O que é a pielonefrite, infecção que causou internação da atriz Isadora Cruz, de ‘Mar do Sertão’
Por Marcella Centofanti, Colaboração Para Marie Claire — São Paulo
A atriz Isadora Cruz, que participou da novela Mar do Sertão, voltou a ser hospitalizada em razão de um quadro de pielonefrite, uma infecção nos rins. Ela, que postou sobre a internação no dia 17, contou ao jornal O Globo que teve uma recaída, sentiu dores e retornou ao hospital para investigar o que está acontecendo.
“Estava há alguns dias sentindo uma dor nas costas, que achava que era uma simples dor muscular. Tentei algumas terapias e a dor persistia, mas como estou em um ritmo intenso de trabalho, pensei que fosse uma tensão normal e fui seguindo minha vida achando que estava tudo bem”, escreveu ela, nas redes sociais, sobre a primeira ida ao pronto-socorro.
“Até que acordei domingo passado queimando de febre, com calafrios e a dor, que era antes só na lombar, se espalhou por todo abdômen até irradiar para as pernas ao ponto de não conseguir nem andar. Quando cheguei no hospital, fui internada imediatamente com pielonefrite aguda, que é uma infecção no rim.”
O que é a pielonefrite?
Os rins, localizados na parte de trás e baixa das costas, são responsáveis por diversas funções vitais, como filtrar o sangue, produzir hormônios e controlar os líquidos no organismo.
A pielonefrite ocorre quando alguma bactéria chega aos rins. A infecção acomete o tecido renal, conhecido como parênquima, e pode evoluir para falência de múltiplos órgãos e até mesmo resultar na morte da pessoa, caso não seja tratada adequadamente e a tempo.
Infecção urinária é sinal de alerta
A pielonefrite pode ser causada de duas formas principais. A mais comum é a via ascendente, que ocorre quando uma infecção urinária, a famosa cistite, não é devidamente tratada. A bactéria presente na bexiga pode, então, migrar pelo ureter e chegar aos rins.
Outro caminho mais raro é quando a infecção chega ao órgão transportado pela corrente sanguínea. Esse é o caso principalmente de pacientes debilitados que estão hospitalizados.
A pielonefrite é mais prevalente no sexo feminino, especialmente em mulheres sexualmente ativas e na pós-menopausa, que são justamente as principais vítimas das cistites.
Indivíduos com imunidade baixa, como aqueles que fazem uso de remédios imunossupressores, e com histórico de cálculos renais também estão mais propensos a desenvolver a infecção.
“É importante não negligenciar os sintomas da cistite e buscar tratamento adequado, pois uma infecção urinária não tratada pode evoluir para uma pielonefrite”, avisa a nefrologista Lilian Pires de Freitas do Carmo, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia e professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Os sintomas da cistite são vontade urgente de urinar, ardência quando o xixi sai, dor no baixo ventre e sensação de que a bexiga não esvaziou. “Toda mulher que já teve essa infecção uma vez, lembra o quanto é horrível”, diz a médica.
Quando a pielonefrite está presente, os sintomas são mais intensos, com febre, dor lombar intensa, falta de apetite, náusea e mal-estar em geral.
A nefrologista destaca que é fundamental não adiar o tratamento e procurar atendimento médico imediato, pois a infecção pode se disseminar e levar a complicações graves e difíceis de tratar.
Prevenção e tratamento de pielonefrite
A principal forma de prevenir a pielonefrite é adotar medidas que evitem a infecção urinária de repetição, que é um dos fatores de risco para essa condição.
As recomendações de Lilian Pires de Freitas do Carmo são:
- Urinar após a relação sexual para limpar o canal urinário;
- Não segurar o xixi e urinar sempre que sentir vontade;
- Beber bastante líquido para manter a urina clara e reduzir a concentração de bactérias;
- Controlar a constipação intestinal e seguir uma dieta rica em fibras;
- Reduzir o consumo de açúcar, que pode estimular o crescimento bacteriano;
- Ter cuidado na limpeza após evacuar, de preferência, lavando de frente para trás para evitar a contaminação da uretra.
“A infecção urinária não é contagiosa. Ela costuma ser causada pela bactéria Escherichia coli (E.coli), que normalmente vem do próprio intestino da paciente. Por isso, é essencial manter bons hábitos intestinais para evitar a proliferação dessa bactéria e, consequentemente, a infecção urinária”, afirma a vice-presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia.
“O ânus está muito perto da uretra feminina, por isso as mulheres têm muita infecção urinária de repetição e pielonefrite. É uma questão anatômica”, explica a médica.
O tratamento da pielonefrite é realizado com a aplicação de antibióticos na veia. A resposta costuma ser rápida, segundo a médica. No entanto, em casos mais complicados, como quando há a presença de cálculos renais ou abscessos, pode ser necessária a drenagem do local afetado.









