Saúde

Por Colaboração Para Marie Claire — São Paulo

As infecções vaginais estão entre as queixas mais comuns das pessoas que procuram um ginecologista. Só a candidíase, para citar uma, afeta 75% das mulheres ao longo da vida, segundo projeções dos Centers for Disease Control and Prevention (CDC), nos Estados Unidos.

Infecções da vagina e da vulva podem causar sintomas como coceira, dor e corrimento. Buscar um médico ao notar um sinal de desconforto pode ajudar a eliminar rapidamente a doença e prevenir complicações. Essas enfermidades, algumas transmitidas pela via sexual, são causadas por bactérias, fungos, vírus ou protozoários.

“As mais comuns são a candidíase e a vaginose bacteriana. Dentre as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), as mais frequentes são HPV, clamídia, herpes, gonorreia, sífilis e tricomoníase”, cita a ginecologista Marair Sartori, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Gestantes têm risco aumentado para algumas infecções. Alterações hormonais, oscilações do sistema imune e aumento do fluxo sanguíneo elevam a probabilidade de candidíase e vaginose bacteriana.

Sintomas e sinais de infecção vaginal

A médica explica que os sintomas das infecções no aparelho reprodutor feminino podem aparecer na vulva, na vagina ou nos órgãos internos. Na vulva, região externa da genitália, a pessoa pode ter feridas, características de sífilis (em estágio inicial) e herpes. A úlcera é também sintoma de outra IST menos comum, o cancro mole.

Na mesma área, verrugas podem ser indicativas de HPV, enquanto fissuras, semelhante a rachaduras no canto da boca, apontam candidíase, caso venham acompanhadas de vermelhidão, coceira e ardor.

Com relação à vagina, o principal sinal é o corrimento. “Se a secreção estiver amarelada, em grande quantidade, meio grossa e sem muito cheiro, associada a vermelhidão e ardor, vou pensar em tricomoníase”, diz a ginecologista.

Já um corrimento amarelado, grosso, com cheiro de peixe no fim da feira, sem dor ou ardor, indica vaginose bacteriana. Se o líquido for branco, com textura de leite coalhado e acompanhado de coceira, ardor, irritação e vermelhidão, trata-se, possivelmente, de candidíase.

Sangramento na hora da relação sexual talvez aponte clamídia, enquanto dor pélvica, dentro do útero, pode ser sinal de doença inflamatória pélvica, uma possível complicação da mesma IST.

“Na presença de qualquer sintoma, é melhor ir ao posto de saúde e pedir para o ginecologista dar uma olhada, principalmente para não deixar passar uma infecção sexualmente transmissível, que pode afetar, por exemplo, a parte reprodutiva da mulher. É importante também ter o rastreamento anual de Papanicolau”, recomenda a médica do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Diagnóstico e tratamento de infecção vaginal

O diagnóstico de uma infecção vaginal é feito pelo ginecologista e começa a partir dos sinais e sintomas descritos pela paciente, com o auxílio de testes laboratoriais. “Primeiro, o médico faz um exame físico. Geralmente, é preciso coletar material para examinar a amostra no microscópio e descobrir o agente infeccioso”, afirma Marair Sartori.

O HPV e a clamídia, por exemplo, podem ser pesquisados na coleta do Papanicolau de rotina. Outras ISTs precisam de exames de sangue complementares.

Uma vez determinada a causa da moléstia, o médico prescreve medicamentos adequados para eliminá-la. O tratamento adequado para a candidíase, por exemplo, envolve o uso de antifúngicos, uma vez que ela é desencadeada pela proliferação exagerada do fungo cândida. O fármaco pode ser tópico, como creme ou pomada, para casos cutâneos ou vaginais, ou oral, em comprimidos e cápsulas, para infecções mais graves.

Já a vaginose bacteriana é desencadeada por um desequilíbrio na microbiota da região. A proliferação anormal das bactérias naturais da vagina, em especial uma chamada Gardnerella vaginallis, pode desencadear os sintomas desagradáveis. “A vaginose bacteriana nem é, de fato, considerada uma verdadeira infecção”, aponta a médica. Antibióticos são usados para eliminar a condição.

O herpes, por sua vez, é tratado com antivirais, por se tratar de um vírus. Para outro vírus, o do HPV, não existe nenhum tratamento específico. “Nesse caso, a gente controla as lesões que a doença pode causar. Se houver um machucado no colo do útero, por exemplo, é possível cauterizá-lo. A gente também pode tirar verrugas ou tirar o pedacinho que está afetado pelo HPV”, explica a médica.

Outras ISTs, como sífilis, clamídia, gonorreia e tricomoníase, podem ser curadas com antibióticos.

Prevenção de infecção vaginal

Uma série de estratégias ajuda a prevenir tanto a candidíase quanto a vaginose bacteriana. Dentre as ações que podem causar o desequilíbrio do pH vaginal, estão duchas vaginais, episódios de stress, uso de calça muito apertada e falta de ventilação na região.

A recomendação médica é usar calcinha de algodão, dormir sem calcinha e não usar protetor diário, para não abafar a vagina. Em relação à rotina de higiene, a ação ideal é manter a área vaginal limpa com água e sabão neutro sem cheiro.

Redobrar a atenção ao usar o banheiro também é importante, já que o correto é limpar a região da frente para trás para evitar espalhar leveduras ou bactérias do ânus para a vagina ou trato urinário. Lenço umedecido pode ser utilizado, desde que não tenha perfume. Sabonete íntimo também é bem-vindo, com a condição que respeite o pH da região genital.

Outras orientações incluem não ficar muito tempo com o biquíni molhado e tratar o diabetes, se a doença estiver presente — o excesso de açúcar no sangue pode criar um ambiente ideal para o crescimento do fungo cândida.

No caso das ISTs, a melhor maneira de preveni-las é usar preservativo. Outra medida fundamental é vacinar-se contra o HPV e fazer testes periódicos de rastreio.

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