Autoteste rápido de menopausa: funciona mesmo?
A partir de uma amostra de urina, o exame à venda nas farmácias aponta em até 3 minutos se o fim da vida reprodutiva chegou. Resultado, no entanto, pode não ser definitivo
A menopausa é uma fase da vida que costuma causar ansiedade em muitas mulheres. Na dúvida para saber se já chegaram lá, algumas recorrem aos autotestes disponíveis nas farmácias por preços que variam de 20 a 60 reais.
O exame funciona nos moldes dos de gravidez. Basta um mergulho na urina para, em até 3 minutos, a pessoa descobrir se está no fim da vida reprodutiva ou não. Os autotestes à venda nas drogarias se baseiam na dosagem do FSH. Trata-se do hormônio folículo-estimulante, que estimula a secreção de estrogênio, responsável pelo desenvolvimento e pela maturação dos folículos ovarianos.
Durante a menopausa, o FSH aumenta porque os ovários, que produzem hormônios como o estradiol, deixam de funcionar corretamente. Sem essa produção, o cérebro libera mais FSH para tentar estimular os ovários.
Porque o teste não é uma resposta definitiva
Só que não é tão simples assim. “O autoteste pode ajudar a diagnosticar a menopausa? Pode. Mas tem outros aspectos que devem ser levados em conta. O resultado do exame não é uma resposta definitiva”, afirma Mônica de Oliveira, diretora do Departamento de Endocrinologia Feminina, Andrologia e Transgeneridade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
O principal problema é que os níveis de FSH flutuam ao longo do ciclo menstrual, especialmente durante a transição para a menopausa. O hormônio sobe no meio da fase folicular (entre o primeiro dia da menstruação e a ovulação), desce um pouquinho e alcança seu pico durante a ovulação. Na fase lútea, que se inicia a partir daí, ele cai novamente.
Ninguém entra no fim da vida reprodutiva da noite para o dia. Entre os 45 e 55 anos, em média, a função ovariana diminui. Antes de cessar de vez, os ovários podem ter uma resposta esporádica, levando a variações hormonais imprevisíveis.
Por isso, a menopausa é diagnosticada clinicamente, com base na ausência de menstruação por 12 meses consecutivos, associada a sintomas como fogachos, secura vaginal e irritabilidade. Se a mulher menstrua, digamos, depois de 11 meses sem sangrar, a contagem zera. “O teste isolado não substitui essa avaliação clínica”, aponta a endocrinologista.
Casos especiais
Há situações em que o autoteste deve ser interpretado com cautela. Mulheres que usam pílulas anticoncepcionais podem ter resultados enganosos, pois os contraceptivos interferem na produção de FSH. “Se o teste indicar níveis elevados mesmo com o uso de pílula, a mulher pode estar próxima da menopausa. Mas um resultado normal não descarta essa possibilidade”, diz Oliveira.
Outro exemplo envolve pessoas preocupadas com a fertilidade. Um teste negativo não garante que a menopausa ainda esteja distante, e decisões importantes, como planejar uma gravidez, não devem ser adiadas com base apenas no resultado.
Se o exame mostrar níveis persistentemente altos de FSH ao longo de um mês, pode haver indícios de climatério. No entanto, a confirmação exige uma avaliação médica detalhada, considerando idade, sintomas e histórico de saúde.









