Beijo grego pode transmitir doenças? Especialista responde
Prática sexual anal oferece riscos à saúde e deve ser feita com algumas medidas de precaução
Por Colaboração Para Marie Claire — São Paulo
Alguns têm nojinho, mas, para quem gosta, o beijo grego pode ser muito prazeroso. Trata-se de uma prática sexual que envolve a estimulação oral, como lambidas e outras formas de carícia, do ânus da parceria. Em outras palavras, é o sexo oral, só que no derrière.
No entanto, assim como a versão, digamos, dianteira, o beijo grego oferece riscos à saúde. “Ambas as práticas têm o potencial de transmitir infecções se não forem realizadas com as precauções adequadas”, alerta Thaís França de Araújo, ginecologista formada pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com especialização em sexualidade humana pela Universidade de São Paulo (USP).
Essa modalidade sexual pode agradar tanto mulheres quanto homens, pois a região anal é rica em terminações nervosas e considerada uma zona erógena. “Quando uma pessoa já está excitada, receber o beijo grego pode intensificar ainda mais essa excitação”, diz ela.
Além disso, o ânus é cercado por um tabu de proibição, o que pode aumentar ainda mais o tesão. “É fundamental explorar o corpo sem preconceitos, desde que a prática seja consentida”, afirma Thaís França de Araújo.
Quais doenças podem ser transmitidas no beijo grego?
De acordo com a médica, para quem dá o beijo grego, o risco é contrair vírus, bactérias ou parasitas. O perigo aumenta se na boca da pessoa houver alguma ferida ou afta, que pode se tornar uma porta de entrada para os agentes infecciosos.
A região anal pode transmitir as infecções sexualmente transmissíveis, a exemplo de sífilis, HPV, HIV, herpes, hepatites, gonorreia e clamília, além de parasitoses e gastroenterites.
Quem recebe o beijo grego também corre risco, pois a boca pode contaminar a região anal. Isso pode acontecer se quem dá a lambida estiver com herpes tipo 1 (labial), candidíase oral ou gonorreia orofaríngea, por exemplo.
“Com o sistema imunológico enfraquecido, o risco de se infectar é maior. Colocar a boca nos genitais após ter tido contato inicial com o ânus também pode causar a migração da bactéria Escherichia coli para a uretra ou para o epidídimo, que é o canal localizado atrás dos testículos, ocasionando infecções dolorosas”, afirma a ginecologista e sexóloga.
Como se prevenir
Thaís França de Araújo recomenda que quem vai receber o beijo grego esteja com a região anal higienizada e sem qualquer vestígio de fezes.
Além disso, como não existe camisinha para a língua, a médica e sexóloga sugere usar uma folha de látex conhecida como dental dam — vendida em lojas de produtos ortodônticos — para cobrir a região do ânus. Outra opção é cortar as pontas do preservativo e abri-la. “Essas medidas ajudam a não levar saliva para o ânus e evitar que o resto de fezes cheguem na boca”, diz.
Para os adeptos da chuca — técnica para limpeza do reto antes do sexo anal — a médica recomenda usar de 150 a 200 ml de água em temperatura ambiente, para prevenir queimaduras. Uma ducha exclusiva para esse fim pode ser adquirida em farmácias e ajuda a evitar a transmissão de infecções.
“Para uma experiência anal prazerosa, é essencial utilizar lubrificante à base de água e preservativo. Se houver dor, é importante reconsiderar a prática, pois o sexo anal deve ser desfrutado de maneira prazerosa”, afirma.









