'Senti um caroço no meu seio. O que eu faço?'
A procura por um mastologista é fundamental ao suspeitar de um nódulo na mama. Por meio da avaliação física, combinada a exames como ultrassonografia, mamografia, ressonância e biópsia, a origem da massa no seio é identificada
Por Alice Arnoldi, em colaboração para a Marie Claire — de São Paulo (SP)
Outubro é conhecido como o mês de conscientização do câncer de mama, período em que o autoexame dos seios é ainda mais incentivado como uma das formas de prevenção da doença. No entanto, ao realizá-lo, há quem se depare com nódulos na região e não é incomum se sentir aflita ao passar por isso e ficar com dúvidas sobre o que fazer.
A cirurgiã oncológica Fernanda Perez, do centro de referência em tumores de mama do A.C. Camargo Cancer Center, explica que cerca de 10 a 15% dos nódulos identificados nos seios são cancerígenos. O restante é benigno, ou seja.
Ainda de acordo com a especialista, há características tanto vistas em exames quanto ao apalpar o próprio nódulo que levam à suspeita ou não de um câncer de mama.
“Se avaliarmos pelo ultrassom, nódulos com bordas irregulares, sombra posterior a eles e crescimento vertical maior que o horizontal são suspeitos. Em relação a apalpação, as características mais importantes são: nódulos endurecidos, irregulares, que não se movem facilmente quando se toca na mama, na maioria das vezes não causa dor e pode estar associado a outras alterações na pele”, enumera Perez.
Por exemplo, a suspeita em relação ao nódulo aumenta quando ele gera vermelhidão, aspecto de casca de laranja e retração nas mamas. O mesmo vale caso haja saída de secreção pelo mamilo, principalmente com sangue.
Segundo o levantamento “Controle do Câncer de Mama no Brasil: Dados e Números 2025”, do INCA e Ministério da Saúde, a estimativa é de 73.610 novos casos da doença neste ano em território brasileiro.
Sendo assim, um nódulo que não levanta a suspeita de câncer de mama, ele é “geralmente arredondado, com bordas lisas, bem delimitado, e de consistência fibroelástica ou macia. Seu tamanho costuma ser estável e, em alguns casos, pode variar conforme o ciclo menstrual”, explica a mastologista e ginecologista Rafaela Cecílio Sahium, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
O que fazer ao sentir um nódulo na mama?
Apesar das características que diferenciam os nódulos malignos dos benignos, a constatação de qual caso é só é possível por meio de exames. Portanto, o primeiro passo, ao sentir uma massa nos seios, é procurar um mastologista.
“A escolha do exame dependerá da idade da paciente e do grau de suspeita clínica. Geralmente, em mulheres mais jovens, é indicada a ultrassonografia das mamas, que ajuda a diferenciar um nódulo sólido de um nódulo cístico. Já nas mulheres com mais de 40 anos, também é solicitada a mamografia, incluindo a tomossíntese, quando disponível, capaz de identificar lesões não palpáveis e microcalcificações. A ressonância magnética das mamas é reservada para casos específicos, como em mulheres com alto risco para câncer de mama”, explica Sahium.
Neste ano, o Ministério anunciou a garantia do acesso à mamografia no SUS a mulheres de 40 a 49 anos, mesmo sem sinais ou sintomas de câncer. “Estudos científicos demonstram que a detecção precoce do câncer de mama reduz significativamente a mortalidade pela doença. Cerca de 40% dos casos são diagnosticados entre os 40 e 50 anos, o que reforça o impacto positivo dessa recomendação”, reforça a ginecologista e mastologista.
Caso os exames de imagem identifiquem um possível nódulo, a confirmação se a massa é benigna ou maligna só é feita por meio de biópsia.









