Qual a diferença entre menopausa, climatério e perimenopausa?
Entenda como cada termo se aplica a diferentes momentos da vida feminina e por que reconhecer essas etapas é importante para cuidar da saúde física e emocional
No Brasil, segundo o Censo 2022 do IBGE, 33 milhões de mulheres têm entre 40 e 65 anos, idade em que, para a maioria, surgem as transformações hormonais ligadas ao fim da vida reprodutiva. É nesse intervalo que acontece o climatério e, dentro dele, a perimenopausa e a menopausa. Embora muitas vezes usados como sinônimos, os termos descrevem momentos distintos dessa transição.
Entender essas diferenças é fundamental não apenas para dar nome aos bois, mas também para cuidar da saúde. Afinal, é nesse período que costumam aparecer sintomas físicos e emocionais marcantes, como ondas de calor, insônia, alterações de humor, e também mudanças silenciosas, como perda de massa óssea e aumento do risco cardiovascular. Reconhecer em qual fase a mulher está ajuda a buscar acompanhamento adequado e decidir sobre tratamentos, que vão desde ajustes no estilo de vida até a terapia hormonal.
Menopausa: uma data, não um período
A menopausa é, oficialmente, a data da última menstruação. O diagnóstico é feito quando a mulher passa 12 meses consecutivos sem menstruar de forma espontânea. Como se trata de um marco, a menopausa é um dia específico, não uma fase da vida.
Nem todo mundo consegue identificar esse marco tão facilmente. Quem usa pílula anticoncepcional de forma contínua ou DIU hormonal pode não menstruar, assim como as mulheres que já não têm útero. Nesses casos, os médicos associam a avaliação dos sintomas — como ondas de calor e dificuldade de concentração — a exames de sangue, principalmente a dosagem de FSH e estradiol.
Para o restante, só os sintomas e a ausência da menstruação são suficientes. “Em geral, não é preciso dosagem hormonal para fazer o diagnóstico de menopausa. Mas as pacientes pedem mesmo assim. Então, mais para contentá-las do que por necessidade, o médico solicita os exames, que precisam ser feitos do primeiro ao quarto dia da menstruação”, afirma o ginecologista Nilson Roberto de Melo, presidente da Associação Brasileira de Climatério (Sobrac).
Estudos mostram que, no Brasil, a maior parte das mulheres entra na menopausa entre os 48 e os 51 anos. Aos 45 anos, ao menos 15% não menstruam mais, segundo o ginecologista. Se o sangramento se interrompe antes dos 40 anos, trata-se de um quadro chamado insuficiência ovariana prematura (IOP), que atinge cerca de 1,2% das mulheres.
Climatério: uma fase que pode ir dos 40 aos 65 anos
O climatério é o guarda-chuva mais amplo, que compreende a transição entre o fim da fase reprodutiva e o início da velhice. Ele pode se estender dos 40 até os 65 anos, embora esse período varie bastante de mulher para mulher. Não tem regra.
Nessa janela, ocorrem as principais mudanças hormonais, metabólicas e físicas associadas ao fim da fertilidade. É dentro do climatério que acontece a última menstruação. “Quando as pessoas falam em menopausa, na verdade elas se referem ao climatério”, esclarece o presidente da Sobrac.
Essa fase pode ser marcada por ciclos menstruais irregulares — mais curtos ou mais longos — e sintomas como ondas de calor, presentes em 75 a 80% das brasileiras, sudorese, insônia, irritabilidade, alterações de humor e dificuldades de concentração.
Perimenopausa: período que antecede a menopausa
A perimenopausa, também chamada de transição menopausal, corresponde ao período que antecede a menopausa, geralmente de dois a quatro anos antes. É quando os ciclos menstruais começam a ficar irregulares, os folículos diminuem e a ovulação deixa de ocorrer de forma consistente. Os sinais e sintomas típicos costumam surgir já nessa fase.
O tratamento não precisa esperar a última menstruação para começar. “Se a mulher já apresenta sintomas que atrapalham sua qualidade de vida, pode procurar ajuda médica e iniciar a terapia hormonal mesmo que ainda esteja menstruando”, explica Melo. O objetivo é aliviar os desconfortos e prevenir complicações de longo prazo, como a perda acelerada de massa óssea, que é mais acentuada nos primeiros anos após a menopausa.









