Evelin Camargo faz alerta após linfoma: ‘Ninguém fala que se você colocar silicone pode ter câncer’
Atriz e criadora de conteúdo descobriu um linfoma associado à prótese mamária após notar um inchaço repentino. Passado o susto, ela ainda se recupera do baque emocional
Em meados de dezembro de 2025, a atriz e criadora de conteúdo Evelin Camargo percebeu algo estranho: sua mama esquerda havia aumentado de tamanho de um dia para o outro. Além disso, ela sentia desconforto na região da axila. Desconfiada, ela foi ao hospital por orientação de uma amiga ginecologista.
Um mês e alguns exames depois, Evelin receberia diagnóstico de um tipo de câncer, o linfoma anaplásico de grandes células, conhecido pela sigla BIA-ALCL. Mais chocante do que descobrir a doença, no entanto, foi a sua causa: as próteses de silicone que ela colocou em 2019.
De acordo com a Sociedade Americana do Câncer, o BIA-ALCL é um tipo raro de linfoma não-Hodgkin que pode se desenvolver vários anos após a colocação da prótese. "Ele ocorre com mais frequência em implantes com superfície texturizada (áspera) do que em implantes de superfície lisa. O BIA-ALCL pode se manifestar como acúmulo de líquido, presença de nódulo, dor ou inchaço próximo ao implante, ou ainda como assimetria (mamas desiguais)", informada a entidade.
Trata-se de um câncer do sistema imunológico, e não de um tipo de câncer de mama, aponta a Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos. Seu risco é incerto. Segundo a mesma sociedade, ele é estimado entre 1 em 2.207 e 1 em 86.029 para pessoas com implantes texturizados.
A cirurgia plástica nas mamas
Evelin relembra que a decisão de se submeter à cirurgia plástica ocorreu por uma combinação de fatores. Por seios volumosos, ela tinha dores, marcas na pele e dificuldade para se vestir. Ao optar pelo procedimento de redução das mamas, ela acatou a sugestão médica de colocar implantes pequenos para dar sustentação ao novo formato.
“As mulheres da minha família têm muita mama e também já operaram. Eu tinha muita dor nas costas e até hoje faço pilates e RPG para ajeitar a postura. Mas a motivação também era estética. Eu queria poder colocar uma roupa na qual eu me sentisse um pouco melhor”, diz.
No procedimento, foram retirados cerca de dois quilos de tecido mamário, e implantadas próteses de pouco mais de 200 ml. O resultado trouxe alívio físico e também mais conforto na relação com o próprio corpo.
Cerca de três anos após a operação, no entanto, Evelin percebeu que as próteses se deslocaram para baixo, algo que foi associado a características da própria pele e ao fato de o implante estar acima do músculo. A atriz se consultou com cirurgiões plásticos para uma nova cirurgia, desta vez com enxerto de gordura, mas não tinha pressa de marcar o procedimento.
Um sintoma inesperado
A mudança repentina na mama esquerda, em 2025, foi algo diferente. “Quando fui tomar banho e me olhei no espelho, assustei. A diferença era gritante. Dormi de um jeito, acordei do outro”, lembra.
No hospital, um ultrassom e uma ressonância magnética indicaram a presença de líquido na mama, mas a prótese estava íntegra. A hipótese inicial era de seroma tardio, uma complicação conhecida, embora o laudo levantasse a possibilidade de BIA-ALCL. O médico hospital liberou a paciente, dizendo que não era nada. Evelin, porém, decidiu buscar uma segunda avaliação com um cirurgião plástico, que solicitou a punção do líquido para análise.
A confirmação do câncer
O exame foi feito em 23 de dezembro. A primeira análise não indicava alterações, mas a imunoistoquímica, um teste mais detalhado, confirmou o diagnóstico de BIA-ALCL. Em 23 de janeiro, Evelin leu o resultado em casa e, diante do termo técnico, buscou o significado na internet.
“Encaminhei o laudo pra minha mãe, para o médico e joguei no Google, para confirmar se era o que eu estava entendendo. O principal sintoma era o inchaço repentino da mama. Eu comecei a chorar”, conta.
A notícia abalou não só pelo impacto do diagnóstico, mas também pela sensação de ignorância sobre o risco. “Por que ninguém fala que você vai colocar uma prótese de silicone e pode ter câncer? Isso é o que mais me deixa mais abalada”, lamenta.
Tratamento e cirurgia
Antes da operação, Evelin precisou fazer um PET-Scan para verificar se havia comprometimento de outras áreas do corpo, já que o linfoma pode atingir linfonodos e outros tecidos, causando metástase. O exame, felizmente, apontou que a doença estava restrita à área da prótese.
Realizada na segunda-feira de Carnaval, a cirurgia durou 7 horas, mais do que o previsto. O procedimento consistiu na retirada das próteses, da cápsula formada ao redor delas e do líquido acumulado. Não será necessário mais nenhum tratamento. A recomendação é apenas fazer exames periódicos.
Pouco mais de um mês após o explante, Evelin já voltou a dirigir e a praticar atividade física. Seu estado psicológico, porém, segue um pouco abalado. “Tem uma parte de culpa. Por que eu fiz isso comigo mesma? Por que eu coloquei a prótese? Se eu não tivesse colocado, eu não teria passado por nada disso”, reflete.
Um novo corpo
A retirada dos implantes também trouxe uma mudança significativa na autoimagem da atriz. Com pouco tecido mamário remanescente, o volume das mamas ficou bem menor do que em qualquer outro momento da vida.
“É muito diferente, parece que eu fiquei mais alta. Nem quando eu tinha 15 anos meu peito era tão pequeno. Nas primeiras semanas eu quase não me reconhecia. Não é que eu não gostava do meu reflexo, mas não parecia eu”, diz. Por outro lado, ela reconhece o alívio de não ter mais a doença.
Evelin se surpreendeu com a repercussão da notícia nas redes sociais. Seu vídeo sobre o diagnóstico ultrapassou 2 milhões de visualizações só no Instagram, acompanhado de comentários com histórias parecidas e de mulheres que nunca tinham considerado esse tipo de risco.
“Eu fiz um vídeo como um alerta, porque eu nunca tinha visto ninguém falar sobre isso abertamente. Se eu soubesse, pelo menos eu teria a opção de escolher. Eu achei que [a cirurgia] só tinha prós, não contras. E o contra, no meu caso, foi bem pesado.”









