‘Fui parar na UTI porque cutuquei um pelo encravado na virilha’
A médica Alice Cioni de Toledo Barros foi parar na unidade de terapia intensiva (UTI) após espremer um pelo encravado na região da virilha. Ela teve uma sepse, resposta inflamatória exacerbada do corpo a uma infecção
Por Alice Arnoldi, em colaboração para Marie Claire — de São Paulo (SP)
A médica Alice Cioni de Toledo Barros, de 25 anos, tinha um pelo encravado na região da virilha e decidiu espremê-lo. O que ela não era esperava era que fosse parar na unidade de terapia intensiva (UTI) com sepse. A curitibana chegou a ganhar 16 quilos devido ao tratamento intensivo de soro e antibiótico.
“A sepse é uma resposta inflamatória exacerbada do nosso corpo a uma infecção. Nosso sistema imune, ao tentar combater um agente infeccioso [que pode ser uma bactéria, um vírus ou um fungo], desencadeia uma série de reações que prejudicam as funções de alguns de nossos órgãos - como rins, fígado, coração, pulmões - levando ao que chamamos de disfunções orgânicas”, explica a infectologista Giovanna Marssola, do serviço de controle de infecção hospitalar do Hospital Samaritano Higienópolis, da Rede Américas.
A piora repentina depois de espremer o pelo
Era agosto deste ano quando tudo aconteceu. Após espremer o pelo encravado, Barros começou a estranhar a reação da sua pele. Ela entrou em contato com uma amiga, também médica, que a orientou a passar pomada com sulfato de neomicina e bacitracina zíncica no local.
A pomada não resolveu o problema, e a médica começou a cogitar a possibilidade de ser um furúnculo. Ela consultou outra amiga da área, que também suspeitou do quadro e receitou um antibiótico.
“Só que começou a doer muito mais. Não estava mais conseguindo andar, e estava ficando muito mais vermelho o local. Então, acabei indo para o hospital. Já parecia que tinha algum grau de inflamação no sangue, mas nada muito mais grave do que uma celulite infecciosa. Quem me avaliou adicionou mais um antibiótico e mais medicação para dor”, lembra.
A estimativa era que o quadro começasse a melhorar após 24 horas da primeira dose do novo antibiótico, mas isso não aconteceu. A perna começou a ficar vermelha, a médica não conseguia se mexer por causa da dor e mal raciocinava tamanho era o incômodo.
A surpresa da internação na UTI
Barros decidiu retornar para o hospital. “Quando cheguei lá, meus sinais vitais estavam todos alterados. Minha pressão estava ficando muito baixa, a frequência cardíaca muito alta. Eu suava muito e tinha confusão mental. Então, já fui para sala de emergência e recebi antibiótico na veia e bastante soro”, conta.
Em seguida, a paciente foi encaminhada para a UTI para que seus sinais vitais fossem mantidos estáveis e para que o tratamento com antibiótico e soro continuassem.
Nas primeiras 48 horas de interação, a médica recebeu cerca de 8 litros de fluidos, o que a fez ter um inchaço importante: foram 16 quilos nos cinco dias em que ficou na UTI. Depois, foram mais dez dias no quarto até ter alta.
“As pessoas não sabem a gravidade que qualquer infecção pode chegar no nível de sepse. Não é comum, mas pode acontecer, inclusive na nossa pele, que é nossa maior proteção”, alerta.
Os principais sintomas da sepse são:
- Febre
- Respiração rápida ou falta de ar
- Aceleração do coração
- Queda de pressão
- Diminuição da urina
- Alterações mentais como confusão ou sonolência.









