Cansaço, má digestão e insônia: sintomas de doenças cardiovasculares que as mulheres não podem ignorar
Nas mulheres, o infarto pode se manifestar dias antes do evento agudo. Ficar atenta aos seus sinais e sintomas, que são pouco conhecidos até pela classe médica, ajuda a salvar vidas
As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte de mulheres no planeta. Matam mais do que todos os tipos de câncer somados. Ainda assim, as manifestações clínicas do infarto nelas são pouco conhecidos até mesmo pelos médicos, que dirá pelos leigos.
Mais do que os homens, as mulheres podem ter os chamados sinais e sintomas prodrômicos, que aparecem dias antes de um evento cardiovascular.
Entre as manifestações estão:
- Cansaço anormal;
- Insônia;
- Fadiga para o exercício físico;
- Palpitação ou arritmia cardíaca;
- Má digestão.
Trata-se de ocorrências difusas que podem ser atribuídas a outras causas e, por isso, muitas vezes passam batidas, até culminar em um evento agudo.
“Se a mulher percebeu uma mudança de padrão no seu funcionamento cotidiano, deve procurar o serviço de saúde. É melhor que ela passe por uma avaliação e não seja nada, do que ser um evento cardiovascular e não ter ajuda médica”, adverte a cardiologista Salete Nacif, do Hcor.
Apresentado por Amil
Doenças Cardiovasculares:
Infarto em mulher
Os mecanismos do infarto podem ser diferentes neles e nelas. Um dos motivos é anatômico. O nosso coração é menor que o deles e as nossas veias coronárias — que levam oxigênio e nutrientes para os músculos do coração —, mais finas.
Além disso, fatores genéticos, biológicos e hormonais causam na mulher infartos não necessariamente por entupimento de artéria por placa de gordura. “O nome que a gente usa pra esse fenômeno é minoca, uma sigla em inglês para infarto do miocárdio sem lesões obstrutivas na coronária”, diz Nacif.
Segundo a médica, muitas vezes os próprios cardiologistas erroneamente avaliam que a paciente está bem, porque os exames iniciais, como o eletrocardiograma, não apontam anormalidades. A mortalidade por minoca, no entanto, é tão alta quanto por artéria entupida. Esse mecanismo é responsável por 10 a 15% das doenças cardíacas isquêmicas em mulheres jovens.
“Só agora a comunidade científica está se debruçando para esse mecanismo das mulheres e descobrindo que muitas infartam por outras causas, como o espasmo coronário. Nesse caso, o vaso coronário sofre um espasmo momentaneamente por uma descarga de adrenalina e fecha o fluxo sanguíneo por alguns minutos”, explica a médica.
Nacif afirma que esses conhecimentos estão sendo disseminados nos congressos de cardiologia “de uns cinco anos para cá”.
Sinais e sintomas da fase aguda
Na fase aguda, alguns sinais e sintomas do infarto são iguais para homens e mulheres: dor no peito que irradia para o braço esquerdo, para a mandíbula ou para as costas, acompanhada de sudorese e palidez. Entre elas, entretanto, as manifestações podem não ser tão típicas. Em vez de dor no peito, ela pode ter uma dor no estômago, por exemplo.
Ainda assim, as queixas delas não são tão valorizadas quanto as deles. “Estudos mostram que a mulher é mais negligenciada do que os homens nesse primeiro atendimento no hospital. Ela é menos diagnosticada no pronto-socorro, menos encaminhada para tratamentos específicos, como a colocação de stent e menos encaminhada para cirurgias, como a ponte de safena. A mulher é menos tudo”, lamenta Nacif.
O problema da falta de atendimento para um evento cardiovascular, além do risco de óbito, é que a pessoa pode ficar com uma diminuição de força do músculo cardíaco, evoluindo para um quadro chamado insuficiência cardíaca. O bombeamento do sangue para o corpo fica enfraquecido de uma maneira até irreversível, comprometendo a qualidade de vida da pessoa.









