Masturbação alivia cólica menstrual? Especialistas respondem
A atividade sexual, mesmo no modo solitário, eleva a endorfina, neurotransmissor associado ao bem-estar, e diminui o cortisol, hormônio ligado ao stress. Indiretamente, a prática pode ajudar a combater dores
Por Marcella Centofanti, Colaboração Para Marie Claire — São Paulo
A maioria de nós sente algum grau de cólica durante a menstruação, de um discreto desconforto a uma dor incapacitante. Trata-se de um dos sintomas mais comuns associados ao sangramento mensal. Uma das medidas propagadas para aliviar o incômodo é a masturbação. Será que funciona?
A prática da masturbação está associada a diversos benefícios à saúde. Só para citar dois exemplos, a atividade sexual por si só — mesmo no modo solitário — pode elevar a endorfina, neurotransmissor associado ao bem-estar, e diminuir o cortisol, hormônio ligado ao stress.
“O orgasmo, especificamente, é considerado um analgésico natural que pode ajudar a aliviar a dor física e promover sensações de relaxamento. A liberação de oxitocina, também conhecido como hormônio do amor, durante o orgasmo pode promover vínculo e conexão, bem como reduzir a ansiedade e a depressão”, diz a ginecologista e sexóloga Luana Flausino.
Assim, teoricamente, a masturbação poderia contribuir para o alívio de desconfortos, incluindo as cólicas menstruais.
“No entanto, a resposta individual pode variar, e a eficácia da masturbação como medida específica para aliviar cólicas menstruais não é universalmente reconhecida na comunidade médica”, atesta Thaís França de Araújo, ginecologista formada pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com especialização em sexualidade humana pela Universidade de São Paulo (USP).
Quando a masturbação piora a dor
Algumas mulheres relatam que a masturbação ou o orgasmo podem proporcionar alívio temporário das cólicas menstruais. Outras, porém, podem sentir desconforto ou piora da dor durante ou após a atividade sexual.
“A relação entre masturbação/orgasmo e cólicas menstruais depende de vários fatores, incluindo a intensidade da dor, a sensibilidade individual e a posição do útero”, afirma França.
A médica da UFU sugere que, se uma mulher perceber que a masturbação ou o orgasmo têm um impacto negativo nas cólicas menstruais, pode ser útil experimentar diferentes abordagens ou posições, comunicar-se abertamente com a parceria sobre o conforto e a sensibilidade, ou procurar outras formas de alívio, como o uso de calor local, técnicas de relaxamento ou medicamentos indicados por um profissional de saúde.
“É sempre recomendável que as mulheres consultem um ginecologista se tiverem preocupações persistentes com cólicas menstruais ou se desejarem orientações específicas sobre como lidar com o desconforto durante a atividade sexual. Cada pessoa é única. O que funciona para uma pode não funcionar da mesma forma para outra”, diz França.
Causas de cólica menstrual
França explica que a cólica menstrual, conhecida no jargão médico como dismenorreia, divide-se em dois tipos: primária (sem uma causa subjacente específica) e secundária (associada a outras condições médicas).
Algumas das principais causas são:
Dismenorreia primária:
• Contrações uterinas: Durante a menstruação, o útero se contrai para eliminar o revestimento uterino. Cólicas ocorrem quando essas contrações são intensas;
• Prostaglandinas: Essas substâncias químicas liberadas durante a menstruação podem causar contrações uterinas e dor.
Dismenorreia secundária:
• Endometriose: Uma condição em que o tecido semelhante ao revestimento uterino cresce fora do útero, causando dor;
• Miomas uterinos: Tumores não cancerígenos que se desenvolvem no útero podem levar a cólicas;
• Infecções pélvicas: Infecções no sistema reprodutivo podem causar dor menstrual;
• Doença inflamatória pélvica (DIP): Inflamação nos órgãos reprodutivos;
• Adenomiose: Crescimento do tecido endometrial nas paredes musculares do útero.
Outros Fatores reúnem:
• Stress;
• Estilo de vida, como tabagismo, sedentarismo e dieta;
• Anormalidades uterinas ou cervicais.
Tratamento de cólica
O tratamento da dismenorreia dependerá da causa subjacente. “Para cólicas menstruais leves a moderadas, analgésicos, anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e medidas de conforto, como aplicação de calor, podem ser eficazes”, afirma França.
Em casos mais graves ou associados a condições médicas, pode ser necessário um tratamento mais específico, incluindo abordagens medicamentosas ou cirúrgicas.
Nas seguintes situações, a recomendação é procurar um médico:
• Se a dor for intensa e interferir significativamente nas atividades diárias;
• Se a dor não responder a analgésicos de venda livre, como ibuprofeno ou paracetamol;
• Na presença de sintomas adicionais, como febre, vômito, diarreia, tontura ou desmaios;
• Antes alterações na intensidade ou padrão da dor menstrual;
• Na presença de condições de saúde pré-existentes, como endometriose, miomas uterinos ou doenças inflamatórias pélvicas.









