Lubrificantes naturais: conheça as opções para uma vida sexual saudável e confortável
Os lubrificantes são fundamentais para muitas mulheres que querem melhorar a sua experiência na cama. Enquanto produtos tradicionais podem conter ingredientes sintéticos, os naturais parecem uma opção mais sustentável e segura
Por Marcella Centofanti, Colaboração Para Marie Claire — São Paulo
Quando o assunto é sexo, a lubrificação é essencial para o prazer. As prateleiras das farmácias contêm produtos sintéticos que há muito tempo são conhecidos pelos consumidores. Nos últimos tempos, no entanto, surgiram opções naturais que podem parecer sedutoras por, teoricamente, serem mais seguras à saúde.
Importância da lubrificação durante o ato sexual
A lubrificação vaginal é uma resposta fisiológica à excitação sexual. Quando uma mulher se sente excitada, sua pelve se enche de sangue e o líquido presente nos pequenos vasos transborda para dentro da vagina. A lubrificação também contém muco cervical e secreção de glândulas.
“A função da lubrificação é permitir que a mulher tenha uma relação sexual sem dor e desconforto. Ela evita que haja traumas, microfissuras e sangramento no canal vaginal após a penetração, além de proporcionar prazer e satisfação”, esclarece a ginecologista Renata Ribeiro, especialista em sexologia pela USP e mestre em ciências médicas pela UnB.
A falta de umidade pode levar a uma cascata de problemas, desde desconforto até a perda de desejo e dificuldade de orgasmo. Por isso, a causa do problema precisa ser investigada.
Segundo a médica, alguns fatores que podem interferir na lubrificação natural são distúrbios hormonais, stress, uso de antidepressivos e anticoncepcionais, doenças cardiovasculares, colesterol elevado, diabetes e fases da vida, como menopausa e puerpério. Existem ainda as causas psicológicas, como as de pessoas que têm um olhar negativo para o sexo e passaram por traumas e abusos.
“Mulheres que não lubrificam e permanecem tendo relações com desconforto e sem prazer tendem a evoluir para outras dificuldades sexuais, como falta de desejo e dificuldade de orgasmo. Sem contar nas repercussões psicológicas de uma relação sem satisfação, como evitação do sexo, afastamento do parceiro, tristeza, separações, depressão e ansiedade”, aponta a ginecologista.
Lubrificantes naturais x sintéticos
De uns anos para cá, surgiram no mercado lubrificantes com formulações naturais, sem conservantes, corantes, agentes antibacterianos, perfumes e aditivos químicos. No entanto, alguns produtos sintéticos colocam no rótulo a palavra ‘natural’ apenas por imitarem a lubrificação natural, não por usarem ingredientes dessa origem.
“Se, por um lado, os lubrificantes naturais estão livres de algumas substâncias prejudiciais à saúde, como aditivos químicos, por outro, nem tudo que é natural deve ser usado na vagina. Por isso, o ideal é buscar produtos de boa qualidade, sem parabeno e conservantes, mas que sejam liberados pela Anvisa para uso ginecológico”, avisa Renata Ribeiro.
Segundo a médica, é preciso ter cuidado com o uso dos produtos naturais: “Às vezes, eles podem ser muito bons para a pele, mas inadequados para a vagina. Também podem ser bons como lubrificante, mas terem o inconveniente de causar a ruptura do preservativo, como é o caso do óleo de coco”.
A eficácia de um lubrificante está na semelhança com a secreção vaginal, considerando pH, osmolaridade e a ausência de substâncias prejudiciais à saúde. O foco deve ser na composição do produto, não apenas na origem natural ou sintética. Entre os ingredientes sintéticos a serem evitados, de acordo com a médica, estão parabenos, glicóis, petrolatos e glicerina.
Opções de ingredientes naturais para lubrificação
O ingrediente vegetal mais conhecido como lubrificante natural é o óleo de coco extra virgem. De acordo com a ginecologista, trata-se de um excelente lubrificante, mas sem estudos que comprovem seus benefícios à saúde.
Óleo de girassol, de calêndula, de melaleuca e de semente de uva, além do aloe vera, também são utilizados como matéria-prima de lubrificantes. Assim como o óleo de coco, no entanto, todos carecem de estudos que comprovem sua segurança e eficácia.
Mesmo assim, segundo Renata Ribeiro, esses óleos não apresentam substâncias que causem prejuízos conhecidos, e por isso já teriam vantagens em relação a outras opções disponíveis no mercado. “Um cuidado ao comprar esses produtos é ver se eles foram desenvolvidos para uso vaginal e se a procedência é de boa qualidade”, recomenda a ginecologista.
Modos de aplicação e precauções
- Lubrificantes naturais podem ser aplicados diretamente na vagina, na região vulvar ou no pênis do parceiro, sendo adequados para todas as relações sexuais e masturbação;
- Se for usar camisinha, é melhor escolher um lubrificante à base de água, não de óleo;
- Evite usar lubrificantes se tiver candidíase de repetição. O produto tende a piorar o quadro;
- A psicanalista, psicoterapeuta de casal e sexóloga Lelah Monteiro recomenda que, antes de testar um novo lubrificante, o casal coloque um pouquinho do produto na boca. “Observe se causa uma irritação, antes de colocar na parte íntima”, diz.
Receitas caseiras de lubrificantes
Receitas caseiras podem representar riscos à saúde. “Deve-se evitar introduzir na vagina clara de ovo, manteiga, vaselina e óleo de cozinha. É melhor comprar produtos já testados para esse fim”, diz a ginecologista.
Lelah Monteiro recomenda capricha na preliminar, apostando no sexo oral como ferramenta para aumentar a excitação: “A saliva não é um bom lubrificante. O bom lubrificante é aquele que você coloca na ponta dos dedos e ele desliza, à base de água ou de silicone, sem cor, sem esquentar, sem gelar e sem dar tremilique, porque tudo isso pode causar reação”.
A sexóloga e psicanalista sugere ainda tomar cuidado com produtos à base de canela, de jambu e de pimenta: “Para uns são bons, para outros não. Eu não contraindico, mas é sempre bom ter bastante cuidado”.









