Sexo
Por
Camila Cetrone
, redação Marie Claire — São Paulo (SP)

O orgasmo tem suas místicas. Há quem diga que nunca teve um, outras relatam muita dificuldade para alcançar o clímax e tem quem consiga chegar ao pico com facilidade, seja sozinha ou acompanhada. O que não faltam são formas de chegar até ele — afinal, cada um tem suas próprias taras. Um dos tipos que mais causa curiosidade é o chamado orgasmo anal.

Para quem gosta de estímulos no ânus, há uma boa notícia: uma pesquisa publicada em 2022 pela Universidade de Indiana, nos EUA, e a empresa For Goodness Sake ouviu 3 mil mulheres entre 18 e 93 anos, e apontou que 35% delas têm um orgasmo mais potente com estímulos anais. Camila*, 27 anos, afirma que já sentiu o tal do orgasmo anal em algumas transar.

"Para mim, é bem diferente de orgasmos vaginais", conta. "Primeiro porque sinto 'prazer duplo', já que preciso de mais um incentivo além da penetração anal, como a masturbação e carinhos em zonas erógenas. Segundo porque a sensação é muito única", acrescenta.

Letícia*, também de 27 anos, também já sentiu essa onda diferente. "Senti meu corpo esquentar, não foi como em outras vezes. Não senti nenhum tipo de dor, nem durante a penetração. Gosto de massagem com o dedo, língua, beijos, enfim... O combo todo", lembra.

O que é ‘orgasmo anal’?

Um orgasmo anal é um orgasmo como qualquer outro. A única diferença é que se chega ao clímax por meio da estimulação do ânus. É o que explica Sarita Milaneze, que é sexóloga, terapeuta e educadora sexual.

"Muitas pessoas acreditam que existem diferentes tipos de orgasmo. Na realidade, ele é único. O que varia são as formas de alcançá-lo. Portanto, não há um 'orgasmo anal', mas sim a possibilidade de atingir o orgasmo através da estimulação da região anal", reforça.

E como deve ser esse estímulo para conseguir sentir prazer? A resposta varia de acordo com o gosto de cada pessoa. Contudo, a pesquisa da Universidade de Indiana indica que há três formas preferidas de chegar ao orgasmo anal: 40% das mulheres preferem toques ao redor do ânus; outras 40% gostam de combinar toque no ânus com penetração vaginal ou estimulando o clitóris; e 35% gostam mais de estimulação superficial; ou seja, não tá profunda.

Para saber do que você gosta mais, é preciso tentativa e erro. Não há um "jeito certo" de fazer esse estímulo, e nem deve existir uma pressão para chegar ao orgasmo.

"O ideal é explorar, testar e entender como o corpo reage. Nesse processo, os vibradores e plugs anais se tornam ótimos aliados na descoberta e no prazer", diz Milaneze.

‘Orgasmo anal’ é o mesmo para homens e mulheres?

A sensação do orgasmo é diferente de acordo com o órgão sexual. Sarita Milaneze ressalta que a intensidade é ainda maior em homens e outras pessoas com pênis. "A próstata, frequentemente chamada de 'ponto G masculino', é o diferencial, porque a estimulação dessa região pode intensificar ainda mais o prazer", explica.

Em mulheres e outras pessoas com vulva o impacto também é mais forte. Isso porque todas as pessoas têm o nervo pudendo, que é responsável por transmitir as sensações prazerosas e os movimentos da pelve, que tem reflexos no órgão genital, no períneo e no ânus.

Qual a melhor forma de ter um ‘orgasmo anal’?

Vale lembrar: tudo que envolve sexo não tem uma receita de bolo, e tudo vai de acordo com gostos, preferências e desejos – além de conforto e consentimento, que são indispensáveis. Mas existem dicas que podem ajudar iniciantes a se entregarem aos prazeres do ânus e, consequentemente, podem facilitar a chegada do tal “orgasmo anal”.

Posições sexuais confortáveis

A sexóloga indica que as melhores posições sexuais para estimular a região e buscar o orgasmo anal são as que a pessoa se sinta mais confortável e que permitam que quem está recebendo consiga controlar profundidade e intensidade.

"Opções ideais são as posições de conchinha ou de bruços. Para os mais experientes, as possibilidades são mais amplas. Cada corpo é único e responde de maneira muito distinta", afirma.

Aposte em brinquedos sexuais, acessórios e vibradores

Milaneze diz que o ideal é começar com toques suaves com a ponta do dedo. Aos poucos, conforme o corpo relaxa, pode-se aumentar a intensidade (sempre mantenham a comunicação para entender os momentos certos para avançar).

“Os plugs anais são ótimos para acostumar o ânus à penetração futura, além de ajudar a relaxar o esfíncter, tornando a experiência mais confortável”, diz a sexóloga. Ela indica que se busque os plugs com base de apoio, para impedir que o brinquedo fique preso dentro do reto. Ela também recomenda uso de bullets e sugadores de clitóris, que ajuda a manter a excitação nas alturas.

Lubrificante, lubrificante e lubrificante

Além de sex toys e acessórios, o lubrificante é indispensável. "Já tentei fazer sem lubrificante. Foi um enorme desastre", aponta Letícia.

Milaneze indica as composições à base de silicone, porque criam uma camada deslizante que mantém a lubrificação por mais tempo. Ela também reforça o uso de preservativo, que reduz risco de transmissão de bactérias e Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).

Relaxe e não se esqueça do restante do corpo

"Para que a experiência do estímulo anal seja prazerosa para as mulheres, é essencial que estejam relaxadas e altamente excitadas antes de qualquer toque ou penetração anal para preparar o corpo", explica a sexóloga.

Ela acrescenta: "Além disso, estimular o clitóris durante a penetração anal pode intensificar consideravelmente o prazer, aumentando as chances de alcançar o orgasmo".

Para Camila, um facilitador é estar acompanhada de alguém de confiança e que conheça bem seu corpo e personalidade. "Não que não possa ser bom com alguém que conhece menos, mas é indiscutivelmente um fator facilitador. A experiência deixa de ser dolorosa", diz.

Tanto ela quanto Letícia afirmam que estimular outras zonas erógenas faz toda diferença para aumentar a excitação. "Particularmente tenho uma sensibilidade muito grande nas mãos, mamilos e costas. Explorar todas as minhas zonas erógenas contribui muito para o orgasmo", conta Letícia.

Se sentir dor, pare imediatamente

Isso vale para tudo! A qualquer sinal de desconforto ou se tiver mudado de ideia, comunique e pare imediatamente. "É fundamental parar imediatamente e investigar o que pode estar causando isso antes de continuar", diz Milaneze.

A sexóloga afirma que as principais razões para dores estão relacionadas ao uso excessivo de força ou pressão, ou ainda lubrificação insuficiente. "A falta de lubrificação adequada pode levar a fissuras na região, gerando ardência, dor e até sangramentos."

*As personagens foram identificadas apenas pelo primeiro nome.

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