'Minha vida sexual mudou depois que fiz fio terra no meu namorado': como aproveitar no sexo sem medo?
Por mais que seja temido por muitos homens cis hétero, o fio terra pode mudar tudo numa relação sexual; o que vale mais: um preconceito ou o prazer livre?
Foi meio por acaso que Rafaella*, 28 anos, fez fio terra pela primeira vez no namorado. “Uma vez, estava fazendo oral no 69 e minha mão escorregou um pouco mais. Subi rápido, mas ouvi ele gemer e senti o corpo dar aquela contorcida, sabe?”, conta. Ela diz que nessa hora sentiu um estalo e resolveu deslizar a mão um pouco mais, até que chegou direto no ânus. “Senti que ele gostava daquilo mas tinha vergonha de pedir, mesmo a gente sendo muito parceiro e se comunicando bem", lembra.
Rafaella diz que, aos poucos, foi entendendo melhor a forma que ele sentia mais prazer. “Se tornou uma descoberta muito gostosa porque vi que ele se enche de tesão. Até hoje é assim”, explica.
O fato do namorado ter se mostrado aberto para o estímulo anal foi algo que deixou Rafaella ainda mais excitada por ter descoberto uma nova forma de proporcionar prazer a ele: “No início ele não gostava de falar sobre como isso o excitava fora da cama. Agora temos meio que um código. Quando percebo que ele pode estar a fim, já pergunto se posso pegar o lubrificante. É difícil ele falar não.”
O fio terra ainda é tratado como um tabu entre os homens heterossexuais, seja porque as parcerias não tem interesse em explorar o ânus como uma zona erógena ou dos próprios homens que se privam do prazer porque acham que se tornarão “menos viris”.
De vez enquanto, o tema entra em discussão na mídia. Como quando o ator Bruno Gagliasso, durante uma brincadeira de “Eu nunca”, contou em seu programa Surubaum que já fez fio terra. Assim como ele, outras pessoas famosas contaram que não só fizeram, mas que caíram de amores. “Muito homem tem preconceito com isso, mas é porque nunca provou e não sabe que é gostoso”, contou o ex-BBB Pyong Lee no podcast Pod Trash.
Muitas mulheres têm interesse em colocar um dedinho ali em suas parcerias, mas o mero fato de querer propor a ideia pode gerar receios. Marie Claire traz algumas dicas para abordar e (talvez) despertar a curiosidade da sua parceria.
O que é fio terra?
Nada mais é do que a prática sexual que envolve carícias e estímulos no ânus e na região ao redor, como o períneo e as nádegas. Pode ser feito com os dedos, boca (nesse caso, é chamado de beijo grego) ou até com a ajuda de um sex toy — inclusive temos uma lista com vários vibradores feitos para o prazer anal que podem inspirar vocês.
De onde vem o receio sobre o fio terra?
Muitos homens cis hétero ainda carregam um pensamento machista enraízado que os impede de explorar o prazer além do pênis. O medo é que isso possa ser interpretado como um “problema” para a própria orientação sexual.
É importante deixar claro que sentir prazer no ânus não faz de ninguém homossexual. O que define se uma pessoa é gay/lésbica ou não é gostar de uma pessoa do mesmo gênero. Além disso, o fato de liberar às carícias do ânus pode ser considerado por alguns como um ato de submissão. Mas essa ideia não tem qualquer fundamentação.
A falta de informação e o preconceito podem ser grandes culpadas por essa polêmica, já que os homens são ensinados de que o pênis é o centro do prazer. Assim, deixam de lado possíveis outras formas de gozar bem gostoso — seja neles próprios, seja em suas parcerias. A próstata, por exemplo, é considerada como o ponto G masculino e só pode ser acessada por meio do ânus.
Por que dar uma chance ao fio terra?
A realidade é que, por conta das inúmeras terminações nervosas presentes no ânus, a área se torna extremamente sensível ao toque, movimento, pressão ou outros tipos de estímulos, como a língua — no caso do beijo grego.
Essa estimulação pode despertar sensações orgásticas, ampliando as possibilidades de prazer no sexo. Para homens cis e outras pessoas com pênis (como mulheres trans, travestis, intersexo e algumas pessoas não binárias), a proximidade com a próstata pode intensificar ainda mais essas sensações e o prazer.
Como trazer o fio terra na conversa?
Numa relação saudável é ideal que a conversa seja o centro de tudo, principalmente quando o assunto é sexo. Conversar abertamente sobre desejos, limites e curiosidades pode proporcionar experiências bem mais prazerosas e intensificar os sentimentos de cumplicidade na relação.
Caso a sua parceria seja um homem cis hétero que demostra resistência ao tema, comece conversando aos poucos. Expresse sua vontade de forma natural e, se fizer sentido, compartilhe histórias de outras pessoas que já experimentaram e como funciona na prática. Ler sobre o assunto juntos, caso tenha essa abertura, pode ser interessante também.
Também aproveite as chances que a vida der. Por exemplo, você pode sugerir filmes ou séries que abordam o tema e comentar casualmente sobre isso — como “Você faria isso?”, “O que acha dessa situação?”. Esses questionamentos mais mascarados podem ajudar a criar um clima mais leve e respeitoso, sem espaço para nenhuma imposição.
Como fazer fio terra?
Se a conversa der certo, comece aos poucos. Durante o sexo oral, comece a estimular com a mão ou com a língua a área do períneo – que fica entre os testículos e o ânus – e vá percebendo como ele se sente.
Depois, você pode começar a estimular a “bordinha” do ânus com os dedos, com cuidado e delicadeza, para acostumar a área com o toque. Quando ele estiver mais confortável e aberto, coloque o lubrificante em cena para deixar tudo mais gostoso e sem riscos de fissuras.
Pergunte sempre se pode inserir um pouco o dedo e vá fazendo devagar, começando apenas com a pontinha, respeitando os limites e o ritmo da pessoa. Por segurança, mantenha as unhas curtas para fazer o fio terra. Isso vai evitar machucados, dores e incômodos.
Cada um terá a sua forma preferida de prazer. Para isso, é preciso testar bastante e descobrir juntos o que funciona melhor. Depois que ele já estiver mais acostumado com os toques, vale inserir alguns sex toys na brincadeira. Se você tiver mais conhecimento nisso, apresente alguns e combine de testarem juntos.
*O nome foi alterado para preservar a identidade da personagem.









