Candidíase na boca: causas, sintomas, tratamentos e prevenção
Popularmente conhecida como sapinho e associada a bebês, a candidíase oral pode afetar qualquer pessoa, em especial aquelas com imunidade comprometida
Por Marcella Centofanti, Colaboração Para Marie Claire — São Paulo
Quando se fala em candidíase, talvez a maior parte das pessoas associe o nome à infecção genital que afeta 75% das mulheres em algum momento da vida. No entanto, a candidíase também pode ocorrer também na boca. Popularmente conhecida como sapinho, a condição afeta não só bebês, mas pessoas de qualquer idade, sobretudo aquelas com imunidade comprometida.
“Os pacientes se surpreendem quando recebem o diagnóstico de candidíase oral”, diz a dentista Thais Rosa, formada pela Unesp. “A maioria não sabe que a infecção também se manifesta na boca.”
Candidíase é uma infecção pelo fungo cândida, que tem vários subtipos, sendo o mais comum Candida albicans. Esse fungo vive na microbiota oral desde que nascemos.
Em condições normais, o sistema imune é capaz de evitar a sua proliferação exagerada. Porém, quando o corpo sofre algum desequilíbrio, os micro-organismos podem se multiplicar em excesso e causar sintomas.
Fatores de risco para a candidíase na boca
Dentre os desencadeadores dessa condição, estão:
- Ambiente propício: O fungoCandida albicans prospera em lugares quentes e úmidos, o que torna a boca um local favorável para seu crescimento descontrolado;
- Higienização incorreta: A má higienização bucal facilita o desenvolvimento da infecção;
- Imunidade comprometida: Pacientes com sistemas imunológicos enfraquecidos, seja devido a doenças infecciosas, como a covid-19, ou condições médicas crônicas, são mais suscetíveis à candidíase;
- Tratamentos médicos: Remédios quimioterápicos, por exemplo, afetam o sistema imunológico e podem favorecer a proliferação do fungo;
- Uso de dentadura: Pessoas que usam próteses, totais ou parciais, têm risco aumentado para a condição, especialmente se dormem com o objeto ou não o higienizam de forma adequada;
- Presença de diabetes;
- Uso de antibióticos ou corticóides, incluindo versões inaladas para condições como a asma;
- Presença de condições que ressecam a boca ou consumo de remédios que causam esse sintoma;
- Hábitos insalubres: O consumo de álcool, tabaco e drogas também enfraquece o sistema imune e aumenta a suscetibilidade à candidíase.
Sintomas e impacto na saúde bucal
A candidíase oral pode se manifestar de diversas formas, segundo Thais Rosa. Os pacientes podem apresentar lesões brancas ou avermelhadas na língua, bochechas, palato, amígdalas e garganta.
Sensação de ardência, formigamento e alterações no paladar também são sintomas comuns. Em casos avançados, a condição pode afetar o esôfago, causando dificuldade na deglutição e sensação de queimação.
Na presença desses sinais e sintomas, a orientação é procurar um dentista. Alguns indivíduos, no entanto, são assintomáticos. “Essas pessoas são diagnosticadas durante exames de rotina ou em consultas para cuidados com próteses dentárias”, diz a dentista.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico da candidíase bucal geralmente envolve um exame clínico realizado por um dentista. Além disso, a coleta de uma amostra do interior da boca pode ser enviada para análise laboratorial, onde o micro-organismo responsável pela doença será identificado.
O tratamento da candidíase inclui várias abordagens. O dentista pode prescrever medicamentos antifúngicos para uso tópico, oral ou bochechos. A aplicação de laser, feita no consultório, também tem se mostrado eficaz no alívio dos sintomas e na promoção da cicatrização.
A prescrição de bochechas dura de 5 a 7 dias. Já o remédio via oral deve ser consumido por 7 a 14 dias, dependendo da severidade da infecção.
“Medidas de higiene bucal, como escovação regular e limpeza da língua, também são fundamentais”, avisa Thais Rosa.
Medidas de prevenção para evitar a candidíase oral
A prevenção da candidíase na boca envolve uma série de cuidados diários. De acordo com Thais Rosa, as principais medidas são:
- Manter a imunidade alta: Uma vida saudável, incluindo dieta equilibrada e a prática regular de exercícios, ajuda a manter o sistema imunológico fortalecido;
- Evitar hábitos nocivos: O tabagismo, o consumo excessivo de álcool e o uso de drogas podem comprometer a saúde bucal e a imunidade;
- Higienização adequada: Escovar os dentes três vezes por dia, após as refeições, usar fio dental diariamente e limpar a língua são passos essenciais;
- Cuidado com próteses: Usuários de dentaduras devem remover e higienizar suas próteses após as refeições e tirar o objeto para dormir;
- Visitas regulares ao dentista: Limpezas devem ser feitas a cada seis meses.









