'Descobri a síndrome dos ovários policísticos após parar o anticoncepcional'
Estilo de vida saudável é indispensável no tratamento da síndrome dos ovários policísticos
Por Dóris Marinho, Colaboração Para Marie Claire — São Paulo
O uso da pílula anticoncepcional é frequentemente indicado para tratar a síndrome dos ovários policísticos (SOP). No entanto, esta não é a única abordagem possível. Para a jornalista Amanda Araújo, de 25 anos, o alívio dos sintomas foi resultado de novos hábitos e da adoção de um estilo de vida saudável.
Amanda fazia uso do contraceptivo oral desde a adolescência, por indicação médica, com o objetivo de regular o ciclo menstrual. Quase dez anos mais tarde, em 2019, passou a sofrer com alguns efeitos colaterais da pílula e decidiu interromper a medicação por conta própria.
Em pouco tempo, sem os hormônios do contraceptivo para mascarar os sintomas, os desconfortos associados à SOP começaram a se manifestar.
“Parei de menstruar, fiquei com muita queda de cabelo, pelos começaram a surgir no meu corpo, principalmente no rosto, na região abaixo do umbigo, entre os seios e ao redor das aréolas. Comecei a procurar outros médicos e o retorno que eu tinha era sempre que precisaria tomar anticoncepcional para o resto da vida. Até então eu não fazia ideia do que eu tinha”, conta ela.
Na busca por informações, a jovem se deparou com a live de uma ginecologista que falava justamente sobre a síndrome dos ovários policísticos. “Naquele momento, eu tive certeza que era isso que eu tinha. Essa médica era de Amparo (SP), cidade onde eu morava na época, e decidi marcar uma consulta. Com base nos meus relatos e em uma análise clínica, ela me deu o diagnóstico. Ou seja, descobri a síndrome dos ovários policísticos após parar o anticoncepcional", relembra.
Tratamento com estilo de vida saudável
Bianca Bernardo, ginecologista e especialista em reprodução humana na Nilo Frantz Medicina Reprodutiva, cita a irregularidade menstrual e os sinais de hiperandrogenismo clínico — aumento de pelos, pele oleosa, acne, entre outros — como os principais sintomas da síndrome dos ovários policísticos.
“A consequência da SOP é a anovulação crônica, ou seja, ter ciclos em que a mulher não ovula e consequentemente acaba tendo uma dificuldade para engravidar. Além disso, por ser uma síndrome metabólica, ela pode aumentar os riscos de alteração dos lipídios e de alterações na insulina, que chamamos de resistência insulínica, aumentando o risco de desenvolver diabetes e ganho de peso”, ressalta a médica.
Dentre estes sintomas, Amanda apresentava, principalmente, a ausência de menstruação e o hiperandrogenismo. Ainda assim, optou por não voltar para o anticoncepcional e apostou em um tratamento natural para a SOP.
“Estava determinada a fazer o meu tratamento por meio de mudanças nos hábitos de vida, mais especificamente de quatro pilares, que são: alimentação, exercícios físicos, qualidade do sono e controle do estresse e da ansiedade. É realmente o básico, só que o básico bem feito e com constância”, ressalta a jornalista.
De acordo com a Bianca Bernardo, ter um estilo de vida saudável é fundamental para todas as pacientes com SOP — não apenas as que têm restrição ao anticoncepcional. “Em algumas mulheres, apenas a mudança do estilo de vida e a perda de peso podem ser suficientes para o controle da SOP, mas devemos dar essas orientações mesmo para as pacientes que farão tratamento farmacológico (com a pílula ou outros medicamentos sem uso de hormônio, como espironolactona e metformina)”, esclarece.
O papel da alimentação no tratamento da SOP
Segundo a nutricionista Letícia Mendes, pós-graduada em fitoterapia funcional pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, a alimentação vem para prevenir e minimizar os possíveis sintomas da síndrome dos ovários policísticos. “Em especial, a resistência insulínica é algo que gera preocupação, porque a mulher pode se tornar diabética no futuro”, alerta a especialista.
“Os alimentos que mais devem ser evitados são: gorduras saturadas, carnes vermelhas, farináceos, como bolo, pão e macarrão, e açúcares no geral. É interessante que a mulher com SOP não vá atrás de adoçantes artificiais e faça o desmame do doce, trazendo mais os amargos para o dia a dia para modular as papilas gustativas”, orienta.
A nutricionista também chama atenção para os benefícios dos chás no tratamento natural da SOP. “Os chás possuem poder anti-inflamatório e são ótimos coadjuvantes. O de uxi amarelo melhora muito o perfil inflamatório que a síndrome dos ovários policísticos traz, melhorando a acne e ajudando bastante até na recuperação da autoestima. Já o feno grego, além de ser um tônico para a mulher, ajuda muito na resistência insulínica”, destaca.
Priorizando uma alimentação equilibrada e hábitos saudáveis, Amanda conseguiu deixar os incômodos associados à SOP para trás. “Minha dica para as mulheres que desejam tratar a síndrome dos ovários policísticos sem recorrer à pílula é ter muita paciência e constância e não desistir no meio do caminho. Além disso, tenha ao seu lado profissionais que realmente respeitem a sua escolha e te ofereçam uma abordagem diferente”, aconselha.









