Regra 34: a lei bizarra da internet que vai mudar a forma como você vê desenhos infantis e jogos
Regra 34 chegou a virar nome de filme brasileiro e é meme por sexualizar objetos, personagens e até mesmo mascotes de marcas famosas
O que há de sexual em um carro em cima do outro, árvores e Bob Esponja? A princípio nada, mas não é isso que diz uma das “normas de etiqueta” mais esquisitas da internet: a Regra 34.
Surgida em 2006 no polêmico 4chan, um site de imageboard que garante total anonimato aos usuários, a Regra 34 é um dos 40 “mandamentos” da internet – nada para ser levado a sério, já que a lista se tornou um meme ao longo dos anos. O conteúdo da regra é alvo de muita curiosidade por envolver contexto sexual em coisas que estão longe de ser originalmente eróticas.
A regra é tão influente que chegou a virar nome de filme franco-brasileira: Regra 34, de 2023, foi dirigido por Julia Murat e acompanha uma defensora pública que, depois do expediente como advogada, se exibe como cam girl na internet para bancar os estudos. A seguir, entenda tudo sobre a regra 34, a lei mais bizarra da internet.
O que é a Regra 34 da internet?
A Regra 34 estabelece o seguinte: “Se algo existe, há pornografia na internet”. Ou seja, se você buscar algo aleatório e incluir a palavra “pornô”, definitivamente existirá um resultado a altura do que se procura. Se não existe, não se preocupe. A Regra 35 corrige isso: “Se não houver pornografia de algo, ela ainda será feita”.
Esse conteúdo não precisa ser necessariamente e explicitamente pornô. Pode envolver imagens em contextos sexualizados – desde objetificação de personagens (sobretudo femininas) até poses erotizadas ou fetiches como podolatria (o tal fetiche por pés), urofilia (fetiche em urina) e coprofilia (fetiche em fezes).
No caso de objetos, veículos ou mesmo árvores, a Regra 34 se aplica a fotos que mostram galhos estranhos, objetos sexualmente posicionados ou mesmo paisagens ao longe que podem ter formatos fálicos, para citar alguns exemplos.
No início, o mais comum era que conteúdos relacionados a desenhos animados, personagens de jogos ou mesmo mascotes de marca fossem ilustrados sexualmente por outras pessoas – o que ficou ainda mais “fácil” de gerar por meio de Inteligência Artificial (AI).
Impacto da Regra 34 nos sites de conteúdo adulto
Nos vídeos adultos, existem as paródias, como vídeos pornôs inspirados em Pokémon, Mario Bros e personagens das franquias de heróis da Marvel e da DC (só para citar alguns).
Além de ser humorístico, a ideia é que o conteúdo englobado pela Regra 34 possa satisfazer fantasias de pessoas que sentem tesão em personagens fictícios, por exemplo. Curiosamente, a maioria está relacionada a um sentimento nostálgico ou remete à infância.
O levantamento Year in Review 2024, organizado pelo Pornhub, mostra que Fortnite é, desde 2021, o jogo que mais se busca na plataforma para ver versões pornográficas. O jogo é um dos mais populares do mundo e é seguido, respectivamente, por Genshin Impact, Pokémon, Overwatch, Minecraft e Resident Evil.
(A título de curiosidade, o Year in Review 2024 apontou que o 7º país que mais visita o Pornhub é o Brasil.)
Personagens femininas de jogos são estrelas da Regra 34
Há algo a mais: o que também atrai é o fato das personagens – sobretudo mulheres – estarem em situações incomuns, como se relacionando com alguém com um pênis muito grande, com corpos exageradamente sexualizados (reforçando padrões como seios grandes e cintura bem fina, por exemplo) ou extrapolando os limites do corpo humano.
Por este motivo, o hentai (uma espécie de anime erótico) é o estilo ao qual se recorre mais para fazer essas representações. Para se ter uma ideia da popularidade do gênero, em 2024, "hentai" foi o termo mais buscado globalmente pelo quarto ano seguido no Pornhub.
É aí que se encaixam as chamadas femme fatales.
No top 10 do ranking de personagens de videogame mais buscadas no Pornhub, oito são femininas. As únicas exceções são Sonic (em 8º lugar) e Slime, vilões do jogo Genshin Impact (uma espécie de "meleca" andrógina). O top três da lista traz Chun Li, de Street Fighter e Fortnite, em primeiro lugar; seguida de Lara Croft, de Tomb Raider, e Tifa Lockhart, de Final Fantasy.
No entanto, há casos em que a personagem foi originalmente planejada de forma sexualizada, o que incentivou que fosse realocada na pornografia e englobada pela Regra 34. Um exemplo clássico é Lola Bunny, a par romântico do Pernalonga em Looney Tunes. O fetiche em cima da protagonista se tornou tão intenso que obrigou os produtores a “suavizarem” seus traços e escolherem roupas menos curtas para outros filmes e desenhos.
Outras figuras femininas que não passaram ilesa foram Dora, A Aventureira; Sandy Bochechas e Pérola (Bob Esponja); Velma Dinkley e Daphne Blake (Scooby-Doo); as princesas da Disney; e Marceline, a Rainha dos Vampiros e Princesa Jujuba (Hora de Aventura).









