Saúde
Por
Marcella Centofanti
, em colaboração para Marie Claire — de São Paulo (SP)

Mamografia ou ultrassom? Essa é uma dúvida recorrente entre mulheres que começam a se preocupar com a saúde das mamas. Embora ambos sejam exames de imagem fundamentais, suas indicações são diferentes e complementares.

A mamografia utiliza radiação de baixa dose e é capaz de identificar microcalcificações, que são sinais iniciais de tumores em estágios muito precoces. Já o ultrassom emprega ondas sonoras, sem radiação, e consegue visualizar melhor nódulos e distorções, sobretudo em mulheres com mamas densas, comuns nas mais jovens.

“Microcalcificações só são visíveis pela mamografia. Por isso, o ultrassom é um exame limitado se usado isoladamente”, explica a mastologista Mônica Travassos Jourdan, vice-presidente da região Sudeste da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).

Além do câncer, ambos os testes ajudam a diagnosticar outras condições, como nódulos benignos e mastites, que são inflamações.

Quando começar a monitorar as mamas?

Segundo a especialista, mulheres sem histórico familiar podem iniciar o acompanhamento com ultrassonografia por volta dos 25 anos. A mamografia passa a ser indicada a partir dos 40 anos, anualmente, conforme a recomendação da SBM e do Colégio Brasileiro de Radiologia.

O protocolo muda em casos de histórico familiar: se a mãe teve câncer de mama aos 40 anos, por exemplo, a filha deve começar a monitorar dez anos antes, ou seja, aos 30. Nesse cenário, tanto o ultrassom quanto a mamografia são introduzidos mais cedo, e, em mulheres com mutações genéticas como BRCA1 e BRCA2, a ressonância magnética também entra no rastreamento, de forma intercalada, para reduzir a exposição à radiação.

Divergência entre diretrizes

No Brasil, há diferenças entre recomendações oficiais. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) preconiza a mamografia a partir dos 50 anos, a cada dois anos, em mulheres sem sintomas ou histórico. A SBM e o Colégio Brasileiro de Radiologia defendem o início aos 40, de forma anual.

Já nos Estados Unidos, o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas atualizou em outubro de 2024 suas diretrizes: a mamografia de rastreamento deve começar aos 40 anos para mulheres de risco médio, com repetição a cada um ou dois anos, conforme avaliação médica.

Segundo o Colégio, novos casos de câncer de mama invasivo entre mulheres de 40 a 49 anos aumentaram, em média, 2% ao ano entre 2015 e 2019. A entidade destacou que a decisão deve ser compartilhada entre paciente e profissional de saúde, considerando histórico individual e preferências pessoais.

A mamografia tem até 92% de sensibilidade, mas pode falhar em casos de mamas muito densas, em exames mal posicionados ou laudados por profissionais pouco experientes. Associada ao ultrassom, a taxa de detecção sobe para 94%, de acordo com Jourdan.

“Na prática, a partir dos 40 anos, a mamografia é o exame principal e o ultrassom entra como complementar. Antes disso, o ultrassom é mais útil por não envolver radiação”, diz a mastologista.

Com o aumento da expectativa de vida, a recomendação é manter o rastreamento, mesmo após os 70 anos. Embora tumores em idades avançadas tendam a ser mais ligados a hormônios — e, portanto, menos agressivos —, há também casos de tumores triplo negativos em idosas, mais agressivos.

Apesar de ser um exame dolorido, a mamografia continua sendo a melhor ferramenta para detectar precocemente o câncer de mama e salvar vidas. “O dia em que conseguirmos garantir a mamografia anual para todas as mulheres a partir dos 40 anos, atingiremos nosso objetivo”, afirma a mastologista.

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