Influenciadora não vai ao hospital após hemorragia: 'Medo de pensarem que foi um aborto'
Mariana Almeida se emocionou ao falar que ficou abalada com notícia; em Olinda, mulher teria sangrado até a morte ao dar entrada com sangramento
A influenciadora Mariana Almeida publicou um desabafo nas redes sociais nesta quarta-feira (22). Ela disse que sofreu uma hemorragia e que decidiu não ir ao hospital.
Com o diagnóstico de endometriose, ela afirmou que teve medo que profissionais de saúde pensassem que ela teria feito um aborto.
"Tive uma hemorragia e eu não fui para o hospital por medo de que achassem que eu estava sofrendo um aborto mal sucedido e isso gerasse algum tipo de violência contra mim", contou ela.
Visivelmente abalada, ela disse que se assustou com a possibilidade. "E isso parece loucura porque se você está com algum problema de saúde, o local mais seguro e o local que você deveria receber acolhimento é um hospital, mas não é isso que acontece. Prova disso foi a notícia que eu me deparei de uma mulher que sangrou até a morte dentro de um hospital. Ela estava com uma hemorragia, assim como eu. Consequência de uma endometriose e simplesmente não atenderam ela porque acreditaram que ela estava num processo de aborto mal sucedido", afirmou.
A notícia citada pela influenciadora aconteceu em Olinda (PE). Ao procurar atendimento, Paloma Alves Moura, de 46 anos, aguardou por quase dez horas no Hospital do Tricentenário. O caso é investigado pela Polícia Civil e pela Secretaria Municipal de Saúde. Há suspeita de negligência.
Para a influenciadora, foi difícil lidar com a situação.
"Isso mexe muito comigo porque a endometriose é uma coisa muito difícil. É difícil de você ser ouvida quando você tenta passar para os médicos os seus sintomas. A nossa dor é muito naturalizada, então suporte vai e vença. E quando a gente recebe o diagnóstico, isso não é sinônimo de que a gente vai ser acolhida, que a gente vai ser tratada com dignidade, profissionalismo e, acima de tudo, ética. O que aconteceu com ela poderia ter acontecido comigo".
Segundo ela, muitos médicos ainda não sabem lidar com a endometriose. "Houve um tempo da minha vida que eu achava que era uma questão de falha de conhecimento, de problema na formação dos médicos, de ausência de estudo, mas não, eles sabem o que é endometriose. Eles estudam a endometriose, só que eles não validam, eles não legitimam. A prova diz que a gente precisa que existam especialistas que em geral são caríssimos para que a gente consiga minimamente ser ouvida com dignidade. Porque eu cansei de virarem para mim e falar: 'é normal'".
Mariana Almeida contou no relato que já chegou a sofrer dores por 20 dias seguidos e que sofreu desmaios. Mesmo assim, foi vítima de negligência em atendimentos hospitalares.
"Eu já cansei de sentir dor e ficar em casa porque eu sei que alguns sintomas que eu acabo sentindo são similares a um processo. Mas dane-se porque se fosse o caso não deveriam negar ela atendimento. O ponto não é esse. E dá uma sensação de impotência horrorosa e de desamparo porque aconteceu com ela e não foi a primeira vez e não vai ser a última. E eu fico pensando: o que a gente faz por tantas mulheres? O que eu faço por mim também? Porque eu tenho a doença e eu não tô livre de passar por essa situação", lamentou.
Veja o vídeo:
Influenciadora diz que não foi ao hospital após hemorragia interna
O que é a endometriose?
A endometriose é uma doença crônica e inflamatória que provoca o crescimento anormal do tecido semelhante ao que reveste o útero fora dessa cavidade. Estima-se que a endometriose, que causa dor, infertilidade e outros sintomas debilitantes, afete de 10 a 15% das mulheres em idade reprodutiva.
Nos últimos meses, o Ministério da Saúde anunciou algumas medidas que impactam a saúde das mulheres em diferentes fases da vida. As mudanças incluem medicamentos, vacinas e campanhas específicas para diferentes fases da vida, da adolescência à pós-menopausa.









