Saúde

Por Alice Arnoldi, em colaboração para a Marie Claire — de São Paulo (SP)

A chegada dos 50 anos costuma ser emblemática para o público feminino. Além das reflexões e mudanças emocionais trazidas pela consciência de já ter vivido meio século, o corpo também pede um cuidado redobrado. Mas por onde começar?

Nesta reportagem, a Marie Claire preparou um guia de quais especialidades não podem ficar de fora nas primeiras consultas ao completar 50 anos.

1. Ginecologista

De acordo com a ginecologista Consuelo Callizo Genes, diretora médica do CEPARH, a consulta ginecológica deve acontecer de uma a duas vezes por ano quando a paciente tem 50 anos e não faz nenhum tratamento que diminua o intervalo entre as visitas à ginecologista.

“A importância de uma paciente de 50 anos fazer acompanhamento ginecológico se dá porque ela está em uma fase em que se aumenta o risco de cânceres, como o de colo de útero, endométrio, e das mamas”, explica Genes.

A paciente cinquentenária também passa por alterações hormonais importantes que acarretam em cansaço, irritabilidade, mudança na libido e entre outros sintomas que podem ser tratados no consultório ginecológico.

A ida a essa especialidade médica aos 50 anos também é importante devido a menopausa. Com o tratamento adequado, como a reposição hormonal, é possível amenizar as alterações no organismo causadas pelo fim do ciclo reprodutivo feminino.

Os exames ginecológicos que devem ser realizados aos 50 anos são:

  • Mamografia, uma vez por ano, acompanhada pela ultrassonografia mamária;
  • Ultrassom transvaginal;
  • Papanicolau.

A ginecologista ainda pode pedir uma colonoscopia, densitometria óssea (a depender do estilo da mulher) e até mesmo um hemograma completo para complementar os achados dos exames ginecológicos.

2. Endocrinologista

O endocrinologista também deve ser consultado pela mulher ao completar 50 anos porque é um período em que "se aumentam os riscos de doenças como hipotireoidismo, diabetes tipo 2, osteoporose, alterações no colesterol e, em algumas mulheres, a síndrome metabólica. Esses riscos aumentam porque a queda dos hormônios sexuais (como estrogênio) afeta o metabolismo, a sensibilidade à insulina e a saúde dos ossos”, explica o endocrinologista Renato Zilli, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabolismo e do corpo clínico do Hospital Sírio Libanês.

Os exames pedidos pelo endocrinologista para o diagnóstico dessas possíveis doenças são:

  • Avaliação da tireoide (TSH, T4 livre, anticorpos tireoidianos);
  • Glicemia de jejum e hemoglobina glicada;
  • Perfil lipídico (colesterol e triglicérides);
  • Dosagem de vitamina D e cálcio;
  • Densitometria óssea;
  • Avaliação hormonal se necessário (como FSH e estradiol).

“O ideal é fazer pelo menos uma consulta por ano, mesmo que esteja tudo bem. Se existir alguma alteração hormonal ou metabólica — como tireoide alterada, osteopenia, pré-diabetes, ou sintomas de menopausa — a frequência pode ser ajustada para cada seis meses”, explica Zilli.

O endocrinologista reforça que as mudanças previstas a partir dos 50 são naturais, mas não inevitáveis. Com o acompanhamento médico adequado, é possível passar por elas com saúde.

3. Cardiologista

A chegada dos 50 anos significa, na maioria dos casos, dar boas-vindas para a menopausa também e é a partir da desregulação hormonal desse período que surgem os problemas cardiológicos.

“Antes da menopausa, a mulher, por conta do estrogênio, tem uma certa proteção do ponto de vista cardiovascular. À medida que se tem uma mudança do perfil hormonal, perde-se esse mecanismo de proteção”, explica a cardiologista Lídia Moura, especialista da plataforma de carreira médica da PUCPR.

A mulher torna-se mais suscetível principalmente a dois quadros cardiológicos: o da doença arterial coronariana (DAC) atípica e insuficiência cardíaca com a capacidade de relaxamento prejudicada.

O ideal é que a mulher com 50 anos faça acompanhamento a cada seis meses com o cardiologista. O período entre as consultas pode ser maior ou menor a depender do quadro clínico da paciente.

Dependendo da queixa da mulher, pode ser importante realizar exames como ecocardiograma e teste cardiopulmonar. Mas avaliações básicas como hemograma completo também são importantes.

4. Dermatologista

É indicado que a mulher com 50 anos passe em consulta com dermatologista a cada seis meses.

“Nessa idade, a diminuição hormonal de progesterona e estrogênio faz com que a pele fique mais fina. Além disso, há uma produção muito menor de colágeno, elastina e gags, que são glicosaminoglicana, substâncias que ajudam no armazenamento da água na pele, portanto, ela se torna mais ressecada”, explica a dermatologista Vanessa Nunes.

A pele também não consegue se renovar como antes, acumulando células mortas e ficando ainda mais frágil e flácida. “Com o afinamento da pele, os capilares tornam-se tão frágeis que qualquer traumatismo bobo, como bater no móvel ou até com outra pessoa, pode fazer hematomas”, completa a especialista.

As manchas aos 50 anos também são um ponto de atenção das consultas dermatológicas. Quanto mais cedo elas são identificadas e analisadas, maiores são as chances de tratamento adequado. Inclusive, essa corrida contra o tempo é fundamental no diagnóstico do câncer de pele.

O cabelo também sofre alterações nessa faixa etária devido a prevalência da testosterona. Os fios tendem a ficar mais ressecados, finos, quebradiços e propensos à queda.

A principal orientação de Nunes é um tratamento que olhe de forma 360 para a mulher, a partir de uma alimentação equilibrada, prática de exercício físico, manejo do sono e boa hidratação.

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