Paralisia de Bell: 'Mesmo tarefas simples, como comer e passar batom, ficaram difíceis de fazer'
Quando a influenciadora digital Marina Dias, 20, percebeu que sua boca havia entortado, ela entrou em desespero porque pensou que poderia ser um AVC. Mais tarde, ela descobriu que era paralisia de Bell, uma condição neuromuscular que resulta da inflamação do nervo facial, causando fraqueza ou paralisia dos músculos de um lado do rosto
Marina Dias, 20, é influenciadora digital e viralizou no TikTok alertando seus seguidores sobre paralisia de Bell, uma condição que paralisou o lado direito do seu rosto.
A boca torta de Dias foi um dos primeiros sinais que chamou a atenção da sua família. Era março de 2023 quando a influenciadora digital dormiu de um jeito e literalmente acordou de outro.
“Amanheci com uma dor de ouvido no lado direito, mas, até então, achei que era um incômodo normal. Coloquei aqueles remédios de pingar no ouvido e passou. Ao mesmo tempo, eu estava sentindo dores atrás e na lateral do pescoço, também do lado direito”, relata.
No dia seguinte, os sintomas começaram a se intensificar. Dias sentiu a língua dormente e, mais tarde, os lábios. Ela associou o incômodo ao fato de ter comido algo quente. A mãe da jovem insistiu para ela ir ao médico, mas a influenciadora digital não via necessidade.
A ficha só caiu quando a irmã de Dias sinalizou que sua boca estava torta e, ao se olhar no espelho, percebeu que era verdade. “Entrei em pânico. Fiquei com muito de ser um AVC porque quando pesquisamos na internet os sintomas que eu estava sentindo, só dava isso”, lembra.
No dia 20 de março, a influenciadora recebeu o diagnóstico de paralisia de Bell depois de fazer uma avaliação clínica em que o médico pediu para ela fazer diferentes movimentos com a face e nenhum deles sair como esperado.
Os desafios de ter paralisia de Bell
O quadro da influenciadora digital foi considerado leve. Mesmo assim, foi o suficiente para Dias sentir dificuldade até mesmo nos hábitos mais simples do dia a dia.
“Eu não conseguia comer direito, por exemplo. E como o meu conteúdo na internet é voltado para maquiagem, passar batom é algo muito natural para mim e eu não conseguia mais fazer isso”, relata. Dias sentia os lábios tortos ao tentar aplicar o produto de beleza.
A influenciadora digital lembra também que, ao pesquisar sobre a paralisia de Bell na internet, ela se deparou com o exercício da bexiga. Ele consistia basicamente em tentar encher o balão para recuperar os movimentos da face.
“Na hora que eu tentei encher, era impossível. Eu fazia a maior força do mundo e não ía. Encher bexiga é algo tão simples e não conseguir mais, mexe muito com você. É frustrante”, reflete. Quando Dias conseguiu enchê-la minimamente, o sentimento de realização foi grande.
Além dos desafios físicos que a jovem enfrentou com a paralisia de Bell, ela teve que lidar também com os conflitos psicológicos ao receber o diagnóstico.
“Nos três primeiros dias, eu só chorava. Até que fui no Instagram contar para os meus seguidores o que estava acontecendo e naquele momento me senti bem em compartilhar, porque eles me acolheram. Só que, ao mesmo tempo, teve muitos haters. Muita gente comentando que eu estava torta”, lembra.
Um dos motivos que fez Dias se sentir acolhida ao revelar sobre a paralisia de Bell para os seguidores foi o fato de muitos terem contado que já haviam passado pelo mesmo e tiveram desfechos positivos. Estima-se que a condição afeta de 13 a 34 pessoas a cada 100 mil habitantes.
O que causa a paralisia de Bell?
“A paralisia de Bell é uma condição neuromuscular que resulta da inflamação do nervo facial, causando fraqueza ou paralisia dos músculos de um lado do rosto”, explica a neurologista Polyana Piza, do Hospital Israelita Albert Einstein.
A paralisação faz com que a aparência fique distorcida, “como se a boca entortasse para um lado e houvesse dificuldade em fechar o olho desse mesmo lado”, completa a neurologista. O paciente ainda pode ter dificuldade para manejar a saliva e sentir o alimento enquanto mastiga na lateral acometida.
A influenciadora digital ainda não sabe exatamente o que causou seu quadro de paralisia de Bell, mas uma das explicações pode ser a infecção de ouvido (otite) que teve.
“A condição ainda pode ter causas metabólicas como o diabetes mellitus, infecções de mastoide como mastoidites, infecções virais como a do vírus da influenza, herpes, além de outras doenças infecciosas”, detalha a neurologista Alessandra Colombi, do Hospital viValle, da Rede D’Or.
O tratamento para paralisia de Bell
De acordo com Colombi, o início do tratamento da paralisia de Bell se dá com a intervenção na causa da condição. Por exemplo, se o problema surgiu devido ao diabetes, ele deve ser controlado. Caso tenha sido em decorrência do vírus da herpes, o paciente deve receber a medicação específica para a infecção viral e assim sucessivamente.
“O tratamento ainda pode envolver o uso de corticosteroides para reduzir a inflamação, medicamentos para amenizar a dor e desconforto, proteção do olho afetado para prevenir lesões, fisioterapia para ajudar na recuperação dos músculos faciais e, em alguns casos, cirurgia para corrigir danos permanentes”, enumera Piza.
Dias realizou inicialmente 12 sessões de fisioterapia, mas não foi o suficiente para os movimentos da face retornarem. O neurologista decidiu prescrever mais 13, totalizando 25 sessões e 103 dias de intervenção. Atualmente, seu rosto está quase 100% dentro da normalidade.
A estimativa é que o quadro de paralisia de Bell seja revertido por completo em seis meses, “podendo melhorar antes e poucos casos permanecem com sequelas”, completa Colombi.









