Contracepção de emergência: entenda como DIU de cobre pode substituir a pílula do dia seguinte
O dispositivo deve ser colocado até cinco dias após o sexo desprotegido para evitar a gravidez indesejada. Estima-se que a sua taxa de falha seja de 0,1%
Por Alice Arnoldi, Colaboração Para Marie Claire — São Paulo
O DIU de cobre pode ser usado como contraceptivo de emergência, caso a mulher faça sexo desprotegido e, consequentemente, corra o risco de engravidar. O método é embasado pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
A ginecologista e obstetra Marina Levy, da Clínica Parto com Amor e especializada em gestação de alto risco pela Faculdade de Medicina da USP, explica que o DIU de cobre deve ser implantado em até cinco dias após o sexo desprotegido para evitar a gravidez indesejada.
“Embora seja um procedimento de baixa complexidade, o DIU deve ser introduzido por um profissional capacitado, seja médico ou enfermeiro”, detalha.
Já o DIU de levonorgestrel, que libera hormônios dentro do útero, ainda que não é recomendado pela Febrasgo e pela OMS como contraceptivo de emergência. No entanto, o método já vem sendo estudado e usado, principalmente fora do Brasil.
Por que o DIU de cobre pode ser usado como método contraceptivo de emergência?
A ginecologista e obstetra Maria Carolina Dalboni, especialista em reposição hormonal, explica que o DIU de cobre funciona como um contraceptivo de emergência porque altera a motilidade do espermatozoide, isto é, sua capacidade de se locomover em direção ao óvulo.
“Além disso, ele causa um processo inflamatório no endométrio. Isso significa que, mesmo que o espermatozoide fecunde o óvulo, ele não vai conseguir se implantar na parede do útero”, completa.
Já com o DIU de levonorgestrel impede que o óvulo fecundado se fixe no endométrio. Desse modo, a gestação não se desenvolve. “A taxa de falha do DIU de cobre é 0,1% e a do levonorgestrel, de 0,3%”, relata Marina Levy.
Contraindicações do DIU de cobre como método contraceptivo de emergência
A ginecologista e obstetra Monique Novacek, da Clínica Mantelli, explica que o DIU de cobre como método contraceptivo de emergência não é indicado nos seguintes casos:
- Gravidez já existente;
- Histórico de sangramento vaginal sem explicação, fora do período menstrual;
- Diagnóstico de câncer de colo de útero ou de endométrio;
- Existência de doença inflamatória pélvica diagnosticada anteriormente.
O DIU de cobre também não deve ser inserido como contraceptivo de emergência caso a mulher corra o risco de estar grávida em decorrência de um abuso sexual. Antes do procedimento, é preciso descartar possíveis ISTs transmitidas em decorrência do ato.
A colocação do dispositivo é fornecido pelo SUS?
Monique Novacek explica que a mulher pode procurar a UBS mais próxima de onde mora para a colocação do DIU de cobre de emergência, caso o serviço esteja disponível, dentro do período de cinco dias após o sexo desprotegido.
O que acontece, na maioria das vezes, é que o trâmite no sistema público de saúde para a liberação do dispositivo e a sua colocação leva mais de cinco dias. Com isso, ele acaba se tornando um método de contracepção de emergência inviável.









