Pílula, DIU, laqueadura: qual é o método contraceptivo mais eficaz?
No Brasil, os números mostram que a preferência ainda recai sobre estratégias que dependem de disciplina diária, como o anticoncepcional oral. Mas existem opções mais eficazes
O dado está um pouco antigo, mas ainda serve como referência. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019, a pílula é o método contraceptivo preferido das brasileiras. Entre aquelas de 15 a 49 anos com vida sexual ativa, 40,6% tomam o anticoncepcional.
Na sequência vêm a camisinha masculina (20,4%) e a laqueadura (17,3%). Com participação bem menor estão os DIUs (0,9%), o implante (diluído nos 0,6% das chamadas estratégias modernas) e os métodos naturais (0,3%). Se o critério fosse eficácia, no entanto, a ordem de preferência deveria ser bem diferente.
Os contraceptivos são divididos em dois grupos: os irreversíveis, como a laqueadura e a vasectomia, considerados definitivos, e os reversíveis, que se subdividem em métodos de curta e de longa duração.
Entre os de curta duração estão a pílula, a injeção mensal, o adesivo e o anel vaginal. Já os de longa duração, conhecidos pela sigla em inglês LARC (long-acting reversible contraceptive), incluem os DIUs, hormonais ou de cobre, e o implante hormonal.
A principal diferença é que, enquanto os de curta duração exigem uso frequente e correto, os LARC são colocados uma única vez e permanecem ativos por anos, o que aumenta muito sua eficácia na prática.
Segundo a ginecologista Ilza Maria Urbano Monteiro, presidente da Comissão Nacional Especializada em Anticoncepção da Febrasgo, esse é justamente um dos motivos pelos quais as estratégias de longa duração deveriam ser mais difundidas. “Quanto menos o método depender da disciplina individual, maior a proteção real. Não adianta indicar a pílula se a pessoa esquece de tomar com frequência”, explica.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o implante é o campeão de proteção: quase não falha. Sua taxa de erro é de 0,1 gravidez por 100 mulheres ao ano. Na sequência estão a laqueadura (0,5 na mesma comparação), o DIU hormonal (0,5 a 0,7) e o de cobre (0,6 a 0,8).
Já a pílula e a camisinha, embora muito populares, dependem do uso correto e por isso apresentam mais falhas no mundo real. A primeira registra uma média de sete gestações por 100 mulheres ao ano, enquanto a segunda, de 13. Estratégias naturais, como tabelinha e coito interrompido, também falham bastante: 12 e 20 gestações por 100 mulheres ao ano, respectivamente.
Critério de segurança
A escolha do contraceptivo não deve levar em conta apenas a eficácia, mas também a segurança. Questões clínicas são fundamentais: mulheres com pressão alta ou enxaqueca com aura, por exemplo, não devem usar pílulas combinadas, pois há risco aumentado de AVC. Tabagistas tampouco, porque aumenta a probabilidade de trombose.
O perfil de sangramento também pesa na decisão. “Quem sofre com fluxo intenso e cólicas costuma se beneficiar do DIU hormonal, que além de proteger contra a gravidez ajuda a reduzir o sangramento e a dor. Já o DIU de cobre, que não contém hormônio, pode ser indicado desde que a pessoa não tenha histórico de menstruações muito volumosas”, aponta a médica.
Apesar da alta eficácia dos LARC, seu acesso no Brasil ainda é limitado. O DIU hormonal foi incorporado neste ano ao SUS para tratamento de endometriose. O Ministério da Saúde anunciou também que o implante será ofertado pela rede pública. “Cerca de 80% da população depende do SUS. Então, é preciso oferecer esses métodos sem custo. Além disso, é preciso treinar profissionais para inseri-los e manejá-los”, afirma Monteiro.
Métodos de barreira e naturais
Há também métodos de barreira, como camisinhas masculina e feminina, que, embora tenham menor eficácia contra gravidez se usados isoladamente, são essenciais para prevenir infecções sexualmente transmissíveis. Por isso, mesmo mulheres que usam DIU, pílula ou implante podem associar a camisinha quando não têm parceiro fixo.
Entre os métodos naturais, o sintotérmico, que combina aplicativo de ciclo e aferição da temperatura basal, pode atingir até 80% de eficácia em condições ideais. E a amenorreia lactacional (LAM), que bloqueia a ovulação durante a amamentação exclusiva, chega a 85% a 90% de eficácia nos primeiros seis meses, "desde que a sucção seja frequente e a mulher não tenha voltado a menstruar", segundo Monteiro.
Mas a melhor escolha depende de avaliação individualizada, considerando histórico de saúde, estilo de vida e planos reprodutivos. “A ciência já virou os métodos contraceptivos do avesso. O desafio maior hoje é a cabeça das pessoas. Ter informação é essencial”, diz a ginecologista.









