Saúde

Por Colaboração Para Marie Claire — São Paulo

Embora o consumo de álcool seja parte da cultura brasileira e esteja presente - em maior ou menor quantidade - na vida da maioria das pessoas, é importante reconhecer que também apresenta sérios riscos à saúde.

Beber álcool regularmente pode levar a uma série de problemas de saúde, desde danos ao fígado a doenças cardíacas, e pode até aumentar o risco de certos tipos de câncer.

Apesar disso, existem muitos mitos e equívocos sobre o consumo de álcool que persistem na cultura popular. Algumas pessoas acreditam que beber moderadamente pode ser benéfico para a saúde ou que certos tipos de álcool são mais saudáveis ​​do que outros. Confira abaixo explicações que desmentem alguns dos principais mitos sobre a ingestão de bebidas alcoólicas.

1. Beber novamente cura a ressaca

Os europeus medievais acreditavam que às vezes a causa do que te aflige também pode ser a sua cura, mas segundo a biomédica e pesquisadora do CISA (Centro de Informações sobre Saúde e Álcool), Marília Reis, no caso do álcool, não vai funcionar.

'Ao contrário, vai continuar exigindo que seu corpo trabalhe para processar e eliminar todo o álcool ingerido. Não abusar do consumo, intercalar bebida alcoólica e sem álcool, além de se alimentar antes e durante a ingestão alcoólica, são medidas para aliviar os sintomas de uma ressaca', orienta.

2. Beber cerveja é menos prejudicial à saúde do que outras bebidas alcoólicas

Embora pareça um hábito menos nocivo, tomar cerveja não é menos prejudicial à saúde do que consumir outras bebidas alcoólicas. Os efeitos, na verdade, dependem da quantidade de álcool ingerida.

'A cerveja tem um teor alcoólico menor que o vinho, por exemplo, mas isso não significa que seja completamente seguro. Além da quantidade de álcool consumida, o padrão de consumo também é importante', explica Ana Cláudia Pinto, doutora em medicina pela UNIFESP e CMO da Saúde Digital do Grupo Fleury.

Segundo a American Heart Association, o consumo máximo recomendado de álcool para as mulheres é de até uma dose de bebida alcoólica por dia, o que equivale a cerca de 148 ml de vinho ou 355 ml de cerveja com teor alcoólico de 4,5%. Para os homens, é recomendado o consumo de até duas doses de bebida alcoólica por dia, o que equivale a cerca de 296 ml de vinho ou 710 ml de cerveja com teor alcoólico de 4,5%.

'É importante lembrar que essas são recomendações gerais e que o consumo máximo de álcool pode variar de acordo com a saúde individual e outras circunstâncias. O consumo excessivo de álcool aumenta o risco de dependência, pressão alta e doenças do coração. Além disso, algumas pessoas podem ser aconselhadas a evitar completamente o consumo de álcool por motivos de saúde', aponta a médica.

3. Beber álcool ajuda a dormir melhor

Embora possa oferecer uma falsa sensação de relaxamento, a ingestão alcoólica não é uma estratégia para aliviar o estresse ou para acelerar o adormecimento.

'Diversos estudos já mostraram que beber antes de dormir pode prejudicar a qualidade do sono, o que compromete o bem-estar físico e mental. Além disso, esse efeito relaxante é transitório e a pessoa passa a beber cada vez mais para ter os mesmos resultados, o que pode levar ao consumo abusivo e até à dependência', explica Olivia Pozzolo, psiquiatra e pesquisadora do CISA.

'Beber café ou tomar uma ducha fria pode ajudar a reduzir os efeitos do álcool': Essas técnicas não têm efeito sobre a eliminação do álcool do organismo e podem levar a uma falsa sensação de segurança. O único fator que ajuda na eliminação do álcool é o tempo.

4. Comer antes ou durante o consumo de bebida alcoólica evita a embriaguez

Embora a comida possa ajudar a reduzir a absorção do álcool, ela não pode evitar completamente a embriaguez. Além disso, o consumo excessivo de álcool pode levar a problemas graves de saúde, independentemente de se estar ou não bêbado.

5. Beber café ou tomar uma ducha fria pode ajudar a reduzir os efeitos do álcool

'Não há evidências científicas que comprovem que beber café ou tomar uma ducha fria possa reduzir os efeitos do álcool. Algumas pessoas acreditam que o café pode ajudar a diminuir a sonolência e o cansaço causados pelo álcool, mas isso não é verdade', esclarece Ana Cláudia Pinto. A médica acrescenta que o café não elimina o álcool do organismo e não ameniza o seu efeito.

'Tomar uma ducha fria também não tem nenhum efeito sobre o álcool presente no organismo. A única maneira de diminuir os efeitos do álcool é dar tempo ao seu corpo para metabolizá-lo.'

6. Tomar cerveja preta aumenta a produção de leite materno

'A cerveja preta é uma bebida alcoólica e o álcool não aumenta a produção do leite materno, mas pode reduzi-lo', afirma a pediatra neonatal Conceição Segre, conselheira científica do CISA.

Segundo Segre, o álcool inibe o hormônio chamado 'prolactina', que é responsável pela produção do leite, encurtando, portanto, a duração da amamentação. Além disso, ele também pode alterar o cheiro e o sabor do leite, podendo ser recusado pela criança. O álcool também pode prejudicar o sono e o desenvolvimento geral do lactente, por isso, a recomendação é que seja evitado.

7. O consumo excessivo de álcool só afeta pessoas que bebem todos os dias

O consumo excessivo de álcool pode afetar a saúde de qualquer pessoa, independentemente do padrão de consumo. Beber em excesso pode levar a uma variedade de problemas de saúde, incluindo doenças hepáticas, problemas cardíacos, câncer e dependência de álcool.

'Beber com frequência ou em grandes quantidades de uma só vez aumenta o risco de desenvolver esses problemas, mas mesmo um único episódio de consumo excessivo de álcool pode ter consequências graves, como acidentes de carro e envenenamento por álcool', adverte a médica do Grupo Fleury.

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