Quer multiplicar seus orgasmos? Estimular o períneo pode ser o caminho
Muitas vezes esquecido, o períneo é um grande aliado para atingir orgasmos poderosos. Aqui estão algumas dicas de como incluí-lo no sexo
Por Gwendoline Beauchet, de Marie Claire França, Com Tradução de Camila Cetrone, de Marie Claire Brasil
Geralmente lembrado durante a gravidez ou quando há problemas de saúde física ou sexual (incontinência, prolapso de órgãos, dor durante a relação sexual etc), o períneo é uma das áreas muito esquecidas do nosso corpo.
"Muitas mulheres nos perguntam por que não falamos sobre isso mais cedo. Mas não vejo quando vamos mencionar isso, enquanto nossa educação sexual mal fala sobre o clitóris", diz Catherine Garcin, parteira e sexóloga.
"O assoalho pélvico é um grupo de músculos que formam uma faixa de suporte na parte inferior da pélvis. Esta funda, composta por 14 músculos diferentes dispostos em três camadas, prende-se aos ossos da pélvis. No corpo de uma mulher, os músculos do assoalho pélvico cercam a uretra, a abertura vaginal e o ânus", lembra Ellen Braatz, fisioterapeuta no site da Associação Americana de Apoio ao Prolapso de Órgãos Pélvicos.
“O assoalho pélvico é um grupo de músculos que forma uma tipoia de suporte na parte inferior da pelve. Esta tipoia, composta por 14 músculos diferentes dispostos em três camadas, fixa-se aos ossos da pélvis. No corpo da mulher, os músculos do assoalho pélvico circundam a uretra, a abertura vaginal e o ânus”, lembra Ellen Braatz, fisioterapeuta do site da organização americana Associação para Apoio ao Prolapso de Órgãos Pélvicos.
Além de manter alguns de nossos órgãos, esses músculos também são centrais para o nosso prazer sexual.
O períneo é a raiz da excitação sexual
Na verdade, o períneo é uma ferramenta perfeita para fortalecer nossos orgasmos. Primeiro porque é "o assento da implantação genital", define Garcin.
"No momento da excitação sexual, há uma concentração do fluxo sanguíneo que faz com que o clitóris fique ereto. Isso vai criar, na mulher, uma sensação de inchaço e calor, e cria uma lubrificação porque a mucosa vaginal transpira", explica a parteira sexóloga.
Uma vez que a excitação chega aos órgãos sexuais, o objetivo é levar isso ao ponto sem retorno: o orgasmo.
"A curva do prazer sexual segue a da excitação. O períneo terá um papel na excitação. Muitas vezes digo às minhas pacientes para exercitarem como uma 'bomba' do períneo, isso vai potencializar a excitação porque aumenta a congestão. Mas esse estímulo deve ser feito com delicadeza, não se deve apertar demais", destaca a especialista.
Músculos que favorecem, mas não criam o orgasmo
Embora poucos estudos tenham sido conduzidos sobre o assunto, pesquisas publicadas em 2014 na revista Acta Obstetricia et Gynecologica Scandinavica afirmam que existe "uma associação entre a força do assoalho pélvico e a função sexual em mulheres nulíparas (ou seja, que nunca tiveram filhos) e sem disfunção sexual autodeclarada. Especificamente, foi observado um desejo, excitação, orgasmo e satisfação superiores".
Mas Catherine Garcin enfatiza que é um conjunto. "Também é necessário ter fluidez corporal. A excitação deve ser física e sexual, mas também psíquica e acompanhada de uma entrega às sensações. Quando a excitação atingir seu máximo, haverá um aumento rápido, um relaxamento repentino da congestão e o músculo se contrairá em espasmos no momento do orgasmo".
Se conscientizar sobre seu períneo pode impulsionar a intensidade do prazer (e nos ajudar a conhecer melhor nosso corpo), mas não podemos usá-lo como um intensificador de orgasmos. "O orgasmo é um reflexo, não podemos dizer 'agora vou apertar o períneo para ter um'".
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A ferramenta de todos os corpos e sexualidades
"Durante a excitação, se a mulher estiver bem conectada com suas sensações genitais, ela sentirá vontade de penetração. Isso não é reservado a heterossexuais e não é apenas com penetração peniana, mas com um brinquedo sexual, um dedo… Não é tanto uma questão de volume, mas sim de aperto que criará pressão. A vagina é sensível à pressão. Apertando, aumentamos a pressão na área perivulvar e na entrada da vagina, onde se encontram os bulbos vestibulares ao redor do clitóris", explica.
Assim como esse prazer não é exclusivo dos heterossexuais, o períneo não é o único aliado das mulheres no que diz respeito ao orgasmo. Os homens também podem desfrutar desse conjunto de músculos.
"Para obter a ereção, também há esses movimentos do períneo que facilitam a congestão. Aliás, em homens que passaram por cirurgia de próstata e têm problemas de ereção, fazemos uma reabilitação do períneo. Muitas vezes, durante a ereção, o pênis faz pequenos movimentos de sobressalto: isso está relacionado a contrações do períneo que o homem pode fazer consciente ou inconscientemente. A ejaculação é a mesma coisa, há espasmos do períneo que fazem com que a ejaculação seja em jato", continua Garcin.
Recomendações
É necessário fortalecer o períneo para multiplicar o prazer?
Se o períneo é tão essencial para nossos orgasmos, devemos fortalecê-lo? Não, responde a especialista.
"O importante é que ele seja flexível. Tônico, mas flexível. Em uma mulher que tem problemas de orgasmo, vamos ensinar a conscientizar as contrações e os relaxamentos, mas sempre de uma certa flexibilidade. O objetivo é aprender a sentir", detalha a parteira e sexóloga.
O ideal é que nosso períneo não seja nem muito tônico (sem elasticidade e constantemente contraído, a entrada da vagina se estreita e podem surgir dores na penetração) nem hipotônico, como após o parto (as sensações são menores e os orgasmos pouco intensos). "Essas são as únicas razões pelas quais vamos trabalhar o períneo", enfatiza a especialista.
Caso contrário, Catherine Garcin insiste: não há nada a fazer, exceto se educar e conhecer seu próprio corpo. Se o problema for essa conexão (incapacidade de fazê-lo ou rejeição das sensações), é aconselhável procurar a ajuda de um profissional..
Por fim, não se trata de fortalecer o períneo à toa, mas de cuidar dele. O períneo é um órgão frágil e utilizado na vida cotidiana, podendo enfraquecer diariamente (devido a corrida, transporte regular de cargas pesadas, crises de tosse associadas ao tabagismo etc).
Catherine Garcin termina explicando que podemos "aprender a limitar a pressão e fazer movimentos de travamento para preservá-lo".









