DIU: Quais são as vantagens e desvantagens desse método contraceptivo?
Longa duração, alta eficácia e ação local estão entre os pontos positivos dessa estratégia para prevenir a gravidez; custo, dor para colocar e efeitos colaterais estão entre os negativos
Por Marcella Centofanti, Colaboração Para Marie Claire — São Paulo
O DIU é a estratégia contraceptiva escolhida por 14,3% das mulheres em idade reprodutiva no mundo. Como qualquer método de prevenção de gravidez, ele tem vantagens e desvantagens, que dependem também da versão do dispositivo intrauterino: hormonal e não hormonal.
Quais são as vantagens do dispositivo?
Um dos principais pontos positivos do dispositivo intrauterino em relação aos outros métodos anticoncepcionais é a longa duração. Uma vez inserido no útero da paciente por meio do canal vaginal, o DIU hormonal, conhecido como Mirena, evita a gravidez por até cinco anos. Já o não hormonal, também chamado de DIU de cobre, protege por até doze anos.
Outra vantagem é a eficácia da estratégia, acima de 99% tanto na versão hormonal quanto na não hormonal. O Mirena é ainda um tiquinho mais eficaz que o modelo em cobre: 99,8%, ante 99,4%. A taxa de falha da pílula anticoncepcional, para efeito de comparação, chega a 8%.
“O DIU de cobre precisa estar na posição certinha. Se ele sair um pouco do lugar, a pessoa corre o risco de engravidar”, diz a ginecologista Luciana Taliberti, diretora da clínica médica Trina.
Mais um aspecto a favor do dispositivo é sua ação restrita ao útero. O DIU não altera os hormônios nem impede a ovulação, como faz o anticoncepcional oral. “A pílula diminui a produção de testosterona, o que acaba diminuindo a libido, uma queixa muito frequente das pacientes”, afirma Taliberti.
A ginecologista Ilza Maria Urbano Monteiro, presidente da Comissão de Anticoncepção da Febrasgo, concorda que o efeito local do método é um benefício sob o ponto de vista da sexualidade: “Alguns estudos mostram que pode ser uma vantagem, porque a mulher tem a sua fertilidade preservada de uma forma mais prazerosa”.
Para Monteiro, outro grande ponto positivo do DIU, nesse caso o hormonal, é que ele tirou muitas pessoas com excesso de sangramento da fila da cirurgia.
“Quando a mulher chega por volta dos 40, 45 anos, começa a ter um sangramento aumentado por conta do climatério. Em algumas, isso leva à anemia. Nem sempre as pílulas funcionam nesses casos. Quando não havia um tratamento eficaz, fazia-se a retirada do útero. As taxas de histerectomia caíram no mundo inteiro após o aparecimento do DIU hormonal”, aponta Monteiro.
Quais são as desvantagens do DIU?
Alguns métodos comuns, como a pílula e a camisinha, têm a facilidade de estar disponíveis na farmácia mais perto de você. O DIU, por outro lado, precisa ser colocado no consultório, por um profissional de saúde qualificado.
O dispositivo, por si só, custa aproximadamente de 100 a 1000 reais, sendo a versão hormonal a mais cara. No entanto, a necessidade da mão de obra médica encarece o método. A usuária vai precisar não somente do auxílio para o objeto ser introduzido no útero, como também de ultrassons periódicos para acompanhar se o DIU está no lugar certo.
“No entanto, quando a gente compara o custo de um dispositivo dividido pelo seu tempo de duração, ele é mais barato do que qualquer medicamento que eu vá comprar mensalmente”, afirma a ginecologista Mariane Nunes de Nadai, professora da medicina da USP de Bauru, médica parceira da DKT South America.
Outra grande desvantagem do DIU é que o processo de inserção no útero pode ser dolorido e até mesmo insuportável para algumas mulheres. Anestésicos aplicados com cremes ou agulhas ajudam a diminuir o desconforto. Além disso, para as usuárias da versão hormonal, o Kyleena é mais fino do que o Mirena e, por isso, pode causar menos dor durante a inserção.
Outro ponto negativo, nesse caso em relação ao preservativo, é que o DIU não previne contra as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
O DIU de cobre, especificamente, tem ainda a desvantagem de aumentar muito o fluxo menstrual, um efeito que pode desencadear anemia nas pacientes. “Se a pessoa sangrar muito, não adianta ficar repondo ferro, porque todo mês ela vai mandar esse ferro embora [no sangue]”, aponta Taliberti.
Essa versão do dispositivo também causa cólica. Para quem sofre com essas dores e também com fluxo intenso, o método é contraindicado. O DIU hormonal, ao contrário, pode ser benéfico para essas pessoas. “Estima-se que 97% das pacientes param de menstruar com o Mirena e 50% com o Kyleena. Mesmo que ela não pare de menstruar, diminui a quantidade de sangue”, diz Taliberti.









