Escoliose: influenciadora mostra sua rotina de tratamento e inspira jovens
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), em 80% dos casos, a causa da escoliose é idiopática, ou seja, de origem não conhecida
Por Redação Marie Claire — São Paulo
Aos 13 anos, Natália Medeiros descobriu que sofria de escoliose, uma curvatura anormal da coluna para um dos lados do tronco.
Moradora da cidade de Indaiatuba, no interior de São Paulo, ela era atleta de natação e dedicava horas da semana aos treinos. Sentia dores nas costas, e hoje, olhando em retrospecto, diz não saber ao certo se eram causadas pela escoliose ou pelo esforço físico.
A alta frequência de treinos a levou a buscar o pilates, uma modalidade considerada excelente para o fortalecimento muscular.
"Foi a minha professora de pilates que identificou a escoliose. Eu sempre fui bem magrinha, ainda sou, então foi muito fácil de detectar. Apesar de ser evidente, acho que era mais difícil para mim ou meus pais notarem, já que me viam diariamente. Não fomos capazes de determinar que tinha algo errado", diz.
Natália passou dois anos fazendo pilates, mas conta não ter visto melhora específica para a curvatura da coluna. "Me indicaram então tratamentos alternativos e eu fui. Tentei quiropraxia e massoterapia, também sem resultados para a escoliose", conta.
De acordo com o ortopedista Thiago Soares dos Santos, presidente do Comitê de Coluna Vertebral da SBOT-RS (Sociedade de Ortopedia e Traumatologia - Regional do Rio Grande do Sul), não há nada científico que mostre que tratamentos como os testados por Natália diminuam ou estabilizem a curva da coluna. Apesar disso, o médico explica que ajudam muito no reforço muscular, alongamento, e a melhorar o equilíbrio e a função da coluna, e por isso, podem ser recomendados como terapias complementares.
Aos 15 anos, Natália conheceu a Escoliose Brasil, uma rede de tratamento com especialistas voltados somente para o quadro.
Como o nome "idiopática" sugere, nesses casos, não se sabe exatamente por que a escoliose apareceu. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), 80% dos casos de escoliose no mundo, assim como o de Natália, não tem sua origem conhecida.
Levando conteúdo sobre escoliose para as redes
A pandemia da covid-19 já tinha começado quando Natália iniciou seu tratamento. Longe da escola, assistindo às aulas somente de forma online, ela conta que ninguém além da família sabia do diagnóstico e da sua recém-descoberta necessidade de usar um colete para ajudar a corrigir a curvatura da coluna.
"Nesse momento eu estava no segundo ano do ensino médio, e eu acabei passando por esse processo de adaptação sem a presença dos colegas. Um dia resolvi gravar um vídeo para dividir com todo mundo o que eu estava passando, de forma leve. Foi algo bem natural, era uma dancinha, e quando percebi, tinha viralizado."
A partir daí, a jovem que antes não se considerava muito ligada às redes sociais, se viu recebendo dúvidas e o apoio de várias pessoas na internet. "Recebi relatos de pessoas dizendo que eu as estava ajudando e muitas compartilharam as histórias delas comigo", conta ela, que hoje tem 18 anos e cria conteúdo para 48 mil pessoas no Instagram.
Levar conscientização sobre a escoliose para milhares de pessoas, na avaliação de Natália, tem tudo a ver com o propósito que ela, hoje vestibulanda de medicina, escolheu para sua vida. "Sempre foi o meu objetivo ajudar o próximo, então foi uma maneira de materializar isso, mesmo antes de me tornar médica, fazendo o que eu podia, dentro do possível, para ajudar pessoas com o mesmo quadro."
Diagnóstico da escoliose: como descobrir o quadro
Assim como aconteceu com Natália, na infância, a escoliose é geralmente percebida primeiramente pelos pais ou por alguém que se relaciona com essa criança, como outro familiar ou um professor de educação física.
"Depois disso, se busca um médico, que deve pedir um raio-x panorâmico da coluna, com o qual se avalia as curvaturas vendo essa pessoa de costas e de lado. A partir daí, é possível mensurar as curvas e avaliar se existe alguma alteração em formato de vértebra e coisas que possam estar relacionadas ao desenvolvimento da escoliose. Na maioria das vezes não há sintoma, não há dor, não há perda funcional, o paciente simplesmente percebe um desvio da coluna", esclarece o ortopedista Thiago Soares dos Santos.
Hábitos ruins podem piorar a escoliose?
Em relação aos quadros idiopáticos, que são maioria, o surgimento da escoliose não está relacionado a nenhum tipo de hábito. Mas, quando alguém já tem escoliose, alguns maus hábitos podem, de fato, colaborar para uma piora.
Qual é o tratamento ideal da escoliose?
O especialista aponta que o tratamento depende da causa da escoliose, do tamanho da curva e da possibilidade de crescimento de cada paciente, quando se trata de crianças ou adolescentes.
Exercícios físicos feitos em fisioterapia e RPG (reeducação postural global), podem ser tratamentos auxiliares, como citado anteriormente.
“Usamos o colete para prevenir o agravamento da curva quando a pessoa ainda está crescendo. A maioria dos pacientes tem uma evolução benigna e não precisa de cirurgia”, diz.









