vegetarianismo é muito mais possível do que se imagina.

MC - Este estilo de vida mais consciente também reflete na sua maneira de se vestir. Qual a sua relação com a moda?

MB - Eu amo moda, amo mesmo. Mas aprendi ao longo dos anos a consumir moda de forma muito mais consciente. Reflito muito antes de comprar, não consumo por impulso. Entendo se aquela peça realmente é necessária no meu guarda roupa e faço o exercício de pensar em inúmeras variações em que poderei usá-la. Consumo prioritariamente vintage e de second hand. E não faço a menor questão de quantidade ou de estar alinhada com todas as tendências. Muito pelo contrário.

MC - Você fala muito sobre feminismo. Como ele se aplica na sua vida?

MB - Na verdade, acho que mais do que falar, eu aplico. Boto em prática, exercito. Entendo o que pode ser reparado, reajustado, evoluído. Internamente, nas minhas relações interpessoais, na forma como enxergo, trato e falo das outras mulheres.

Monica Benini em visita ao Beach Park de Fortaleza — Foto: Tezza
Monica Benini em visita ao Beach Park de Fortaleza — Foto: Tezza
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