Coito interrompido funciona? Por que método contraceptivo é arriscado
Um dos métodos contraceptivos mais antigos do mundo é pouco recomendado pelo alto índice de falha e pela dificuldade de controle
Por Redação Marie Claire — São Paulo (SP)
No Ocidente, se tem notícia de que o coito interrompido é usado para prevenir uma gravidez indesejada desde o século 17. Trata-se do método contraceptivo mais antigo do mundo, usado até hoje sob o pretexto de praticidade, conforto – alguns homens dizem que a camisinha incomoda ou “tira o prazer” do sexo – ou em contextos não planejados. Por mais que a medicina tenha avançado a ponto de desenvolver outras formas de prevenção mais eficazes, o coito interrompido continua muito usado. Mas afinal, funciona?
Chamamos de coito interrompido quando o pênis é retirado da vagina momentos antes da ejaculação, para evitar que espermatozoides sejam liberados dentro do canal vaginal, fecundem o óvulo e resultem numa gestação. Mas, pela dificuldade de controle sobre a hora de gozar e a impossibilidade de ter certeza sobre se o esperma não atingiu a vagina ou a vulva, o método é considerado arriscado.
Um estudo de 2011, realizado pelo Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, indica que sua taxa de falha é de 27%. Ou seja: por ano, 27 pessoas entre 100 que aderem ao coito interrompido devem ter uma gravidez indesejada.
A taxa é alta se comparada com outros métodos. Para se ter ideia, o índice de falha da pílula anticoncepcional é inferior a 1%. A eficácia da camisinha varia entre 90% a 95%. Já a taxa do DIU de cobre pode chegar a 99,4%, enquanto dos DIUs hormonais, 99,8%.
Mesmo que o pênis seja retirado antes de gozar, existe o líquido pré-ejaculatório. É uma espécie de lubrificante natural que, além de ajudar o pênis na penetração, equilibra a acidez da uretra para permitir a passagem de espermatozoides. Pesquisadores da Universidade de Hull, na Inglaterra, analisaram que mais de um terço deste líquido é composto por esperma.
Ou seja: mesmo que a carga seja menor, ainda é possível que só a carga do líquido pré-ejaculatório resulte em uma gestação.
Coito interrompido NÃO previne ISTs
Por mais que a prevenção de uma gestação seja, geralmente, a única preocupação para o uso de métodos contraceptivos, o coito interrompido não é capaz de conter o risco de transmissão de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) como clamídia, gonorreia, tricomoníase, HIV e HPV – este último, o principal causador do câncer de colo de útero.
Portanto, esse é mais um motivo para dar prioridade aos métodos contraceptivos de barreira. O mais conhecido e usado são as camisinhas externas (para o pênis), a qual alguns homens se recusam a usar porque “incomoda” ou “diminui a performance sexual”. Além de existirem diversos modelos de camisinhas externas, existem ainda quatro outras opções de contraceptivos de barreira:
- camisinhas internas (para vagina)
- capuz cervical
- diafragma
- esponja contraceptiva.
Vale lembrar que essa proteção deve ser intensificada caso você não tenha uma parceria fixa ou esteja prestes a se relacionar com uma pessoa que não conhece. Se for uma preocupação, também há a possibilidade de recorrer às testagens.
Quem usa coito interrompido?
Estudos recentes mapearam que o coito interrompido é aderido por populações mais jovens; com pouco acesso a métodos contraceptivos, informações sobre contracepção e planejamento familiar; pessoas que não se adaptaram a métodos hormonais, como as pílulas; ou por motivos religiosos.
Em casos em que não é possível recorrer a outros métodos contraceptivos mais eficazes, é aconselhado que o coito interrompido seja alinhado com a tabelinha, que é o cálculo do ciclo menstrual. Nesses casos, evita-se transar no período fértil. Tirar o pênis antes de gozar, se feito com disciplina e autocontrole, pode ter mais chances de funcionar. No entanto, vale ressaltar que a eficácia ainda é baixa.
No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a distribuição de anticoncepcionais em pílula e injetáveis, além de implementação de DIU de cobre e anticoncepcional injetável. Também distribui gratuitamente camisinhas internas e externas, tanto em postos de saúde quanto em áreas de grande circulação, como terminais de ônibus e estações de metrô.









