Saúde

Por Marcella Centofanti, Colaboração Para Marie Claire — São Paulo

Existem diversos métodos disponíveis para quem quer evitar uma gravidez. Dentre os mais comuns estão os medicamentos hormonais à base de estrogênio e progestágeno (um derivado da progesterona) ou somente o segundo. Trata-se de uma maneira segura e confiável de controle de natalidade para a maioria das pessoas.

Os métodos hormonais incluem pílula, implante, dispositivo intrauterino (DIU), injeção, anel vaginal e adesivo de pele.

Embora sejam usados ​​de maneiras diferentes, eles basicamente suprimem a liberação do hormônio folículo-estimulante (FSH) e do hormônio luteinizante (LH), fabricados pelo sistema nervoso central e responsáveis por controlar a ovulação. Quando o FSH e o LH são suprimidos, a pessoa deixa de ovular — sem óvulo, não haverá concepção.

O hormônio também causa espessamento do muco no colo do útero, dificultando a viagem do esperma rumo ao óvulo.

Os anticoncepcionais hormonais previnem a gravidez de forma confiável. No entanto, eles podem ter efeitos colaterais, como dores de cabeça e sangramento fora do período menstrual — o famoso escape.

Qual é a eficácia dos anticoncepcionais hormonais?

A eficácia de uma estratégia contraceptiva pode ser medida pelo Índice de Pearl. Essa metodologia calcula o número de pessoas que, dentro de um grupo de 100 indivíduos, engravidaram usando um método durante um ano.

A metodologia compara ainda o uso correto, aquele que segue a prescrição de bula, e o uso habitual.

“Na vida real, às vezes a pessoa se esquece de tomar a pílula um dia. Ou ela toma o comprimido junto com um remédio que tem a mesma via de metabolização e, por isso, a eficácia do hormônio cai. Ou ela tem uma diarreia, um vômito que atrapalha a absorção do medicamento”, exemplifica Helga Marquesini, ginecologista, obstetra e sexóloga do Centro de Medicina Sexual do Hospital Sírio-Libanês.

Se a pessoa fizer o uso correto da pílula combinada, terá 0,3% de risco de engravidar em 12 meses. Porém, no uso habitual a probabilidade de gravidez é de 8%. De acordo com os parâmetros da Organização Mundial da Saúde (OMS), as pílulas são consideradas um método “efetivo”.

“No script, o método é muito eficaz. O problema é que nem sempre a vida segue um script”, diz a médica.

As estratégias classificadas como “muito efetivas”, segundo a OMS, são aquelas que não dependem do comportamento da pessoa, como o implante (0,05% de risco de gravidez), o DIU hormonal (0,2%).

Para efeito de comparação, no uso ideal da tabelinha menstrual, de cada 100 mulheres, 5 engravidam. Já no uso habitual do mesmo sistema, a proporção sobe para 20 grávidas em cada 100 mulheres.

Quais medicamentos podem atrapalhar o funcionamento das pílulas?

Algumas drogas anticonvulsivantes e alguns antibióticos reduzem a eficácia de contraceptivos hormonais.

“A pessoa precisa consultar o médico para saber se a enzima que metaboliza aquele medicamento é a mesma que metaboliza a pílula. Se for, a eficácia do hormônio fica comprometida”, afirma Helga Marquesini.

O único método 100% garantido para evitar a gestação em casais heterossexuais cisgênero é a abstinência sexual total. “Sempre que houver a possibilidade do encontro de um óvulo com um espermatozoide em um útero, pode ocorrer uma gravidez”, aponta.

Quais são os possíveis efeitos colaterais dos anticoncepcionais hormonais?

As reações indesejadas variam com o tipo de hormônio e da via que ele é utilizado.

De acordo com o ginecologista Maurício Abrão, coordenador de Ginecologia da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, os efeitos colaterais relacionados à progesterona — presente em todos os anticoncepcionais hormonais, seja na forma pura, seja na forma combinada — são geralmente correspondentes ao que acontece na segunda fase de um ciclo menstrual, quando existe um predomínio desse hormônio.

“Algumas pacientes podem ter retenção de líquido, acne e alteração do humor”, aponta o médico, citando sintomas e sinais típicos da tensão pré-menstrual, popularmente conhecida como TPM.

“Quando o estrogênio está presente, os efeitos colaterais podem estar relacionados a dor de cabeça e, a depender do tipo de hormônio, maior risco de trombose”, afirma o ginecologista da BP.

Como escolher um contraceptivo hormonal?

A escolha do método contraceptivo depende do histórico familiar e individual da paciente, além do seu momento de vida.

“Os aspectos que influenciam a decisão de tomar o anticoncepcional aparecem numa conversa pormenorizada do médico com a paciente, depois de um exame físico. A gente tem que observar os fatores de risco. Se ela tem trombose, por exemplo, tem que evitar alguns tipos de estrogênio dos anticoncepcionais. Se tem uma tendência à depressão, temos que tomar cuidado com a progesterona”, aponta Maurício Abrão.

“A gente tem que lembrar que a via oral pode causar efeitos colaterais diferentes da via vaginal. No entanto, para a pessoa utilizar um anticoncepcional por via vaginal, ela tem que estar à vontade para isso e, obviamente, ter iniciado a relação sexual”, afirma o médico.

Helga Marquesini diz que a escolha do tratamento pode mudar de acordo com o momento de vida da paciente.

Para uma adolescente ou uma jovem de rotina muito atribulada, talvez seja mais adequado um tratamento com baixo risco de falha e longa duração. Assim, a pessoa não precisa se lembrar de engolir o comprimido todos os dias, como o implante e o DIU.

Caso a mulher esteja próxima de planejar uma gravidez, um dispositivo de longo prazo como o DIU não faria sentido. A pílula, o anel ou o injetável mensal talvez sejam mais adequados.

Pílulas com hormônios combinados podem ser indicadas para quem quer evitar sangramentos inesperados — os famosos escapes —, assim como para quem deseja controlar a oleosidade da pele.

Para mulheres com enxaqueca, é melhor tirar o estrogênio da jogada. Se ela tiver enxaqueca com aura, então, o uso desse hormônio é proibido, porque pode aumentar o risco de AVC”, aponta a ginecologista.

A médica recomenda que qualquer tratamento hormonal seja associado ao uso do preservativo, feminino ou masculino, para prevenir as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).

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