‘Espremi uma espinha e fiquei com metade do rosto desfigurado’
A assistente de marketing Ana Carolina Alves Cordeiro, de 23 anos, melhorou quando tomou remédios e quando sua mãe, que é enfermeira, ficou cerca de 4 horas drenando o pus de sua face. No pronto-socorro, o médico sugeriu interná-la
Por Alice Arnoldi, em colaboração para a Marie Claire — de São Paulo (SP)
A assistente de marketing Ana Carolina Alves Cordeiro, de 23 anos, sempre teve o costume de espremer espinhas em seu rosto. Só que a última experiência causou uma lesão grave que quase a levou a ficar hospitalizada.
O episódio aconteceu em maio de 2024. Cordeiro percebeu que havia uma espinha interna próxima ao seu lábio no lado esquerdo e tentou tirá-la. “No caminho do meu serviço, a região ficou vermelha. A lesão piorou ao longo do dia e formou uma casquinha preta”, relata.
No dia seguinte, a assistente de marketing diz que seu rosto estava “anormal” a ponto de ela não conseguir trabalhar. A moradora de São Paulo (SP) procurou um posto de saúde, onde foi medicada com uma injeção de anti-inflamatório e xarope para tomar em casa, além de uma pomada para passar no local.
“Eu não conseguia comer porque doía bastante o rosto. O incômodo era tanto que eu só queria dormir porque era o único momento que eu não sentia nada”, relata.
Quando Cordeiro acordou, sua face estava desfigurada e latejando. Ela procurou o pronto-socorro para entender o que estava acontecendo. “Era perceptível que era uma urgência, mas não trataram assim e fiquei esperando a senha normalmente”, lembra.
Após a consulta, ela realizou coleta de sangue e ressonância da face. Apesar de o inchaço visível, o médico optou por não drenar o local porque os dois exames não indicaram infecção e, consequentemente, presença de pus no local.
A mãe de Cordeiro é enfermeira e ficou inconformada com a situação. Ela foi atrás do superior ao médico que atendeu sua filha para reavaliar o quadro. Esse especialista, então, receitou dois antibióticos e um anti-inflamatório, para tomar de seis em seis horas.
Ele deu a opção de Cordeiro ficar internada, mas informou que, ainda assim, o tratamento não incluiria drenar o local porque os exames não acusavam infecção. “Eu teria que ficar sozinha no quarto e não quis do jeito que estava”, conta.
Um dia após a ida ao hospital, a espinha vazou pus. Quando a mãe da jovem percebeu a saída da secreção, drenou o local com os materiais e cuidados corretos.
“Minha mãe começou a drenar a espinha à meia-noite e foi terminar às 4 horas da manhã. Saía muito pus”, relata. Ao longo da uma semana em que ficou em casa, Cordeiro foi drenando o restante da infecção que saía naturalmente e só assim melhorou.
"Quando o pus cessou, fiquei feliz por ter tirado aquele peso do meu rosto. Parecia que não acabava nunca”, reflete.
Quando a lesão fechou, Cordeiro usou pomada à base de hidroquinona, que auxiliou a clarear a marca que a espinha deixou na pele. No fim do ano de 2024, seu rosto já tinha voltado ao normal, apesar da lesão.
Espinha no rosto: o que fazer para tratá-la
A dermatologista Melissa Yoshimi, do Hospital Nove de Julho, explica que a acne normalmente é causada pela inflamação e/ou infecção das glândulas sebáceas. “Ela surge devido a uma combinação de fatores genéticos, hormonais e alimentares”, completa. A presença de bactérias no local também contribui para o aparecimento da espinha.
Yoshimi enfatiza que não se deve espremer a espinha porque isso apenas aumenta a inflamação do local. A lesão pode tornar-se mais profunda também, correndo o risco de gerar manchas e cicatrizes na pele.
“Para acne inflamatória, é necessário o uso de antibióticos tópicos e orais a depender da extensão e gravidade do quadro”, detalha Yoshimi. A prescrição adequada depende da avaliação do dermatologista.
“A prevenção da acne começa com higiene adequada do rosto com um sabonete ou produto de limpeza indicado especialmente para pele acneica ou oleosa. Também deve-se evitar cosméticos que aumentem a oleosidade”, orienta a especialista.
Uma alimentação equilibrada, que evita açúcares e gorduras, combinada a uma boa ingestão hídrica também auxiliam na prevenção contra a acne.









