Dores articulares na menopausa: entenda por que acontecem e como prevenir
Queda do estrogênio facilita processos inflamatórios e reduz a lubrificação das articulações. Prática de exercício físico é essencial tanto para evitar que o incômodo apareça quanto para tratá-lo
Se você entrou na menopausa e sofre com dores articulares, não está sozinha. Estima-se que mais de 50% das mulheres tenham essa queixa após o fim da vida reprodutiva. O principal responsável é, para variar, a queda do estrogênio.
"Esse hormônio protege as articulações, porque é anti-inflamatório. Com a queda dele, há um aumento da inflamação e, consequentemente, das dores", explica o ortopedista e traumatologista do esporte Bruno Garcia Canizares.
O problema não se limita à inflamação. Com a diminuição do estrogênio, cai também a lubrificação das articulações, aumentando o atrito nelas e, logo, problemas articulares como a artrose e as dores.
Nem sempre os sintomas começam apenas na menopausa. Como o ciclo hormonal da mulher tem variações, há fases em que o estrogênio cai, o que pode provocar dores nas juntas. Além disso, a diminuição do hormônio já pode se iniciar alguns anos antes da última menstruação, durante a perimenopausa.
As dores afetam principalmente as articulações de membros inferiores, que são responsáveis por sustentar o peso do corpo. Quadris, joelhos, tornozelos e coluna são as mais suscetíveis a problemas.
O sobrepeso é um dos principais fatores de risco para esse tipo de queixa, especialmente nas articulações de carga. Além disso, algumas doenças autoimunes e reumatológicas podem aumentar a vulnerabilidade das juntas. "A artrite reumatoide é o principal diagnóstico diferencial que a gente tem que estar sempre atento", aponta Canizares.
Como prevenir e tratar as dores articulares
Embora não seja possível evitar a menopausa, dá para prevenir os problemas articulares. O principal aliado é o exercício físico.
Canizares recomenda praticar atividades moderadas, como caminhada, pilates, musculação e hidroginástica, de preferência antes de os sintomas aparecerem. O exercício físico mais intenso só é indicado para quem já tem histórico de atividade física.
A corrida, por exemplo, não é contraindicada, mas é preciso o aval de um profissional de saúde antes de dar largada. "Cada paciente tem que ser avaliado por um médico para determinar qual exercício ele pode realizar. Em alguns casos, é possível evoluir gradualmente da caminhada para a corrida. Até mesmo pessoas com artrose podem correr, se tiverem orientação adequada", afirma o ortopedista.
Mexer o corpo melhora a lubrificação articular. Outro ponto importante é que uma musculatura fortalecida reduz a sobrecarga sobre as articulações. "É como se o peso fosse dividido com os músculos, protegendo a articulação, que é uma estrutura mais sensível, e a cartilagem, um tecido nobre", acrescenta.
O médico também ressalta a importância de manter um peso saudável, seguir uma alimentação equilibrada e, em alguns casos, considerar a reposição hormonal com acompanhamento médico.
E se a dor já estiver presente?
Mesmo quem já sente dores articulares deve continuar se exercitando, mas com orientação profissional. "O exercício físico controlado, indicado e com acompanhamento vai diminuir a dor e proporcionar mais mobilidade", diz Canizares.
Além disso, pode ser benéfico consumir alguns suplementos, como o ômega 3, que tem ação anti-inflamatória para as articulações, o colágeno e o ácido hialurônico, que aumentam a lubrificação articular.
Em alguns casos, são indicados procedimentos como a infiltração articular de ácido hialurônico e a terapia de reposição hormonal, que repõe o estrogênio e reduz a inflamação.









