É preciso mesmo hidratar a vulva? Entenda quais os processos e os produtos ideais para usar na região
Especialistas chamam a atenção para a importância de manter a região da vulva, parte externa da vagina, hidratada. Mas alertam para os riscos de usar produtos inadequados, sem recomendação médica, que estão viralizando nas redes sociais, como o óleo de coco
Por Isadora Pacello, redação Marie Claire — São Paulo
Óleo de coco para hidratar a vulva: você já se deparou com essa sugestão? É fato que essa área precisa de atenção especial e não pode ficar de fora dos cuidados de hidratação, e, pelo universo das redes sociais, vários vídeos orientam o uso do óleo de coco para essa finalidade. No entanto, é preciso ter cautela.
De fato, a vulva — parte externa da vagina — precisa de cuidados especiais. “Para manter a saúde e o conforto, é preciso manter essa área hidratada”, afirma Maria Carolina Dalboni Lemos Amaral, ginecologista e obstetra.
Segundo a profissional, uma vulva ressecada pode apresentar sintomas como dor, pele aspecto mais grosso da pele e até mesmo microfissuras, que predispõem infecções. “Não hidratar essa área pode levar a alterações do pH vaginal e do microbioma”, alerta a médica.
No entanto, é preciso ter muito cuidado na hora de escolher o produto a ser aplicado. Nas redes sociais, como o TikTok, alguns vídeos recomendam o uso de óleo de coco para essa finalidade, mas Maria Carolina orienta ter cautela em relação ao produto.
“O óleo de coco tem ação bactericida, por isso, pode prejudicar as bactérias benéficas que compõem o microbioma vaginal. Esse produto e o óleo de jojoba, ambos orgânicos, podem ser usados na vulva, desde que prescritos pelo seu ginecologista”, diz.
Ou seja, óleo de coco pode até servir para a área, desde que seja aplicado apenas externamente. Além disso, é fundamental que a procedência do ingrediente seja confiável.
Vale dizer que apostar no produto natural como lubrificante íntimo — teoria também comum nas redes sociais — também tem fundamento duvidoso. "O óleo de coco não deve ser utilizado durante a relação sexual com preservativo de látex, pois pode interferir na composição desse material. Com isso, o preservativo pode se romper, aumentando os riscos de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e gravidez não desejada", detalha a ginecologista, obstetra e sexóloga Erica Mantelli.
O produto certo
De acordo com a dermatologista Mayla Carbone, devem-se evitar cremes à base de ureia ou com outras substâncias alergênicas. Usar o hidratante que você passa no corpo também não é uma solução: essas formulações costumam ter uma série de substâncias inadequadas para a área íntima, como parabenos, sulfatos, glicerinas, corantes e fragrâncias. “Opte sempre por hidratantes suaves, livres desses componentes”, orienta.
Ela conta que há hidratantes específicos para a região íntima, que podem ser usados continuamente para hidratar a vulva sem alterar o pH vaginal, pois são mais ácidos, assim como essa região (pH em torno de 4 e 4,5).
Ou seja: produtos com pH alcalino (superior a 7) ou mesmo neutro (igual a 7) devem ser evitados, porque podem levar ao aumento do pH vaginal, resultando em coceiras, odores e ardências.
E sabonete de bebê pode? “Não devemos usar sabonetes de bebê, que são neutros, na região íntima. Sabonetes em barra também não são recomendados, pois, na fabricação, passam pelo processo de saponificação, que eleva seu pH para níveis básicos, acima de 7”, explica.









