Lipedema: ‘Eu achava que era normal sentir dor e viver com as pernas roxas’
A criadora de conteúdo Lauren Pfeiff teve melhora no seu quadro após uma operação. Hoje, ela consegue usar shorts para treinar sem ficar assada, usar um sapato diferente durante o dia e ver seu corpo respondendo a alimentação e prática regular de exercícios físicos
A criadora de conteúdo Lauren Pfeiff, de 27 anos, recebeu o diagnóstico do lipedema há dois. “Fiquei por um tempo digerindo essa notícia”, conta. Inicialmente, ela tentou realizar tratamentos mais conservadores, mas foi necessário recorrer à cirurgia. Hoje, entende que sentir dor nas pernas não é algo normal: tem explicação e solução.
“O lipedema tem origem genética e leva ao crescimento de gordura de uma maneira anormal na região das coxas, dos braços, antebraços e pernas. Ele não é decorrente da obesidade, mas de uma resposta anormal aos hormônios femininos, principalmente estrógeno”, explica Fábio Kamamoto, diretor do Instituto Lipedema Brasil.
A suspeita da doença veio quando uma amiga foi diagnosticada com lipedema e via semelhança entre seu quadro e o da criadora de conteúdo. Além disso, ao dividir sua rotina de treinos e alimentação nas redes sociais, suas seguidoras começaram a falar sobre a possibilidade da condição, já que o corpo de Pfeiff não acompanhava sua dedicação.
Questionando-se sobre a possibilidade de ter lipedema, a criadora de conteúdo foi atrás de diferentes especialistas até chegar ao diagnóstico. “Muitos diziam que era gordura. Falavam que era só fechar minha boca”, lembra.
Os tratamentos antes da cirurgia
Pfeiff recebeu seu diagnóstico quando conheceu o Instituto Lipedema Brasil. Antes da cirurgia, ela ajustou treinos e alimentação e fez uso de medicamentos por dois anos. Tanto no processo de preparo para o procedimento cirúrgico quanto no pós-operatório, Pfeiff conta que ser disciplinada fez toda a diferença no seu processo.
“Eu segui uma alimentação o mais certinha possível, bebi bastante água e evitei comidas inflamatórias. Eu cuidei também da questão de ser ativa. Passei os cremes e fiz as caminhadas, as drenagens e os curativos que o médico pediu”, lembra.
O que mudou com a cirurgia
A criadora de conteúdo explica que, mais do que os benefícios estéticos, a cirurgia a ajudou a não sentir mais o peso nas pernas. “O que era normal para mim não é mais. Eu sentia dor todos os dias e ficava com as pernas roxas”, conta.
Kamamoto explica que, além da dor, o lipedema causa: limitação de movimento, deformidade de pele e do joelho e alteração da mobilidade. Há também um impacto na saúde mental, afetando como a pessoa enxerga a vida e também se alimenta, por exemplo. Se a paciente faz reeducação alimentar e não vê resultados, pode chegar a desenvolver anorexia e bulimia ou compulsão alimentar.
Não por acaso, Pfeiff relata que a cirurgia do lipedema colocou em perspectiva a forma como lida com a alimentação e com o exercício físico. Por ver resultado, ela consegue ser mais flexível, levando a vida com mais calma e qualidade.









