Saúde

Por Colaboração para Marie Claire

A gonorreia é uma IST (infecção sexualmente transmissível) causada pela bactéria neisseria gonorrhoeae, que pode atingir os órgãos genitais, o reto e a garganta.

A infecção é atualmente a segunda de natureza bacteriana e sexualmente transmissível mais comum no mundo. A OMS estima que haja 82,4 milhões de novos casos de gonorréia entre adultos e adolescentes (de 15 a 49 anos) a cada ano, sendo que as regiões mais afetadas são África, Américas e Pacífico Ocidental.

Se não for tratado, o paciente pode enfrentar problemas sérios de saúde, como doença inflamatória pélvica, infertilidade e aumento do risco de infecção pelo HIV.

O problema é que o tratamento, antes feito com antibióticos comuns, como azitromicina e ceftriaxona, já não é mais considerado eficaz em todos os casos de gonorreia. Vários países, incluindo Austrália, França, Japão, Noruega, Suécia e Reino Unido já estão relatando casos de resistência aos antibióticos.

Essa versão mais resistente da doença tem ficado conhecida como supergonorreia.

“Estima-se que cerca de 500 mil casos da infecção por gonorreia comum ocorram anualmente por aqui. Ainda não há registro dessa cepa no Brasil, mas vivemos num mundo com ampla circulação de pessoas por vários países, o que pode facilitar a entrada da bactéria em diferentes territórios”, afirna Dyemison Pinheiro, infectologista especialista pelo Instituto Emílio Ribas.

Os sintomas, explica o médico, incluem corrimento uretral, ardor ao urinar (disúria) e outros sinais genitais. Em alguns casos, no entanto, a infecção não causa qualquer alteração no corpo.

Por que a bactéria da gonorreia se tornou resistente a antibióticos comuns?

Uma das principais razões para a resistência aos antibióticos é o uso excessivo e indevido dessa classe de medicamentos.

Quando usados com muita frequência ou de forma inadequada [não cumprindo corretamente o ciclo indicado pelo médico, por exemplo], as bactérias podem desenvolver mecanismos de resistência para se protegerem da ação das drogas.

Outra razão para a resistência é a capacidade natural de mutação das bactérias para evoluir e se adaptar, uma característica comum da neisseria gonorrhoeae, conhecida por sua capacidade de se adaptar a novos ambientes.

A disseminação global de cepas resistentes também contribuiu para o problema. À medida que as pessoas viajam e têm contato sexual com parceiros de outras regiões, elas podem espalhar cepas resistentes da bactéria, dificultando o controle da propagação do quadro.

“Os dados disponíveis mostram apenas a ponta do iceberg. Sem vigilância adequada, não saberemos a extensão da resistência e, sem a pesquisa de novos agentes antimicrobianos, em breve não haverá tratamento eficaz para os pacientes”, afirmou Manjula Lusti-Narasimhan, do Departamento de Saúde Reprodutiva e Pesquisa da OMS (Organização Mundial da Saúde), em comunicado oficial.

O infectologista Dyemison Pinheiro explica que as opções para tratamento tendem a ser mais caras nos casos de resistência e, muitas vezes, também são necessárias repetidas idas ao serviço de saúde para completar a cura, ou até a internação hospitalar.

Pacientes diagnosticados com gonorreia devem estar atentos aos sinais do corpo após o início do tratamento.

“Poucos dias após o uso de medicamentos já se espera uma remissão importante das queixas. Caso isso não ocorra, ou se houver uma melhora parcial seguida de uma nova piora nos sintomas, você deve procurar um médico para avaliar os diagnósticos diferenciais, que inclui a possibilidade de resistência antimicrobiana”, afirma Pinheiro.

Como evitar a infecção?

A gonorreia –e, por consequência, sua versão resistente a antibióticos– pode ser evitada por meio de relações sexuais seguras, incluindo o uso correto e consistente de preservations. A detecção precoce e o tratamento imediato, inclusive dos parceiros sexuais, são essenciais para controlar as infecções sexualmente transmissíveis.

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