Bem-vinda aos 50: o que muda no corpo da mulher a partir dessa idade?
A chegada da menopausa aumenta o risco de doenças cardiovasculares e metabólicas, além de trazer desafios relacionados à saúde ginecológica e dermatológica
Por Alice Arnoldi, em colaboração para a Marie Claire — de São Paulo (SP)
A sensação de que você é uma nova mulher após completar 50 anos não é por acaso. O organismo feminino muda significativamente nesse período, principalmente nos âmbitos endócrino, gineco, dermato e cardiológico.
Os 50 anos costuma corresponder à chegada da menopausa, e isso implica em uma série de mudanças para a mulher, como tendência ao ganho de peso, aumento do risco de infarto, igualando a taxa com a de homens, e perda de massa óssea.
"A transição para a menopausa também está associada a um aumento significativo no risco de desenvolver doenças metabólicas, como diabetes tipo 2. Estudos indicam que, durante a perimenopausa, as chances de ter síndrome metabólica aumentam em 45% a cada ano, e após a menopausa, esse risco permanece 24% mais alto em comparação ao período pré-menopausa", pontua o endocrinologista Renato Zilli, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês.
A incidência de diabetes tipo 2 aumenta cerca de 3 a 4 vezes após os 50 anos.
Zilli defende que a chave para manter uma vida mais estável, e sem permear esses riscos, se dá por meio de um estilo de vida saudável. "Manter 150 minutos semanais de atividade física reduz em até 40% o risco de doenças crônicas. Quem investe em praticar exercício, boa alimentação, bom sono e autocuidado vive não só mais, mas muito melhor", reflete.
As mudanças na área cardiológica
A queda dos níveis hormonais sexuais femininos a partir dos 50 anos favorece o aparecimento de doenças cardiovasculares. A cardiologista e médica do esporte Cristina Milagre, do HCor, explica que com a menopausa há uma queda importante do estrogênio, e é a partir disso que os problemas surgem.
"Além do colesterol que piora nesse período, a mulher tem mais chances de ganhar peso porque o estrogênio é um hormônio que o regula. Os calores característicos do período favorecem alterações na pressão arterial e distúrbios do sono, em que a mulher acaba acordando com frequência e não consegue voltar a dormir. Isso também impacta na saúde cardiovascular", pontua Milagre.
Prática de atividade física, boa alimentação e controle do peso são fundamentais para tentar evitar esses problemas aos 50. Para além dessas atitudes, Milagre reforça a importância da reposição hormonal na menopausa. Isso porque, ao melhorar os sintomas associados ao fim do período reprodutivo, a tendência é que o coração feminino fique mais protegido também.
As mudanças na área ginecológica
Os benefícios do estrogênio para o organismo feminino são diversos. Entre eles estão melhora da pele e do cabelo, lubrificação vaginal, manutenção da musculatura pélvica, bem-estar psicoemocional e ajuda na deposição da gordura corporal feminina.
"Com a parada da produção de estrogênio na menopausa, vêm as ondas de calor por desequílibrio no sistema vasomotor, secura e atrofia vaginal, atrofia e substituição da glândula mamária por gordura, ficando mais amolecidas e flácidas", enumera o ginecologista Alexandre Pupo, médico associado à Febrasgo.
Essas mudanças acabam interferindo diretamente na vida sexual feminina. A vagina, ao ficar mais seca e menos elástica, faz com que a mulher tenha dor na relação sexual e, consequentemente, não queira mais transar.
"Somado a isso, a mulher passa a ter uma pequena atrofia do clitóris. Isso também começa a diminuir a capacidade de atingir orgasmo. [O clímax] vai ficando mais demorado, necessitando de mais estímulo para que se chegue ao prazer", esclarece Pupo.
As mudanças na estrutura da vagina tornam a mulher mais suscetível a infecções urinárias e incontinência urinária. A região também pode ter pequenas lacerações devido aos desafios na relação sexual.
A chegada dos 50 anos também é uma fase em que há o aumento do risco feminino de desenvolver certos tipos de câncer, como o de mama e endométrio. "Por isso toda mulher, a partir dos 40 anos, deve fazer uma mamografia anual e consultar o ginecologista para uma boa avaliação das mamas", reforça Pupo.
As mudanças na área dermatológica
A dermatologista Natasha Veloso, pós-graduada em dermatologia estética, cirurgia e estética avançada, explica que, ao entrar na quinta década, a mulher tem uma perda importante de colágeno e elastina, substâncias necessárias para a firmeza da pele.
“A pele é como se fosse uma parede, com tijolinhos perfeitamente organizados e resistência para aguentar o tranco. Se ela vai ficando desorganizada e pouco resistente, qualquer coisa a derrubada”, explica Veloso.
Essa processo faz com que a mulher tenha rugas, derretimento facial e aparecimento de lesões. A orientação de Veloso é o uso de tecnologias para reduzir tais problemas — como ultrassom micro ou macrofocado e bioestimulador de colágeno —, combinado a uma rotina de skincare específica para sua idade.
“Para a pele de mulher madura, deve-se usar um sabonete que não seja tão abrasivo, um produto de manutenção, um bom hidratante compatível ao tipo de pele e protetor solar”, enumera a dermatologista.









