Saúde

Por Marcella Centofanti, Colaboração Para Marie Claire — São Paulo

A criadora de conteúdo Erika Fernandes, de 29 anos, se emocionou quando amamentou pela primeira vez o filho Noah, ainda na maternidade. Para ela, a experiência teve um sabor especial, pois é uma mulher trans.

Durante a gestação, Erika se perguntou como o bebê seria alimentado. Noah foi gestado pelo ex-marido da criadora de conteúdo, o influenciador Roberto Bete, um homem trans. O pai passou por uma mastectomia, o que impactou sua capacidade de amamentar. A opção óbvia era a fórmula, mas a mãe queria que o filho recebesse os benefícios do leite materno.

Erika descartou o banco de leite, por não querer que o recém-nascido recebesse o líquido de outra pessoa. Foi então que se questionou: “Será que eu não conseguiria amamentar?” A criadora de conteúdo fez pesquisas na internet, mas não encontrou informações sobre a amamentação em mulheres trans.

Erika Fernandes e Roberto Bete, durante a gestação de Noah — Foto: Donarte Studio
Erika Fernandes e Roberto Bete, durante a gestação de Noah — Foto: Donarte Studio

Ela pensou em buscar ajuda médica, porém, teve receio do preconceito, até descobrir uma equipe especializada em saúde LGBTQIA+, que respondeu com um entusiasmado: “Claro que podemos fazer você amamentar!”

Tratamento médico antes do parto

Três meses antes do nascimento previsto de Noah, Erika começou o tratamento médico, que envolveu a regulação de hormônios para simular uma gestação em seu corpo. A dose de estradiol, que ela já tomava, aumentou, e a criadora de conteúdo passou a ingerir também um medicamento para aumentar a produção de prolactina, um hormônio essencial para a lactação.

Outra medida foi simular a sucção do bebê com uma bombinha de leite, parte crucial do processo. “Eu fazia isso umas dez vezes por dia. Depois de uns 20 dias, comecei a lactar. Foi algo inesperado, porque o tempo médio é de uns três meses”, comemora a criadora de conteúdo.

“A médica acha que o meu desejo de amamentar era tão grande, que ajudou no processo. O meu ato de amor produziu ocitocina, outro hormônio que ajuda na lactação. Eu nem precisei ingerir a ocitocina sintética”, relembra.

Primeira mamada e o ódio na internet

Noah nasceu de parto normal, com 41 semanas de gestação. Ainda na maternidade, Erika ficou receosa de amamentar o filho diante das médicas e da enfermeira presentes, por causa do julgamento alheio: “A doula me falou: ‘Pode colocar ele para mamar, você chegou até aqui para esse momento’. Eu coloquei ele no peito e foi uma experiência maravilhosa. Chorei de emoção”.

Os problemas começaram quando Erika tornou a experiência pública nas redes sociais: “Eu sofri muitos ataques transfóbicos. Me chamaram de pedófila e disseram que eu queria sentir prazer com a boca do bebê no meu peito. Eu não estava esperando tanto ódio. A gente trabalha com internet, então não podia sumir das redes”.

O casal com Noah — Foto: Reprodução/Instagram
O casal com Noah — Foto: Reprodução/Instagram

O stress, somado ao cansaço da amamentação, interferiu na produção de leite. “O leite empedrou, tive rachadura no seio, meu peito sangrou e eu senti febre. Não vou romantizar a amamentação”, diz.

Determinada a continuar, a criadora de conteúdo adotou a técnica de translactação, que envolveu o uso de uma sonda para permitir que Noah continuasse mamando o seu leite. No entanto, a alternância entre mamadeira e peito levou a que o bebê rejeitasse o seio, três meses depois do nascimento.

Como é possível uma mulher trans amamentar?

Segundo Karen de Marca, endocrinologista e diretora da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), para uma mulher trans amamentar ela precisa, antes de mais nada, estar numa terapia hormonal há no mínimo dois anos. “A mama precisa ter volume, tecido glandular e estruturas viáveis para estimular a lactação, como os ductos que liberam o leite”, explica.

A terapia hormonal de afirmação de gênero para mulheres trans envolve o aumento da dose de estrógeno — também chamado de estradiol —, muitas vezes combinado com um antiandrogênico para inibir a produção de testosterona.

“A lactação é um processo fisiológico nas mulheres cisgênero. Durante a gestação, elas produzem mais hormônios, incluindo estrógeno, do que quando não estão grávidas. Então, a gente tenta simular essa situação em uma mulher transgênero que deseja amamentar”, afirma Karen de Marca.

Além de doses maiores de estrôgenio, o tratamento inclui o estímulo à produção de prolactina, o hormônio responsável pela lactação. O medicamento metoclopramida — conhecido como Plasil, usado para combater náuseas —, costuma ser utilizado para essa finalidade. A mulher trans também deve usar uma bomba de extração de leite antes do parto para estimular a produção do líquido.

A endocrinologista aponta que a lactação em mulheres trans ainda é um campo novo na medicina e está em fase de estudos.

Mais recente Próxima ‘Tive um AVC e passei por uma cirurgia no cérebro durante a gravidez’
Mais do Marie Claire

Ex-sister conversa com a Marie Claire sobre rotina intensa após o reality, as amizades que se mantiveram e e os desafios de se dividir entre compromissos profissionais e culturais no Amazonas

Como Marciele Albuquerque concilia pós-BBB com o festival de Parintins: 'Maior loucura'

Participante comentou desdobramentos de caso recente e falou sobre os rumos da relação entre as duas fora do reality. Em conversa com a Marie Claire, a ex-sister detalhou o vínculo com a campeã desta edição

Milena, do 'BBB 26', explica como está amizade com Ana Paula Renault após polêmica no Dia das Mães: 'Fiz o que bem entendi'

Em conversa exclusiva com a Marie Claire, a artista contou detalhes das mudanças físicas e do processo de construção do papel

Alice Carvalho revela mudanças no olho e cabelo para viver Marta em novo filme: 'Personagem desafiadora'

Artista falou sobre o desejo de aumentar a família e contou como imagina a futura maternidade

Giovanna Lancellotti revela planos para engravidar em 2027 e diz que pretende ter até três filhos: 'Muita vontade de ser mãe'

Com preços a partir de R$ 78,47, selecionamos modelos bivolt com tecnologia iônica e até 1300W de potência para garantir agilidade e efeito de salão sem pesar no bolso

Escova secadora com 60% off no Magalu; 4 opções para um cabelo de salão

Apresentadora visitou espaço dedicado à trajetória da comunicadora e relembrou momentos marcantes da televisão brasileira

Patrícia Poeta se emociona ao conhecer acervo de Hebe Camargo: 'Senti imediatamente a energia dessa pessoa'

Artista apostou em um look grifado para Prêmio Sim à Igualdade Racial, que acontece na noite desta quarta-feira (13) e tem duas categorias apresentadas por ela

Bella Campos reflete sobre ausência de referências na mídia: 'Sei o impacto disso para os nossos sonhos’

Artista compartilhou registros da viagem e recebeu uma enxurrada de comentários dos fãs; veja os cliques

Paolla Oliveira ganha elogios ao abrir álbum de fotos na Itália: 'Por aí'

A premiação acontece nesta quarta-feira (13), no Rio de Janeiro

'Estar no digital é também disputar narrativas', diz Preta Letrada, finalista do Prêmio Sim à Igualdade Racial