Melasma, rosácea, acne e outras doenças de pele que pioram ou aparecem com o calor
O sol, o calor e a umidade favorecem o aparecimento de algumas condições dermatológicas ou agravam as já existentes
Por Colaboração Para Marie Claire — São Paulo
Com o aumento das temperaturas e a chegada do verão, muitas pessoas se preparam para aproveitar o sol e o calor. No entanto, algumas condições dermatológicas podem se agravar na estação, enquanto outras são desencadeadas pelas altas temperaturas.
“Algumas doenças que o paciente já tem podem piorar no verão. Outras costumam ser desencadeadas nessa estação. O sol, o calor e a umidade favorecem o aparecimento de algumas condições dermatológicas”, diz a dermatologista Regina Carneiro, secretária-geral da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
A dermatologista ressalta a necessidade de cuidados adequados com a pele, especialmente no verão. Cosméticos devem ser recomendados por dermatologistas, pois cada pessoa possui necessidades específicas.
Ela alerta que a escolha errada de produtos pode piorar condições dermatológicas, mesmo para as pessoas com pele considerada normal: “O skincare que a pessoa vê na internet pode não ser adequado para a pele dela e piorar a sua condição”, adverte. “Mesmo os cosmecêuticos precisam ser indicados por um médico. Não adianta escolher um produto na farmácia ou pegar a dica da blogueira.”
Talvez, a moléstia mais associada ao sol seja o câncer de pele. Esse tumor, porém, não se desenvolve em um único verão. “O efeito é cumulativo. Ao longo da vida, se você ficar muito exposta ao sol, pode desenvolver a doença”, afirma Regina Carneiro.
Confira outras moléstias cutâneas associadas à estação:
Lúpus
O lúpus é uma doença crônica de origem autoimune que acomete, principalmente, mulheres em idade fértil. Ele pode ser cutâneo, afetando apenas a pele, ou sistêmico, atingindo múltiplos órgãos e tecidos, como as articulações, os rins e o cérebro.
De acordo com a médica, qualquer lesão eritematosa, ou seja, que fica vermelha e é inflamatória, tende a se intensificar com o aumento da temperatura. “Pacientes com lúpus devem ser particularmente cautelosos, pois o sol pode desencadear novas lesões e agravar as existentes. Eles não podem se expor nem mesmo com protetor solar”, diz a médica.
Rosácea
A rosácea é uma doença dermatológica que piora com tudo que causa vermelhidão na pele, como o calor, seja o do sol ou o da boca do fogão.
“A recomendação para a pessoa que tem rosácea é seguir com seu tratamento, evitar bebida alcoólica, usar protetor solar adequadamente e se proteger do sol. O fato de eu estar com protetor solar não significa que eu possa me expor ao sol”, aponta a dermatologista.
Acne
A acne é uma das doenças de pele mais comuns que existem. Ela pode ocorrer em qualquer idade, mas na maioria das vezes se manifesta em adolescentes e jovens adultas.
Sua principal causa é uma sensibilidade da pessoa ao hormônio masculino testosterona, presente também em mulheres. A doença também pode ser causada por medicamentos, como corticoides, e pelo uso excessivo de produtos oleosos na face.
“A acne não é desencadeada pelo sol. Acontece que, muitas vezes, as pessoas usam mais produtos no rosto no verão do que no inverno. Esses cosméticos, como hidratantes e loções pós-sol, levam à produção de comedões, também conhecidos como cravos. As glândulas sebáceas entopem e agravam a acne em pacientes que já têm a condição”, diz a médica.
Teoricamente, o protetor solar não causa acne. “É um produto que a gente chama de não comedogênico. O problema é que as pessoas muitas vezes escolhem opções erradas para o seu tipo de pele. Por isso a gente sempre pede que o dermatologista oriente qual é o produto mais adequado para a pele daquela pessoa”, aponta a dermatologista.
Melasma
O melasma é uma pigmentação que afeta principalmente as regiões das bochechas e da testa das mulheres e é sensível à exposição solar. As manchas podem ser causadas por uso de anticoncepcional, gravidez e também por razões desconhecidas.
Portanto, passar protetor solar e evitar a exposição ao sol é crucial para quem lida com essa condição. “Quanto mais a pessoa toma sol, mais escura a lesão fica. Não adianta usar o melhor produto para tirar o melasma e se expor ao sol”, alerta a dermatologista.
Micose
As micoses, condições causadas por fungos, são mais comuns no verão devido à umidade e ao hábito de permanecer com roupas molhadas após o banho de mar ou piscina. “O calor em si não é o culpado, mas sim a umidade, que favorece a proliferação dos fungos”, afirma a médica.
As recomendações são não ficar muito tempo com roupa molhada, secar a região entre os dedos e a genital depois do banho.
Brotoeja
A brotoeja é causada pelo calor excessivo e ocorre quando o suor fica retido na pele, resultando em irritação. Essa condição é mais comum em crianças, mas pode afetar adultos.
A prevenção inclui evitar temperaturas elevadas, tomar banhos para se refrescar e usar roupas leves.
Bicho Geográfico
Bicho geográfico é o nome popular da larva migrans, um parasita que habita o intestino e cachorros e gatos contaminados. Quando esses animais vão à praia (ou a um espaço com areia) e fazem cocô, o local fica contaminado. Se uma pessoa pisar ali, pode se infectar com a doença. Nem precisa ter um corte na pele.
No verão, o aumento da frequência litorânea contribui para a propagação dessa condição. Outro ponto de propagação comum nos últimos anos são as quadras de beach tênis. “Se a pessoa observar que o lugar é frequentado por cães e gatos, é melhor evitá-lo”, orienta a dermatologista.









