Perda de memória, insônia e mudança corporal: 6 sintomas de que você está na pré-menopausa
A queda do estrógeno começa a se manifestar anos antes de a última menstruação anunciar o fim da vida reprodutiva. Quanto mais perto da menopausa, mais as queixas tendem a se intensificar
Alguns sinais e sintomas da menopausa já são bastante conhecidos. O mais evidente deles é o fim da menstruação. No entanto, a transição para o término da vida reprodutiva começa bem antes de o sangramento parar e está associado a várias queixas. Trata-se de um período chamado perimenopausa ou pré-menopausa.
Não existe uma definição sobre quanto tempo dura essa fase. Em média, estima-se que seja um período de aproximadamente três anos antes da última menstruação — o aniversário que marca a menopausa. Os sinais e sintomas, porém, podem começar mais cedo. Depende de pessoa para pessoa.
O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na idade da paciente e em seu quadro. Não tem um exame preciso para identificar a perimenopausa. Alguns testes, no entanto, podem descartar condições como hipotireoidismo ou doenças autoimunes, que eventualmente desencadeiam manifestações semelhantes aos dessa fase da vida.
Depois disso, o médico pode prescrever um tratamento, que reúne medicamentos como terapia hormonal e mudanças no estilo de vida para amenizar as queixas.
Os sinais e sintomas da perimenopausa são parecidos com os que aparecem ao fim do período reprodutivo, porém menos intensos. Duas médicas contam quais são as manifestações mais comuns nesse período.
Irregularidade menstrual
O ciclo menstrual, que antes vinha a cada 28 dias, começa a ficar bagunçado. Num mês a menstruação desce mais cedo, no outro, mais tarde. De repente, a pessoa fica 3 meses sem sangrar, depois sangra de novo. É comum também relatos de alteração no fluxo, mais intensos ou mais leves.
A explicação é que, ao contrário dos homens, que produzem espermatozoides novos todos os dias, as mulheres nascem com todos os óvulos que terão. Com o passar do tempo, os ovários produzem menos hormônios e os óvulos se tornam menos sensíveis ao estímulo hormonal. Quando o estoque acaba, é o fim da nossa vida reprodutiva.
É importante salientar que nem todas as mulheres vão apresentar esse sinal. “Eu pego pacientes sem alteração no ciclo menstrual mas com vários sintomas que também sinalizam uma queda na produção de estrogênio”, aponta a endocrinologista Karen de Marca, diretora da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem).
Perda de memória
De repente, parece que as palavras somem da ponta da língua. Você se esquece do nome de uma pessoa do seu convívio ou até mesmo de objetos prosaicos do dia a dia. Outra situação: você vai à sala de casa pegar algo e, ao chegar lá, não se lembra do que foi buscar. Em inglês, esse quadro se chama brain fog, ou névoa cerebral.
“É um dos sintomas mais comuns [da perimenopausa]. Quase todo mundo tem”, diz de Marca. O esquecimento não afeta a memória antiga, mas aquela imediata e verbal.
É sabido que a queda do estrogênio pode ter um impacto cognitivo. Além disso, as interrupções no sono, que por sua vez podem ser influenciadas pelas ondas de calor, também prejudicam a clareza mental.
Segundo a endocrinologista, alguns autores defendem que começar o tratamento de reposição hormonal o mais cedo possível previne alterações cerebrais que podem levar à demência. “Não se pode afirmar com certeza, mas é uma tese”, aponta.
Alteração de sono
O sono não é mais o mesmo. Agora, você leva mais tempo para adormecer, acorda várias vezes à noite ou desperta antes da hora programada. “A insônia das 3 horas da manhã é clássica”, diz a médica da Sbem. A pessoa dorme cansada e se levanta exausta.
Sem informação sobre a perimenopausa, a mulher atribui esse sintoma à vida corrida, ao stress, ao esgotamento físico e mental. Daí, deixa para buscar ajuda médica somente quando para de menstruar.
Ondas de calor
As ondas de calor, conhecidas como fogacho, são causadas por um aumento abrupto da temperatura corporal. De repente, a pessoa sente um calorão no tórax, no pescoço e no rosto. Ela transpira por alguns minutos, até que o termostato do corpo volta ao normal.
Na pré-menopausa, o calorão pode estar presente com menos intensidade. “O fogacho vem a qualquer hora, mas as mulheres se queixam mais à noite, porque é mais perceptível e interrompe o sono”, diz a ginecologista Lucia da Costa Paiva, professora titular de ginecologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e presidente da Comissão Nacional Especializada de Climatério da Febrasgo.
O sintoma está ligado à queda no estrogênio, que age no eixo controlador da temperatura corporal no sistema nervoso central. “Quando os níveis de hormônio começam a ficar muito bagunçados, esse centro fica desregulado também. Daí a pessoa perde calor na hora errada e de forma errada”, explica Paiva.
Oscilação de humor
Algumas mulheres ficam mais irritadas, ansiosas ou tristonhas. Crises de choro podem se tornar mais frequentes.
Qualquer semelhança com a TPM não é mera coincidência. Para Paiva, porém, há uma diferença. “Acho que na TPM a mulher fica brava e mal-humorada. No climatério vejo uma prevalência dos sintomas depressivos. Se a pessoa já tem depressão, a doença tende a se agravar nessa fase”, diz a ginecologista.
A culpa, pra variar, é da flutuação hormonal. A queda no estrogênio causa alterações de uma série de neurotransmissores, como a serotonina e a dopamina, associados à sensação de bem-estar.
Mudança no formato do corpo
A perimenopausa é uma fase em que muitas mulheres observam uma mudança no corpo. Mesmo sem alterar o padrão alimentar, algumas notam ganham de peso. Outras percebem ainda um acúmulo de gordura na região da barriga.
“Mesmo antes de entrar na menopausa, elas chegam no consultório e falam que está ficando difícil perder peso. Malham todos os dias e fazem dieta, mas a composição corporal não é mais a de antes”, aponta de Marca.
A queda do estrogênio facilita o acúmulo de gordura na barriga e a diminuição da adiposidade periférica. Aquela pessoa que tinha o corpo no formato pera, com o quadril mais largo do que a cintura, percebe que a proporção vai se invertendo.
“Quando aumenta de tamanho, o tecido adiposo abdominal começa a secretar fatores inflamatórios que vão levar à resistência insulínica e podem predispor diabetes, colesterol alto e hipertensão arterial”, diz a endocrinologista.









